A Semana dos Moldes, evento organizado pela Cefamol e pelo Centife, foi desdobrado entre Leiria, Marinha Grande e Oliveira de Azeméis. Nos dias 21 e 22 de novembro passaram pelo nosso concelho 133 congressistas que participaram no jantar conferência, no Hotel Dighton, subordino ao tema “Inovação e Talento para a internacionalização”, e que teve como orador Miguel Frasquilho, e a Conferência Talentum Days, constituído por dois painéis de debate: “Os novos desafios e competências das equipas comerciais”, e “Os desafios da produtividade na Indústria de Moldes”.
O empresário oliveirense Hugo Pinto, administrador da JDD Moldes, fez parte do primeiro painel, ao lado de Artur Ferraz (IBC), Miguel Lima (Moldoplástico) e Luis Lima (Steelplus), e apontou para uma realidade: “A Tesla veio alterar o conceito de produção da indústria de moldes e também do conceito do próprio carro”.
Os engenheiros da Toyota desmontaram recentemente modelo Y da Tesla e verifica-se uma autêntica revolução que trará forçosamente consequências para a indústria de moldes. “Os engenheiros ficaram estupefactos com a obra de arte que tinham pela frente. A Tesla conseguiu fazer a parte frontal do carro através de um único molde, uma única peça, enquanto os japoneses precisam de 78 peças soldadas e montadas. Além disso, a Tesla consegue fabricar os automóveis com 40% do espaço de uma fábrica convencional, isso não só reduziu os custos, como se tornou muito mais competitivo”, conta.
Esta é uma realidade que, alerta o empresário, “colocou em causa todo o processo produtivo da indústria automóvel europeia, que está a reduzir ao máximo os custos, que é produzindo menos moldes, logo vão encomendar menos moldes no futuro”.
Hugo Pinto considera que é a qualidade do serviço que vai marcar a diferença “Existe uma capacidade produtiva bastante grande que está desajustada a realidade e que vai ter de ser ajustada à menor procura que vai existir no futuro. Vamos ter de pensar os nossos processos e também aumentar a qualidade de serviço”. Na equação está também a qualificação dos próprios colaboradores. “É preciso qualificar mais os nossos colaboradores porque não basta fazer, é preciso pensar como se vai automatizar o processo”, finaliza.

Produtividade é a chave do sucesso
Rui Tavares, diretor de operações da Simoldes Tools, participou no painel onde se debateu os desafios da produtividade, ao lado de Horsr Mattausch (Durit) e de Filipe Ribeiro (Yazaki). A produtividade será cada vez mais a chave para o sucesso do futuro das empresas, defende o responsável
“Até há poucos anos a indústria de moldes trabalhava com margens confortáveis. Hoje em dia temos a concorrência do mercado asiático, e hoje em dia a produtividade é um fator de competitividade. E uma questão de sobrevivência. As empresas têm de trabalhar a produtividade se querem ser sustentáveis e rentáveis ao longo do tempo”, diz.
Rui Tavares confessa procurar neste momento a melhor forma de encontrar o indicador que mede a eficiência do processo. “Ao dia de hoje consigo medir rendimento operacional, consigo medida uma taxa de ocupação de uma máquina, consigo medir o nível de qualidade que tenho no trabalho que sai da máquina, mas não tenho um indicador composto, para ter um indicador de performance da maquinação, e se eu não medir, não consigo melhor o processo. Ao medir vou descobrir os principais problemas, e , vou trabalhar ações para os corrigir, e aí terei ganhos de produtividade”, conclui.


