Os números apresentados no estudo elaborado para a implementação do Plano de Ação Para a Estratégia de Resíduos Urbanos (PAPERSU) são bastante impactantes. Cada habitante do concelho de Oliveira de Azeméis produziu em média quase 400 kg de lixo no em 2022. No total, neste ano em estudo, os oliveirenses produziram 26 580 toneladas de lixos, e 89% deste valor foram colocados nos contentores para resíduos indiferenciados, que vão para aterro. Só houve 11% recolha seletiva.
As normas governamentais, introduzidas em 2020 pelo PERSU 2030, tem metas definidas para o aumento de reciclagem, e redução do consumo de matérias-primas. Os aterros estão muito próximo da capacidade máxima, e é urgente reciclar. O executivo da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis pretende acompanhar o objetivo nacional de chegar a 2030 com 60% de recolha seletiva. Já no próximo ano de 2025 a intenção é atingir os 55%.
Entre os anos de 2021 e 2022, 47% da composição indiferenciado no concelho de Oliveira de Azeméis eram biorresíduos (resíduos alimentares e resíduos verdes). Trata-se da maior fatia do bolo. E por aqui que passará a maior estratégia de sensibilização por parte da autarquia.
Para combater o desperdício, e assegurar uma melhor recolha seletiva, o executivo camarário apresentou o seu Plano de Ação Para a Estratégia de Resíduos Urbanos (PAPERSU) indica um investimento de 11,9 milhões de euros entre 2024 e 2030, e 1,3 milhões de euros a partir deste ano.
Redução da fatura
“Se nós implementarmos este plano de ação fazemos um investimento de 11,9 milhões de euros, mas também custos evitados de cerca de 11,3 milhões de euros. Isso quer dizer que se tivermos sucesso naquilo que são as nossas propostas, esperamos que esta seja uma operação com neutralidade orçamental”, afirma o presidente da autarquia.
O valor da taxa dos resíduos urbanos é anexada a fatura da água, e caso o plano seja bem-sucedido “permitirá uma redução tarifária já em 2026”. E isto quer dizer que poderá haver uma redução na fatura da água.
Ecocentro municipal será a chave
O plano apresentado contém várias medidas como a criação de três centro de recolha e o aumento de meios para o depósito de lixo, estando previsto a aquisição de mais ecopontos.
“Existe um estudo que foi feito para que os contentores, para que os ecopontos, estejam localizados de forma a servir geograficamente as populações. E as pessoas devem fazer esse esforço, devem fazer esse trabalho, de fazer em primeiro lugar nas suas casas a separação e depois a deposição correta nos equipamentos necessários para o efeito”, informou o presidente da autarquia.
Mas será a criação de um ecocentro municipal, prevista no PAPERSU, que poderá alavancar todo o processo de recolha de lixo.
“O projeto do ecocentro está entregue. Precisamos de complementar o projeto de especialidades para podermos lançar a concurso o projeto do ecocentro. Esperemos o quanto antes possamos lançar esse concurso para que seja uma realidade, porque vai ser uma grande alteração no nosso paradigma na recolha de resíduos”, revelou Rogério Ribeiro, o vereador com a pasta do Ambiente.
Freguesia-piloto para sistema PAYT
Outro ponto que consta no Plano de Ação Para a Estratégia de Resíduos Urbanos é a implementação do sistema PAYT. Este sistema premeia as comunidades que façam mais recolha seletiva. Quanto menos usar os contentores de lixo indiferenciado, menos paga.
Este sistema entrará em funcionamento a partir do primeiro dia de janeiro de 2025 para “o comércio, restaurante e indústria”, e para toda a comunidade “a partir de 1 de janeiro de 2030”, informou o presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.
Contudo, em 2025 o executivo camarário irá selecionar uma freguesia-piloto para a implementação do sistema. “ Já está em cima da mesa, até para antecipar a meta de 2030, fazer uma freguesia-piloto para o sistema poluidor pagador. Porque existem vários modelos, em várias zonas do Globo. Nós achamos que uma que está aqui plasmada será a que se adequa mais à nossa realidade, mas queríamos também testá-la. E está em cima da mesa termos uma freguesia-piloto a arrancar em 2025, 2026, 2027, para em 2030 termos já resultados e avançarmos no município com aquela que for a melhor solução para a nossa realidade”, revela o vereador Rogério Ribeiro.
—
NÚMEROS
26 850
Número de toneladas de lixo produzido no concelho de Oliveira de Azeméis em 2022.
89%
Percentagem de resíduos indiferenciados.
9 933
Toneladas de resíduos alimentares.
5095
Toneladas de resíduos recicláveis.
2 649
Toneladas de resíduos verdes.
