O Governo pretende abrir ainda este ano um novo procedimento para a criação de mais 50 Equipas de Intervenção Permanente nos corpos de bombeiros. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Luís Rocha, durante a sessão solene comemorativa dos 120 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis.
Perante dirigentes, comandantes, autarcas, bombeiros e familiares, Luís Rocha afirmou que o objetivo passa por reforçar a capacidade de primeira intervenção no território, aproximando o socorro das populações e garantindo uma resposta mais permanente. O governante adiantou que, depois das 20 equipas recentemente atribuídas, o Governo vai apresentar, na próxima semana, um pedido de reforço ao Ministério das Finanças para que possa ser lançado um novo procedimento para mais 50 Equipas de Intervenção Permanente.
Segundo o secretário de Estado, a intenção é caminhar para uma aproximação da primeira intervenção “24 horas”, num modelo que exige corresponsabilidade dos municípios, uma vez que as autarquias suportam parte relevante do investimento. Luís Rocha defendeu que a resposta em cada território deve ser definida tendo em conta o risco, a realidade sociodemográfica e as necessidades concretas de socorro e emergência.
Setor precisa de investimento e previsibilidade
Na intervenção, Luís Rocha reconheceu que o setor dos bombeiros enfrenta necessidades acumuladas e falou mesmo em “anos de desinvestimento”. O governante referiu que um levantamento recente apontou para necessidades de investimento na ordem dos 550 milhões de euros a nível nacional, envolvendo viaturas, equipamentos, quartéis e outras condições operacionais. Ainda assim, admitiu que não será possível recuperar “tudo de um dia para o outro”, sublinhando que o país tem recursos limitados.
O secretário de Estado anunciou também a atribuição de 45 viaturas e lembrou que há corporações com carências significativas de meios, dando como exemplo populações sem determinados veículos essenciais de combate a incêndios. Para Luís Rocha, a prioridade deve passar por construir soluções graduais, com financiamento previsível e com responsabilidades repartidas entre o Governo, as autarquias e outras entidades financiadoras.
Bombeiros entram na fase mais exigente do ano
O reforço das Equipas de Intervenção Permanente surge num momento em que se aproxima a fase mais exigente do dispositivo de combate aos incêndios rurais. Luís Rocha lembrou que, no próximo mês, entra em vigor a fase Delta, com mais de 15 mil operacionais envolvidos, a maioria dos quais bombeiros voluntários.
Na cerimónia, o secretário de Estado deixou ainda uma mensagem de reconhecimento aos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis pelos 120 anos de serviço à comunidade, destacando a coragem, o espírito solidário e o compromisso dos operacionais. Luís Rocha evocou também os bombeiros que perderam a vida em missão, nomeadamente Bruno Santos, Carlos Severino e Pedro Figueiredo, sublinhando que a vida dos bombeiros deve estar sempre acima de qualquer prioridade operacional.
O governante defendeu, por isso, que o descanso dos bombeiros deve ser entendido como uma “necessidade operacional”, alertando que um bombeiro exausto perde capacidade de reação, concentração e eficácia, aumentando o risco de acidente. Para Luís Rocha, proteger quem está no terreno exige planeamento, coordenação, equipamento adequado, formação contínua e decisões conscientes.

