O ex-presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Hermínio Loureiro, começou a sua defesa no Tribunal de Espinho no caso “Ajuste Secreto”. Desde o início do julgamento que o ex-presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, afirmou, através do seu advogado, Tiago Rodrigues Bastos, estar disponível para dar todos os esclarecimentos que forem necessários em tribunal. O seu depoimento ocorreu no dia 9 de dezembro, mais de sete anos depois do início do caso “Ajuste Secreto”, e após estar terminada a fase de produção da prova por parte do Ministério Público (MP) e antes de começarem a ser ouvidas as testemunhas de defesa no julgamento iniciado em novembro de 2023.
Numa declaração inicial ao coletivo de juízes, Hermínio Loureiro disse que não enriqueceu nunca roubou, nem prejudicou ninguém. Admitiu, por outro lado, que algumas decisões “não foram tomadas na legalidade”, sublinhando que “ilegalidade não é crime”.
“Queria que o tribunal ficasse com a perceção real que ao longo de 30 anos tomei milhares de decisões. (…) Tenho noção clara que, nesses milhares de decisões tomadas, há algumas que não foram tomadas na legalidade, que foram feitas com ilegalidades”, afirmou Hermínio Loureiro em tribunal.
O ex-autarca garantiu, contudo, que nenhuma decisão foi tomada de forma contrária ao pareceres dos serviços técnicos. “Nunca decidi em sentido contrário do que era indicado pelos serviços técnicos. As minhas decisões foram alicerçadas em pareceres técnicos e jurídicos”, declarou.
Vida virada do avesso
Hermínio Loureiro abordou também as consequências que todo este processo teve na sua vida pessoal. E contrariando a tese de que terá enriquecido durante os seus mandatos à frente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, o ex-autarca confessa que vive agora pior.
Não enriqueci nesses 30 anos de vida pública. Hoje, vivo pior do que vivi noutros momentos
” A minha vida alterou-se (…) dos 65 arguidos seguramente que sou o único em que a vida se transformou de uma forma radical. Não enriqueci, vivo hoje pior do que vivia. Vivo hoje pior do que vivi noutros momentos”, revelou.
“Sempre tive desprendimento muito grande em relação ao poder e bens materiais. Nunca me moveram as questões materiais. Caso contrário nunca teria sido candidato à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis”, declarou.
O ex-autarca frisou que nunca roubou nada a ninguém, nunca prejudicou ninguém. “Tudo o que fiz foi para ajudar tudo e todos”, vincou.
Reflexões sobre a entrega à vida pública
Durante os últimos sete anos, Hermínio Loureiro abandonou a sua atividade na política e na área desportiva. Recentemente aceitou o lugar de comentador desportivo nos canais CMTV e NOW. Na sessão de julgamento em que decidiu falar, o ex-presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, antigo homem forte do PSD, ex-presidente da Liga de Clubes, e ex-vice-presidente da Federação Portuguesa Futebol, e apontado por muitos como aquele que seria o natural sucessor de Fernando Gomes na liderança do organismo que tutela o futebol nacional, admitiu que o processo “Ajuste Secreto” provocou um momento de reflexão sobre a sua dedicação à vida pública durante as últimas três décadas.
“Tive um momento de profunda reflexão sobre tudo o que se passou. Após 30 anos de dedicação à vida pública, vale a pena refletir se nos devemos entregar à vida pública, ou não”, afirmou.
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Tiago Rodrigues Bastos
“O importante que os concidadãos dele tenham a noção que ele não roubou”
No final da sessão, e já no exterior da Tribunal de Espinho, Tiago Rodrigues Bastos, advogado de Hermínio Loureiro, reiterou que algumas decisões “poderão de facto não ter obedecido a todos os trâmites legais, mas isso não tem nada a ver com a prática de crimes”.
“O que é importante que os concidadãos dele tenham a noção que ele não roubou, não meteu ao bolso dinheiro a que não tinha direito. Nem para ele nem para terceiros”, sublinhou.

Uma resposta
Este senhor deve uma explicação aos eleitores oliveirenses que por duas vezes lhe deram a presidência da Câmara. Mas que se poderá esperar dos políticos?