Olhemos com o ver da confiança e com o olhar da esperança – A flor de amendoeira nasce na “Invernia do tempo”

"O vírus que nos ataca está a provocar a 'morte lenta' a duas realidades imprescindíveis a vida de cada pessoa: a saúde e a economia"

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É verdade que atravessamos, talvez, a época mais negra da história da nossa vida. Assistimos, tragicamente e inesperadamente a mortes injustas. Assistimos, “quase impotentes” à ação propoente e insolente de um tirânico vírus, que esbulha e queima a vida a tantas vidas como braseira escondida, cínica e silenciosa.

O vírus que nos ataca está a provocar a “morte lenta” a duas realidades imprescindíveis a vida de cada pessoa: a saúde e a economia. Porém, impõe-se o “imperativo moral conforme o dever” – a defesa da saúde de cada um de nós, tendo em vista a saúde de todos.

Duas realidades, não antagónicas, em que a “boa saúde” depende da “saúde da economia” e ambas não se anulam, mas se complementam. O vírus, esse ainda desconhecido, tende arrasar com o capital humano. Não admira, pois, que destilemos tristeza e angústia; medo e pavor; dor e amargura. Todos estamos de coração dorido.

Mas o que mais admira e o mais necessário, apesar deste vírus desbastador, é o saber e a coragem de tantos de nós que não ficaram atolados no medo e no pavor, na angústia e na amargura.

O que mais admira, apesar da força destruidora do vírus, é que aprendemos a ver e a viver o mundo com olhos de uma outra sabedoria: a sabedoria de um coração inteligente e não com uma inteligência sem coração – SOLIDARIEDADE. Com este novo olhar nasce também outra “justiça” e um amor maior desponta.

Sim, uma justiça maior por vezes injusta – a morte (e por este vírus) é sempre injusta; sim, todos morrem injustamente mas a morte mais injusta é a de quem morre pelo dever de cumprir justamente o seu dever de prestar cuidados de saúde. 

Vivemos um tempo de “inverno”. E estamos confinados a este “inverno” que nos isola e numa tempestade que nos assola.

Mas mesmo que confinados a esta “invernia do tempo” não confinemos a nossa confiança nem nossa esperança. Olhemos com o ver da confiança e com olhar da esperança. Esse olhar e esse ver, que vê, em pleno inverno, nascer e florescer “um ramo da flor amendoeira” …  

*Pós-Doc e PhD em Bioética | Presidente da Comissão de Ética da ESSNorteCVP

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