Na tarde de 25 de abril (sábado), a antiga sede do Sindicato dos Vidreiros do Norte – na Rua do Centro Vidreiro, em Bustelo – conheceu, oficialmente, um propósito renovado, intenção do executivo municipal desde o primeiro mandato. A sala principal, símbolo da resistência operária contra a ditadura, desvenda uma série fotográfica, uma instalação artística de vidro, um laboratório de fotografia e um mural que honra a memória de dezenas de operários já falecidos. A visita ao espaço interior acontece envolvida numa sonoplastia também pensada em volta da memória das antigas gerações, a partir de nomes inscritos no sindicato.
De recordar que, à época de fundação, estes sindicatos foram uma tentativa de controlo dos vidreiros por parte do Estado e dos patrões.
No exterior, os jardins e passeios também foram renovados e reestruturados, enquadrados na paisagem em redor.
No âmbito das comemorações do 52º aniversário da Revolução dos Cravos, Joaquim Jorge salientou o “reencontro com a história” e o legado do “colega de turma” Joaquim Morgado, icónico vidreiro que assumiu parte fundamental da instalação de vidro. A empreitada idealizada pelo arquiteto Rui Lopo fundiu-se com a curadoria e cocriação do projeto nãoLUGAR, a instalação das artes plásticas da artista Amadeu, há uma série fotográfica de Daniela Mendes, a cocriação das artes plásticas da artista Mariana Martins e com a sonoplastia do artista Diogo Divagações.
Para lá do “Antigo Sindicato Vidreiros do Norte — um espaço carregado de história”, Joaquim Jorge recordou que esta iniciativa integra a recuperações de vários espaços do concelho, com o objetivo de trabalhar os cinco sentidos. As diferentes empreitadas atravessam diferentes, até díspares, fases de concretização.





“A antiga sede do Sindicato dos Vidreiros está, agora, transformada no primeiro núcleo integrante da Rota dos Sentidos, dedicado à visão e vocacionado para acolher exposições, criação visual, projeção audiovisual, laboratório de fotografia, atividades formativas e ações de mediação cultural transformando um lugar ligado à memória do trabalho e à organização sindical num espaço vivo e aberto à comunidade. (…) As obras de reabilitação custaram cerca de 230 mil euros, com o apoio de fundos do Plano de Recuperação e Resiliência”, esclareceu o município nas redes sociais.

Uma resposta
Por amor de Deus, a quem interessou este projeto, que em nada representa aquilo que foi a indústria vidreira existente em Bustelo, há mais de um século, gerida pela sede em Oliveira de Azeméis (a Boémia), propriedade do já falecido Júlio Mateiro, seu fundador? E o edifício onde o mesmo está instalado, que foi criado para ser o local ideal para lutar e discutir, na medida do possível, no seio dos operários vidreiros (como um sindicato), dada a ditadura política que existia na época, para serem compensados devidamente, em termos salariais e de segurança no trabalho, o que nem sempre foram compreendidos, passou a ser palco de algo que tudo isso apaga, dando lugar a algo incompreendido, até pelos habitantes do lugar, muitos deles descendentes dos trabalhadores de então e já faleceram! É pena. E já agora, pergunto: algumas das pessoas que estiveram presentes na inauguração deste chamado “Núcleo Integrante da Rota dos Sentidos” foi ou é um artista na indústria vidreira, sabendo criar arte com o vidro como antigamente se fazia e cujo portfólio de peças antigas de então ninguém sabe por onde anda? Responda quem souber, pois é nesse local onde elas deveriam estar expostas para sempre, em segurança, como uma homenagem aos artistas vidreiros de então. Tenho dito.