Domingo, 23 de Agosto de 2026
Domingo, 23 de Agosto de 2026

A UNIR (ou a desunir) 17 municípios

> Unir foi o lema, desunir foi o resultado dos primeiros tempos. Opinião de Albino Martins, ex-vereador da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.

Estamos no segundo mês de atividade da concessão dos transportes coletivos da Área Metropolitana do Porto sem que os protestos contra tão mau serviço prestado se tenham calado. É certo que há alguns sinais de melhoria, mas enquanto os horários não forem totalmente divulgados, as paragens não ficarem definitivamente assentes, a caracterização dos autocarros não for totalmente uniformizada, as linhas não corresponderem pelo menos às necessidades antes satisfeitas, as pessoas não se vão calar.

Importa, antes de mais, esclarecer que não sou apologista do modelo anterior, há décadas contestado, particularmente no que aos transportes escolares diz respeito, nomeadamente a partir do alargamento da escolaridade obrigatória que pôs em circulação milhares de alunos diariamente. Um modelo (concessão linha a linha) com mais de 70 anos não agradava nem aos utentes dos transportes escolares nem ao público em geral que se foi afastando, trocando o transporte público insatisfatório pela viatura própria.

Publicidade

Não sendo utilizador sistemático dos transportes públicos, percebo que esta pescadinha de rabo na boca – não há utentes porque não há transportes satisfatórios, não há transportes porque não há utentes – é uma consequência da gestão privada dos transportes públicos. Daí a minha incondicional adesão ao novo modelo. Um modelo de transporte comparticipado pelas Autarquias e pelo Estado, mas que tem por objetivo servir as necessidades dos utentes em vez de visar o lucro dos privados ou, no mínimo, depender apenas da viabilidade financeira.

Posto isto, acho mesmo que o rumo traçado está certo apesar de um arranque tão atribulado.

O processo que levou à concessão dos cinco lotes arrastou-se por demasiado tempo – cerca de três anos – com decisões, recursos e impugnações judiciais. Finalmente, ultrapassados os obstáculos colocados por tantos interesses privados, quando chegou a hora de dar início à nova concessão, a pressa foi má conselheira e não se acautelou uma preparação cuidada: não havia motoristas suficientes recrutados e devidamente preparados, faltavam os autocarros necessários e caracterizados, não estavam estabelecidas as paragens, não se estudaram nem divulgaram com antecedência os horários… Até a definição de locais de chegadas e partidas no Porto causou atritos indesejáveis.

Além da precipitação no arranque, também as mudanças radicais operadas no traçado das linhas contribuíram para a confusão dos utentes. Nem tudo estava mal nos percursos de décadas, nem o público se adapta rapidamente ao que é novo. Certo teria sido construir as linhas a partir do que havia, corrigindo e alterando tudo o que fosse necessário.

Unir foi o lema, desunir foi o resultado dos primeiros tempos. 

Quero acreditar que depois da tempestade virá a bonança e que a nova organização dos transportes públicos da Área Metropolitana do Porto irá contribuir para uma utilização mais generalizada dos mesmos. 

Albino Martins
Author: Albino Martins

Ex-vereador da Cultura da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis

Subscreva a newsletter azeméis.net
Facebook
Twitter
Email
WhatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

LEIA TAMBÉM

Leia também

+ Exclusivos

Os ARTIGOS MAIS VISTOS

×