A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis assinalou os seus 120 anos de vida com uma sessão solene marcada pela homenagem à história da corporação, aos seus operacionais e, de forma particularmente sentida, aos bombeiros que morreram no cumprimento da missão.
Na cerimónia, que contou com a presença do secretário de Estado da Proteção Civil, Luís Rocha, foram recordadosBruno Santos, Carlos Severino e Pedro Figueiredo, nomes que continuam ligados à memória da associação e ao serviço prestado à comunidade oliveirense.. após 21 anos das suas mortes. O governante sublinhou que os três “partiram na missão” que abraçaram com coragem: proteger e salvar vidas.
Perante dirigentes, comandantes, bombeiros, autarcas, entidades convidadas e familiares, Luís Rocha destacou que 120 anos “não podem ser apenas um número”, mas antes a expressão de milhares de ocorrências, horas de prontidão, quilómetros percorridos e gestos concretos em defesa de vidas, bens e comunidades.
O secretário de Estado afirmou que os Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis cresceram com a terra e se tornaram, ao longo de mais de um século, “um pilar de segurança, de proximidade e de humanidade”. A cerimónia serviu, por isso, para celebrar a história da corporação, mas também as pessoas que vestiram e continuam a vestir a farda.
“Os bombeiros não são recursos descartáveis”
A evocação dos bombeiros falecidos em missão deu lugar a uma mensagem dirigida aos operacionais no ativo. Luís Rocha apelou a que a coragem que caracteriza os bombeiros nunca se sobreponha à proteção da própria vida, defendendo que nenhuma ocorrência, combate ou objetivo operacional pode justificar riscos desnecessários.
“Os bombeiros não são recursos descartáveis nem números em relatórios”, afirmou o secretário de Estado, lembrando que cada operacional é também uma pessoa com família, responsabilidades e o direito de regressar a casa em segurança depois de cada missão.
Luís Rocha defendeu ainda que o descanso deve ser encarado como uma necessidade operacional. Segundo o governante, um bombeiro exausto perde capacidade de reação, concentração e eficácia, aumentando o risco de acidente. Por isso, proteger quem está no terreno implica planeamento, coordenação, equipamento adequado, formação contínua e decisões conscientes.
Reconhecimento aos bombeiros e às famílias
A sessão solene dos 120 anos foi também um momento de reconhecimento aos bombeiros distinguidos, condecorados e promovidos, bem como aos elementos que transitaram para o quadro de honra. Luís Rocha valorizou a dedicação acumulada ao longo dos anos por várias gerações de bombeiros, destacando o serviço prestado “sem esperar nada em troca”.
O secretário de Estado deixou ainda uma palavra às famílias dos bombeiros, lembrando que cada ausência, chamada inesperada ou noite mal dormida representa também uma parte da entrega de quem está ao serviço da comunidade.
No encerramento da intervenção, Luís Rocha agradeceu aos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis pelo trabalho realizado “do dia 1 de janeiro ao dia 31 de dezembro”, sublinhando que o lema “vida por vida” não é apenas uma frase, mas uma escolha diária e um exemplo para a sociedade.
