A junta de freguesia de Cesar apresentou publicamente, através da voz do seu presidente, Ângelo Silva, o projeto de reconstrução e ampliação do cemitério local, uma intervenção avaliada em cerca de 235 mil euros que surge na sequência da derrocada de um muro provocada pela tempestade Cláudia, em novembro de 2025. A sessão teve como objetivo explicar à população os contornos da obra e recolher contributos dos interessados, numa altura em que o executivo considera esta intervenção uma prioridade para a freguesia.
Segundo foi explicado durante a apresentação, a tempestade provocou o colapso de grande parte do muro localizado na zona nascente do cemitério, deixando o restante troço em situação de instabilidade e causando danos em nove jazigos existentes naquela área. O incidente ocorreu cerca de duas semanas após a tomada de posse do atual executivo e obrigou a junta de freguesia a alterar as prioridades definidas para o mandato.
Num primeiro momento foram realizados trabalhos de emergência, com o apoio da Câmara Municipal, de uma empresa local e de colaboradores da própria junta, que permitiram remover os destroços, estabilizar a zona afetada e repor alguma normalidade no espaço. Posteriormente foram ainda executadas intervenções de limpeza e reposição do pavimento, garantindo condições mínimas de segurança para quem visita o cemitério.
Solução para falta de espaço
Após uma análise da situação, o executivo decidiu não se limitar à reconstrução do muro que ruiu. Em vez disso, optou por avançar com um projeto mais abrangente que contempla também a ampliação do cemitério, tendo em conta que o espaço existente se encontra praticamente esgotado e já não existem lugares disponíveis para novas sepulturas.
A ampliação está prevista para a zona traseira do cemitério, num terreno que já pertence à Junta de Freguesia. O projeto inclui a construção de novos jazigos e de uma estrutura destinada a ossários e cinzas, além da reconstrução e reforço do muro de suporte de terras.
Está prevista a criação de 30 jazigos simples com três funduras e quatro jazigos duplos com seis funduras. O projeto contempla ainda a possibilidade de construir até 114 nichos destinados a ossários ou cinzas, embora numa primeira fase apenas sejam instalados 30 módulos, ficando o espaço preparado para futuras ampliações.
A nova área ficará num patamar ligeiramente superior ao atual terceiro nível do cemitério e contará com novos acessos, incluindo uma rampa e uma escadaria. Está também prevista a criação de um acesso exterior que poderá facilitar a realização de funerais, permitindo que o carro funerário se aproxime diretamente da zona onde se encontram os jazigos.
Construção com estruturas pré-fabricadas
De acordo com o projeto apresentado, a obra será executada com recurso a estruturas pré-fabricadas em betão armado, uma solução escolhida para garantir maior rapidez de execução, maior segurança estrutural e melhores condições de construção.
Todos os elementos, desde os muros de suporte até aos jazigos e nichos, serão produzidos previamente e depois instalados no local.
Câmara apoia obra com €100 mil
A câmara municipal comprometeu-se a apoiar a intervenção com um financiamento de 100 mil euros, destinado essencialmente à reconstrução do muro, às obras de sustentação de terras e à movimentação necessária para estabilizar o terreno.
O restante valor – 135 mil euros – terá de ser assegurado pela junta de freguesia, que prevê obter parte significativa do financiamento através da venda de jazigos e ossários. Nesse sentido, foram apresentados valores indicativos para a aquisição dos espaços funerários, fixados em sete mil euros para jazigos duplos, três mil e quinhentos euros para jazigos simples e seiscentos euros para ossários ou nichos.
O executivo sublinhou, no entanto, que a junta não pretende recorrer a financiamento bancário, avançando com a obra apenas se houver garantias de que o investimento poderá ser suportado financeiramente.
Quanto custam os novos jazigos?
No âmbito do projeto de ampliação do cemitério de Cesar, a junta de freguesia definiu os valores para a aquisição dos novos espaços funerários. Assim, cada jazigo simples terá um custo de 3.500 euros, enquanto os jazigos duplos serão vendidos por 7.000 euros. Já os ossários ou nichos destinados a cinzas ou ossadas terão um valor de 600 euros.
Durante a sessão pública, vários moradores colocaram questões e manifestaram dúvidas relativamente aos preços apresentados, considerando-os elevados quando comparados com valores praticados noutras freguesias da região.
O executivo reconheceu que o tema pode gerar debate, mas explicou que os valores foram definidos após uma análise de mercado e tendo em conta as características da obra, bem como as limitações financeiras da junta.
Os responsáveis reforçaram ainda que o objetivo não é obter lucro com a venda dos jazigos, mas sim garantir o autofinanciamento da intervenção e assegurar que o cemitério possa responder às necessidades da freguesia durante várias décadas.
Inscrições abertas para interessados
Após a apresentação do projeto, a Junta de Freguesia abriu o processo de manifestação de interesse para aquisição de jazigos ou ossários, com inscrições disponíveis na secretaria.
A prioridade será dada a residentes na freguesia, naturais de Cesar ou pessoas que possuam ligações familiares à localidade.
O executivo prevê avaliar o número de interessados nas próximas semanas e levar novamente o tema à Assembleia de Freguesia, onde poderá ser tomada a decisão final sobre o avanço da obra e eventuais ajustes ao projeto ou aos valores apresentados.


