Segunda-feira, 31 de Agosto de 2026
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Ousar e florescer: Grão a Grão, uma alternativa em Azeméis

> Atenção. Esta Carta de Algibeira é capaz de provocar água na boca. É possível que fique com vontade em sair de casa.

Quem percorre a pedonal no coração de Azeméis não fica indiferente à imaculada vitrine em frente aos CTT, na qual se evidenciam peças-museu, como uma máquina registadora antiquíssima, um relógio, um rádio e uma balança. Se o convite não for convincente, então espreite e sinta nostalgia à boleia de frascos que reservam produtos para venda a granel, como nas mercearias de outrora.

O antigo é a nova moda, porque é “retro” e “vintage”, ou porque simplesmente a evolução mercantil e económica nem sempre é positiva para os comuns mortais.

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Ao entrar no Grão a Grão, o que vê alia-se ao olfato e ao que escuta. Há pequenos- almoços, sumos naturais, ementas vegetarianas e sobremesas caseiras, polvilhados por Jorge Palma, Sérgio Godinho, Miguel Araújo, Amália, entre outros. E sem descuidar a mercearia avulso.

Já percebeu? Não há como sair. Instale-se, peça algo e desfrute. Nesta morada reinventada em 2020, a televisão foi preterida, priorizando a conversa, a natureza, melodias nacionais e livros de todo o globo.

De portas escancaradas para receberem conterrâneos, amigos, forasteiros e peregrinos estão Isabel e Telmo, casal nascido em ‘93 e que sonhou colmatar uma carência da cidade-natal. Por isso, reinventou o espaço do antigo Chá Chic e inaugurou o Grão a Grão a um mês da pandemia – a 17 de fevereiro de 2020.

Antes da concretização deste sonho, Isabel – nascida em Azeméis e formada em criminologia – trabalhava numa loja em São João da Madeira, enquanto Telmo – crescido entre Palmaz, Azeméis e Vilar – despontou como contabilista e treinador de futebol na formação da UD Oliveirense.

Até que o amor deste bonito casal trouxe o Dinis ao Mundo.

“Começámos a pensar neste projeto foi quando tivemos o nosso primeiro filho. Sentíamos a falta de um espaço que oferecesse outro tipo de alimentação e outro tipo de produtos. Alguns tínhamos de comprar fora de Oliveira ou comprar em grandes quantidades. A nossa ideia começou pela mercearia e pela venda a granel, num cantinho agradável”.

“Nascemos e crescemos em Oliveira, então nunca ponderámos abrir negócio noutra cidade”

E nem a Covid-19 os travou.

“O boom começou na pandemia”

Naquele inesquecível 2020, os reforçados cuidados higiénicos levaram muitos oliveirenses a confiarem na venda avulso num balcão improvisado por Isabel e Telmo. Ainda que pouco conhecidos, a brisa espalhou a boa-nova e as máscaras não travaram a mensagem. Ora, o “boom” foi de tal ordem que o casal avançou para petiscos “takeaway”, cabazes e entregas ao domicílio. Nesta senda, os meses evidenciaram a urgência de uma ementa diferenciada, vontade que o casal abraçou, ajustando o rumo do negócio e fazendo da restauração o principal cartão de visita – de novo, sem descuidar a mercearia.

Daquele ano, o casal recorda com particular carinho o apoio dos vizinhos da Adega Mota. Doravante, sempre que urgem produtos como limões, cebolas ou ovos, os vizinhos socorrem-se mutuamente; e os clientes são devidamente aconselhados a visitar o negócio do lado consoante aquilo que procuram.

Antes de Compostela e Fátima, o Grão a Grão

Anualmente, muitos peregrinos param neste cantinho para um pequeno-almoço com bebida vegetal, para um almoço vegetariano, ou simplesmente para revigorar a alma. Uns param por tradição, outros por acaso, alguns desesperados por alguém fluente em inglês e outros recomendados por amigos e blogs.

Nesta rica rua pedonal, a Adega Mota e o Grão a Grão abrem o apetite, o caminho faz- se também pel’A Janela e pelo Sexto até à icónica Confeitaria Ideal. Não há problema em distribuir o protagonismo, a própria Isabel revela a tradição familiar de encomendar os bolos naquela confeitaria.

A propósito do passado, tanto Isabel como Telmo garantem que muitos momentos de adolescência e juventude foram partilhados na esplanada do Gemini.

O próximo passo

No rescaldo a “dois anos de estabilidade”, o Grão a Grão pode crescer, consoante oportunidades de mercado e o crescimento de Dinis e Leonor.

“Pensámos e procurámos aumentar as instalações, porque gostávamos de ter uma cozinha maior. Assim conseguiríamos colocar outra pessoa na cozinha, o que permitiria encerrar só depois do jantar. Atualmente não é possível, porque priorizamos o tempo com os nossos filhos”.

“Por agora abrimos às 9h e encerramos às 15h durante a semana. Já estivemos abertos até às 19h, o que pode voltar a acontecer, mas a prioridade é construir uma vida de qualidade com os nossos filhos”.

Se esta carta deixar a ideia de que edificar um negócio é pera doce, desengane-se. O casal destranca a porta pelas 8h30 e, enquanto Telmo abrilhanta as várias divisões, Isabel aventura-se na cozinha, entre sopas, bebidas, sobremesas e pequenos-almoços. A montanha-russa só acalma no fecho, mas nem a azáfama lhes arranca o sorriso.

Para o “até já” peço quatro fatias de bolo de iogurte e maçã – delicioso, obviamente. O “problema” é que no Grão a Grão é fácil ficar com água na boca.

“Um prato? A lasanha vegetariana. Em alternativa, recomendo o tofu mexido com alheira vegetariana, ou o folhado de legumes e cogumelos. Para beber escolheria o sumo de beterraba, laranja e maçã. Para sobremesa recomendo o cheesecake de morango, o brownie ou as bolachas de manteiga de amendoim com pepitas de cacau. É tudo caseiro”.

E agora? Como resistir?! Só tem uma solução: visitar. E permanecer. Vá por mim. As reservas estão à distância de uma mensagem nas redes sociais. Até já!

30 de agosto de 2026, Santiago de Riba-Ul

Samuel Santos
Author: Samuel Santos

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