O Académico era o café mais antigo na cidade. Comemorou 54 anos de atividade no dia 27 de novembro. Um espaço que fez parte da história de Oliveira de Azeméis. Por aqui passaram gerações. Esteve no patamar nos estabelecimentos de referência. Serviu durante vários anos a corporação dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis, e alunos da antiga Escola de Artes e Ofícios de “O Comércio do Porto”, que passou a ser tempos depois um polo da Escola Secundária Soares Basto, e foi ainda a primeira sede da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa. Neste espaço era frequentemente encontrar autênticos craques de damas. O café e os tabuleiros de damas eram o chamariz principal dos clientes desta casa.
O fim do Café Académico, no local onde sempre pertenceu, não aconteceu por dificuldades económicas, ou por falta de clientela, nem tão pouco por vontade do proprietário do espaço, António Costa. “Um certo dia o senhorio deu-me dois meses para sair do espaço”, diz o proprietário ao azeméis.net.
O contrato de arrendamento do Café Académico é antigo e estava em nome do irmão de António Costa, o primeiro proprietário deste espaço. “O negócio passou para meu nome, mas o contrato de arrendamento do espaço esteve sempre em nome do meu irmão, que, entretanto, faleceu”, revela António Costa ao azeméis.net.
A ação de despejo foi concretizada no final de novembro (mês de aniversário) e acontece, apurou o azeméis.net, após o senhorio ter recebido uma oferta de compra do terreno onde estava instalado o Café Académico e que chega à antiga sede dos Dragões de Azeméis por parte do grupo ABB – Alexandre Barbosa Borges que chegou a Oliveira de Azeméis para a construção do novo Mercadona. Existe a intenção, revela fonte conhecedora do processo ao azeméis.net, em fazer nascer um novo bloco de apartamentos neste terreno.
À procura de solução
António Costa está muito perto da idade da reforma, mas tem o objetivo de encontrar uma solução para continuar a história do Café Académico. “Têm sido dias difíceis. Não está tudo bem. Há noites em que não consigo dormir”, diz ao azeméis.net.
O proprietário do histórico café oliveirense começou a trabalhar aos 12 anos, ao lado do seu irmão. Tem uma vida dedicada ao Café Académico, e não consegue digerir como tudo acabou.
A solução poderá passar pelo histórico estabelecimento ganhar vida no outro lado da rua. No antigo edifício dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis. “Neste momento é uma hipótese que está em cima da mesa. Houve uma conversa informal com o presidente dos bombeiros, mas nada em concreto. Está planeado conversarmos sobre o assunto e perceber se há possibilidade de um entendimento”, comenta António Costa.
“Gostava de continuar com o Café Académico. Tinha uma clientela fixa. E esses clientes continuarão a visitar o Café Académico mesmo com a mudança de espaço”, conclui o proprietário do histórico café oliveirense.
