Até 2010, Tiago João podia atravessar a Linha do Vouga por uma passagem de nível pedonal no final da Rua Monsenhor Albino Soares de Pinho, facilitando o acesso directo ao Centro Social e Paroquial de Pinheiro da Bemposta, onde trabalha como administrativo. Com a realização de obras ferroviárias naquele troço — que já não tem exploração comercial — essa travessia foi completamente eliminada, deixando apenas uma alternativa que nunca chegou a ser devidamente pavimentada.
Agora, o percurso que Tiago João é obrigado a fazer diariamente cresceu em mais de um quilómetro, incluindo um troço de aproximadamente 300 metros em terra batida e chão irregular, seguido de cerca de mais 500 metros por estrada até alcançar o mesmo local que antes alcançava pela travessia pedonal. O vídeo, partilhado pelo próprio nas redes sociais, mostra as dificuldades que enfrenta diariamente ao atravessar um caminho irregular e cheio de obstáculos…
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As dificuldades de um percurso Inadequado
O estado do caminho alternativo tem-se revelado particularmente desafiador e perigoso. Segundo o próprio, os buracos e irregularidades do piso têm vindo a danificar a sua cadeira de rodas elétrica e tornar o percurso cada vez mais difícil de realizar.
Em dias de chuva, a situação torna-se ainda praticamente impossível: a chuva transforma o caminho em lama, aumenta o risco de atolamentos e pode até comprometer a mobilidade do utilizador, levando Tiago João a afirmar que tem “receio real de um dia ficar preso nesse caminho”.
Outra alternativa, por estrada asfaltada, existe, mas — embora mais suave no piso — não tem passeios com largura suficiente para uma cadeira de rodas, o que obrigaria o trabalhador a circular na faixa de rodagem, com riscos acrescidos devido ao trânsito automóvel.
Promessas não cumpridas e responsabilidades à espera de soluções
O procedimento que levou à supressão da travessia pedonal passou pela intervenção das obras na linha ferroviária. Quando a antiga REFER (hoje Infraestruturas de Portugal — IP) e a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis acordaram a eliminação de passagens de nível, ficou estipulado que seria criada uma via alternativa pavimentada.
No entanto, essa promessa ainda não foi cumprida e o caminho alternativo permanece em terra batida e sem condições adequadas de tráfego. Tiago João recorda esse compromisso e exige agora uma solução urgente que garanta mobilidade segura para si e para outros moradores, sobretudo idosos, que frequentam aquela zona.
Nos últimos meses, o trabalhador enviou emails e notificações para várias entidades, incluindo o Ministério das Infraestruturas, pedindo intervenção, mas parte deles recebeu apenas respostas genéricas e outros ficaram sem qualquer retorno.
Posições das entidades envolvidas
A Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis reconheceu que Tiago João está a utilizar a única alternativa existente e que esta não tem as melhores condições, adiantando que se encontra a analisar o cumprimento do protocolo de 2008 — estabelecido entre o município e a antiga REFER quando foram suprimidas diversas passagens de nível no concelho.
A Infraestruturas de Portugal explicou que a remoção das travessias foi feita nos termos do Decreto-Lei nº 568/99, que determina a obrigatoriedade de suprimir passagens de nível, e que, no caso concreto, assumiu que existiria uma alternativa a menos de 300 metros — precisamente o caminho em terra batida utilizado por Tiago João.
A entidade ferroviária reforçou ainda que a travessia improvisada que alguns moradores tentam fazer junto à linha é ilegal e perigosa, apesar de a infraestrutura atualmente apenas ser usada para manobras técnicas.
Uma questão que afeta muito mais do que um único cidadão
O caso de Tiago João Sousa ilustra uma problemática mais ampla de acessibilidade e inclusão, que leva uma pessoa com mobilidade reduzida a enfrentar um percurso degradado e perigoso para cumprir as suas funções profissionais.
O vídeo e as imagens que publicou nas redes sociais têm agora servido para alertar a comunidade e as autoridades para a necessidade de intervenções que assegurem caminhos adequados, seguros e dignos — não apenas para si, mas para todos os cidadãos que dependem de acessos acessíveis no seu dia a dia.


Uma resposta
A falta de respeito pelos cidadãos é gritante. Nao se respeita nada nem ninguém. Quais Tios Patinhas estes aitarcas só vèm €€€€