A construção do novo Parque Urbano de Oliveira de Azeméis tem agosto de 2025 como novo prazo de conclusão, quando no início estava previsto para o primeiro semestre de 2024. O orçamento municipal apresentado pela autarquia mostra que o grande investimento nesta obra será feita durante o próximo ano. Estão cabimentados 3,5 milhões de euros, sendo o segundo grande investimento do município. Mas o que fez atrasar esta obra? O azeméis.net teve acesso ao relatório elaborado pelo empreiteiro, a Diz Construções, que justifica em quatro pontos os motivos de atraso.
Este relatório da construtora é bastante crítica a todo o processo desde o seu início, principalmente sobre a incongruências entre o projeto de execução e a realidade do terreno.
“Desde o início da empreitada, imediatamente após o início da implantação do projeto em obra, que nos deparamos com diversas incongruências entre o projeto de execução e a realidade do terreno existente, originando diversas indefinições em que, à data se mantém sem solução construtiva definida”, pode ler-se no documento datado de 14 de agosto de 2024.
Movimentação de terras
A Diz Construções apresenta os factores que tiveram o maior impacto na execução dos trabalhos. Inicia com a necessidade da “movimentação de terras necessária para obtenção de cotas de trabalho”. Em julho de 2023 foi “detetado o erro e omissão” no projeto de execução.
O executivo deu parecer favorável para que a movimentação das terras, mas em agosto de 2024 a autorização ainda não tinha sido formalizada oficialmente impedindo a sua execução.
“Esta tarefa implica um atraso nos trabalhos a realizar de escavações e aterros, impossibilitando ainda a execução de pavimentos exteriores em arruamentos, assentamento de lancis, trabalhos de iluminação pública, espaços verdes”, pode ler-se no relatório.
Sobreiros existentes nos locais de construção
O segundo ponto é relativo à existência de sobreiro no local. O nosso jornal já avançou que a autarquia se encontra à espera de autorização do abate de 66 sobreiros. No relatório, o empreiteiro explana esta situação.
“No início da empreitada verificou-se a existência de sobreiros, espécie protegida, em zonas de construção e à data continuamos a aguardar a apresentação da licença de abate por parte do Município de Oliveira de Azeméis”, refere a construtora.
Enquanto não houver licença, o empreiteiro está impossibilitado desenvolver construção “de muros em betão armado, a execução de caminhos, espaços verdes, da torre de slide, do parque de jogos e skate park, da execução de parque infantil, equipamentos de fitness e mobiliário urbano, e da Execução de pavimentos em EPDM”.
Ausência de estudo geotécnico
O terceiro ponto apontado pelo empreiteiro refere a “ausência de estudo geotécnico em diversas zonas onde constam estruturas de betão com envergadura”.
Na sequência de diversas dúvidas surgidas no decorrer da execução da empreitada, explica a Diz Construções, “verificou-se que a solução estrutural de alguns elementos não estariam adequados ao terreno existente”.
E avança: “Foi definido em abril de 2024 a realização de sondagens geotécnicas existentes da responsabilidade do município de Oliveira de Azeméis aguardando-se à data a solução construtiva”.
Esta questão tem implicação direta, enumera o empreiteiro, na impossibilidade de execução de: muros em betão armado de suporte ao lago, torre de slide poente, pavimentos, guardas metálicas, espaços verdes, mobiliário urbano, e iluminação pública.
Solução construtiva para o lago
No seguimento de existência de incongruência entre cotas de projeto e cotas do terreno existente bem como o insuficiente estudo geotécnico do local onde se encontra previsto a construção de elementos estruturais de suporte, explica a Diz Construções, “levou à necessidade de alteração da solução construtiva que ainda continuamos a aguardar o seu envio”.
Esta questão tem implicações diretas, pode ler-se no relatório, com os trabalhos de execução de muros de suporte em betão armado, execução de caminhos pedonais, execução do anfiteatro contíguo ao lago, trabalhos de impermeabilização do lago e revestimento vegetal, iluminação pública, guardas metálicas, equipamento e mobiliário urbano, espaços verdes.
