Há despedidas que não cabem apenas num resultado, numa estatística ou numa fotografia com um troféu. José Barbosa colocou um ponto final na carreira de jogador aos 35 anos, encerrando um percurso construído ao longo de várias épocas entre vitórias, derrotas, títulos, lesões e milhares de quilómetros percorridos dentro e fora dos pavilhões.
A decisão confirma aquilo que o azeméis.net avançou em junho de 2025, quando noticiou o regresso do jogador natural de Oliveira de Azeméis à UD Oliveirense para terminar a carreira. José Barbosa regressava então a casa aos 34 anos, com o estatuto de hexacampeão nacional, para cumprir a última etapa de um trajeto ligado aos principais clubes do basquetebol português.
+ Recordar artigo: José Barbosa de regresso à UD Oliveirense (para terminar a carreira)
Internacional português por 19 ocasiões, o base representou para além da UD Oliveirensem a AD Ovarense e ao SL Benfica, deixando uma marca profunda no basquetebol nacional. O anúncio da despedida foi feito através de uma mensagem emotiva nas redes sociais, na qual reconhece que nunca estamos verdadeiramente preparados para abandonar aquilo que amamos.
“Durante muito tempo pensei que este dia estivesse longe. Talvez porque, quando fazemos aquilo que amamos, acreditamos sempre que haverá mais um treino, mais um jogo, mais uma época”, escreveu.
Mas esse dia chegou. E José Barbosa decidiu enfrentá-lo com a mesma serenidade com que tantas vezes comandou uma equipa dentro de campo.
“Chegou o momento de fechar este capítulo. Depois de tantos anos, chegou a altura de me despedir do basquetebol enquanto jogador.”
Na hora de olhar para trás, o antigo jogador da UD Oliveirense prefere guardar a gratidão. Mais do que as vitórias, as derrotas ou os títulos conquistados, José Barbosa destaca tudo aquilo que a modalidade lhe proporcionou enquanto homem.
“O basquetebol deu-me muito mais do que vitórias e derrotas. Deu-me uma forma de viver. Ensinou-me disciplina quando era preciso trabalhar em silêncio. Humildade quando as coisas corriam bem. Resiliência quando nada parecia resultar.”
Foi também através do jogo que conheceu cidades, países e pessoas que levará para a vida. Treinadores que o marcaram, colegas que se transformaram em família e adeptos que deram sentido a cada encontro.
Nem todos os dias foram felizes. Houve lesões, derrotas difíceis de aceitar, momentos de dúvida e fases em que continuar exigiu mais força do que entrar em campo. Hoje, porém, também essas dificuldades são recordadas com agradecimento.
“Curiosamente, são também esses momentos que hoje agradeço. Foram eles que mais me fizeram crescer”, confessou.
Na despedida, José Barbosa deixou uma palavra a todos os clubes que representou, treinadores, colegas, dirigentes, fisioterapeutas, voluntários e adeptos. O agradecimento mais especial foi dirigido à família e aos amigos, que o acompanharam mesmo quando os fins de semana eram passados num pavilhão e as distâncias se mediam em milhares de quilómetros.
José Barbosa admite que nem sempre foi o melhor jogador, mas garante que procurou ser o melhor colega, competir com respeito e deixar cada camisola num lugar melhor do que aquele onde a encontrou.
A carreira termina, mas a ligação ao basquetebol permanece
O regresso à UD Oliveirense acabou, assim, por fechar o círculo. Foi em casa, junto do clube e da cidade onde começou a construir a sua identidade, que José Barbosa viveu o último capítulo enquanto jogador profissional.
“Hoje termina a minha carreira de jogador. Mas não termina tudo aquilo que o basquetebol me ensinou. Essas lições vão acompanhar-me para sempre, dentro e fora do campo.”
No final, ficaram duas palavras simples para resumir uma vida dedicada ao jogo: “Obrigado por esta viagem. Foi um privilégio.”