Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2022
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Ana de Jesus despede-se do executivo municipal. Joaquim Jorge diz que foi a melhor vereadora das obras particulares que o concelho já teve

Ana de Jesus, vereadora da Câmara Municipal Oliveira de Azeméis
Ana de Jesus, vereadora da Câmara Municipal Oliveira de Azeméis
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Esta quinta-feira, dia 23 de setembro, acontece a última reunião do executivo municipal que decidiu os destinos do concelho de Oliveira de Azeméis durante este mandato (2017-2021). Esta será a última reunião de Ana de Jesus enquanto vereadora das obras particulares do município oliveirense, e enquanto membro do executivo municipal. É o único elento, da equipa socialista, que não faz parte da lista do partido, que ajudou a tornar-se poder em 2017, nas próximas eleições autárquicas.

Será a despedida final de Ana Jesus, mas na última Assembleia Municipal, que decorreu no Auditório Ivone Ferreira da Escola Secundária Ferreira de Castro, em Oliveira de Azeméis, a autarca despediu-se dos seus pares no período reservado à intervenção do público. “Sei que não é normal alguém nestas circunstâncias fazer uma intervenção.  Contudo, na vida as coisas para mim só fazem sentido se assentarem em relações, empatia, afetos. A política não foi diferente. É por isso que estou aqui, pela relação que construí convosco, a empatia que tive da vossa parte, da qual resultou esta vontade de me despedir, queria fazê-lo  individualmente, mas como não é possível, decidi vir aqui e fazê-lo  desta forma”, começou por dizer.

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E continuou: “Nesta casa e convosco aprendi a criar pensamento político, a conhecer melhor o meu concelho,  a sentir me motivada para dar o meu contributo no desenho da sua vida pública. Muitos foram os confrontos, as discussões acesas, mas sempre num patamar de discussão política, nunca pessoal, se em algum momento sentiram que eu possa ter ultrapassado essa linha, peço desculpa, não era  essa a intenção.

O momento foi de despedida, mas também de balanço. “Reconheço que ter tido a possibilidade de exercer o poder me deu uma experiência mais completa do que é ser um autarca, apesar das circunstâncias especiais,  resultantes da pandemia, que condicionaram e muito o mandato , em áreas como a cultura e até planeamento. Contudo, reforcei uma ideia que já tinha: no exercício destes cargos é tão importante dizer  sim como dizer não, pois nem sempre o interesse publico pode ser compatível com interesse individual. Não é com gosto que dizemos que não a um projeto de vida individual e legitimo de um cidadão, não é com gosto que assinamos decisões que aplicam coimas aos cidadãos”, afirmou.

No discurso de Ana de Jesus também se sentiu o tom crítico: “… exercer o poder não é só cortar fitas em inaugurações e proferir bonitos discursos um jantares comemorativos. Uma certeza eu tenho,  os meus sins e os meus nãos, foram dados independentemente de quem estava do outro lado, independentemente dos sobrenomes, dos interesses. Disse isto muitas vezes, prefiro decidir mal, do que decidir de forma desigual para situações iguais, ninguém pode ser favorecido ou prejudicado porque tem ou não o telefone do presidente ou de algum vereador. .Estou firmemente convicta que só desta maneira se poderá credibilizar a política”.

Adepta da rotatividade do poder

“O partido socialista que me perdoe mais espero sinceramente que Oliveira de Azeméis não demore outros 40 anos a fazer a mudança”

Desde que está na vida política, Ana de Jesus testemunhou mudanças nas regras nas várias eleições no país, nomeadamente a lei das quotas e a limitação de mandatos. A autarca defende uma alternância no poder. “O poder exercido por muito tempo, tem a vantagem da experiência, mas leva muitos a acreditarem que são imprescindíveis, que são seres pródigos, quem sem eles não há desenvolvimento, criando muitas vezes uma sensação de super poder, o que é perigoso. A esses lembro que ninguém é insubstituível, mas somos todos úteis e necessários (…) O poder cristaliza, vai lentamente corroendo as linhas vermelhas a ponto de considerarmos que independentemente do que fizermos, o poder é nosso. Se olharmos para o país verificamos que os concelhos que tiveram a capacidade de fazer esta alternância, são muito mais criativos, pluralistas , com uma comunidade muito mais livre”, considera.

Revela também que foi a possibilidade de trabalhar para a alternância de poder que o levou a aceitar o desafio lançado por Helena Terra, há 16 anos, para integrar as listas do Partido Socialista. “Acho que ela percebeu que eu estaria disponível para trabalhar muito por esse objectivo, mesmo sabendo que eu não era militante e nunca iria deixar de pensar pela minha própria cabeça, o que significa ser leal ao grupo mas com possibilidade de exercer o meu mandato de forma livre, o que poderia implicar fazer um juízo critico sobre as nossas próprias decisões“, afirmou.

Já no final da sua intervenção, Ana de Jesus surpreende com a visão que tem para o futuro político do concelho. “A alternância de poder desafia, motiva, controla  e isso só poderá ser bom para uma comunidade. O partido socialista que me perdoe mais espero sinceramente que Oliveira de Azeméis não demore outros 40 anos a fazer a mudança”, disse.

Joaquim Jorge: “Somos amigos, continuaremos a ser amigos, e não será a política a beliscar a nossa amizade”

O Azeméis.Net noticiou no dia 12 de julho que era provável uma remodelação na lista do Partido Socialista candidata à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis nas eleições autárquicas, tal como escrevemos aqui. Nessa altura, Ana Jesus declarava que ainda não tinha recebido convite por parte do partido… E acabou mesmo por não fazer parte da lista do PS para estas eleições autárquicas.

Em entrevista recente ao Azeméis.Net Joaquim Jorge disse que convidou a autarca, mas que Ana de Jesus teve outro entendimento, ou seja, recusou o desafio. Na mesma entrevista ao Azeméis.Net o ainda presidente da autarquia em exercício elogiou a prestação da sua vereadora das obras particulares e que também é sua amiga. “Foi a melhor vereadora das obras particulares que o município já teve”, afirma.

E considera que a amizade de ambos não saiu beliscada. “Somos amigos, continuaremos amigos, e não será a política a beliscar a nossa amizade”, finaliza

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