“Eu gosto é do verão, de passearmos de prancha na mão”
O hino dos “Fúria de Açúcar” viu as luzes da ribalta dois anos antes de eu nascer, resistindo à mudança do século e acompanhando viagens e férias de verão. Aquele inconfundível “hit” devolve-me a inúmeros episódios, como as manhãs na praia do Furadouro com a creche – “O Pinto”. Tivemos a sorte de desfrutar daquele imenso areal que, entretanto, o homem destruiu e o mar engoliu.
Foi há mais de 20 anos. Autocarro, boné laranja, baldes, pás, toalhas, protetor solar, água, pão e ameixas. Éramos crianças relativamente simples, que despreocupadamente desfrutavam do momento, convictas de que amanhã ali estariam de novo com os amigos. Não havia preocupações, tampouco distrações tecnológicas. Quando muito havia os “Morangos com Açúcar”, série à qual nunca prestei atenção. A minha praia televisiva era – e continua a ser – o canal público.
Os verões n’“O Pinto” também contavam com tardes na piscina, até à hora de regressar a casa. Fomos, de facto, crianças com muita sorte.
“E ao fim do dia, bem abraçados, a ver o pôr-do-sol”
Os acordes desta música também me fazem recuar às férias em Troia e no Algarve – antes da gentrificação. E é por responsabilidade do meu pai que muito novo decorei a letra do sucesso dos “Fúria de Açúcar” – além de boa parte da discografia dos “Mamonas Assassinas”. Clássicos de verão!
Para completar este quadro, julho rima com aniversário. Logo, as “férias grandes” sempre aportaram sensações positivas – dias longos, descompromisso, tranquilidade.
Longe vão esses verões.
Algo que a vida vai ensinando é que nada – absolutamente nada – pode ser dado por garantido. Nem o verão. Aquele verão. O nosso verão. Nesta travessia há interrupções abruptas – de duração indefinida – que nos obrigam a desfazer planos, recolher ao lar, adaptar rotinas, alimentar a coragem e aceitar que o verão não vai passar de meses de muito calor. Vai ter menos música, menos cor e menos festa, mas vai trazer lições muito importantes.
A seu tempo vamos voltar a celebrar, mas, por agora, há um caminho – por vezes silencioso – a completar, com paciência e união. Em todo o caso, nunca estaremos sós, o que conforta e dá alento.
O verão de 2027 vai compensar.
“Eu gosto é do verão;
De passearmos de prancha na mão;
Saltarmos e rirmos na praia;
De nadar e apanhar um escaldão;
E ao fim do dia, bem abraçados;
A ver o pôr-do-Sol;
Patrocinado por uma bebida qualquer.”
Santiago de Riba-Ul, 1 de julho 2026