As obras do novo Centro Interpretativo Ferreira de Castro ficarão concluídas em junho, avança ao azeméis.net o arquiteto Rui Lopo, autor do projeto. A inauguração acontecerá, assim, no ano em que se completam 50 anos sobre a morte do maior escritor oliveirense de todos os tempos.
Orçada em 260 mil euros, a obra foi lançada a concurso público em março de 2022, depois de uma longa batalha de argumentos entre a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis e o Centro de Estudos Ferreira de Castro, que reuniu mais de 600 assinatura numa petição que pretendia travar o avançar a obra, por a vontade do escritor ter sido violada. A meio do ano de 2023 foi a construção do Centro Interpretativo Ferreira de Castro, e o prazo de execução de 365 dias.
Os trabalhos decorrem a bom ritmo. Quem visita o espaço já pode ver a ligação de um dos dois novos blocos já construídos, que são semelhantes à casa onde viveu o escritor oliveirense, à Casa-Museu Ferreira de Castro, que não sofrerá qualquer tipo de recuperação.
Das novas valências que o Centro Interpretativo Ferreira de Castro terá, o presidente da Junta de Freguesia de Ossela, José Santos, destaca o espaço para a exposição permanente sobre Ferreira de Castro e um espaço que servirá de bar e cafetaria.
Além de divulgar a obra do escritor, e proporcionar bons momentos de lazer e descontração, o espaço servirá também para workshops e tertúlias.
A intervenção fundamental da filha do escritor
Quando foi conhecido o projeto, da autoria do arquiteto oliveirense Rui Lopo, pela Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, o Centro de Estudos Ferreira de Castro mostrou-se logo contra, alegando que o mesmo destruía “grosseiramente a quinta e o jardim” da casa-museu do escritor da terra, violando a vontade do autor aquando da doação daquele terreno ao município.
Carlos Castro, presidente do Centro de Estudos, vincou várias vezes que quando o escritor e a esposa, Elena Muriel, doaram a sua casa ao município, inscreveram no documento da doação a vontade de permanência do cariz rústico do espaço.
Durante o processo, a filha do escritor, Elsa Muriel Ferreira de Castro, que vive em Sintra, também foi envolvida no assunto. O presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis chegou a revelar ao jornal Público que tinha recebido uma carta da filha de Ferreira de Castro que manifestou preocupação caso a memória do pai não fosse respeitada. A autarquia respondeu à carta, e garantia que a quinta não seria destruída.
José Santos, presidente da Junta de Freguesia de Ossela, revela agora ao azeméis.net que foi a filha de Ferreira de Castro que terminou com as divergências do Centro de Estudos com a autarquia oliveirense, desbloqueando assim o início do processo para a construção do Centro Interpretativo.

“A filha de Ferreira de Castro escreveu uma carta a consentir a construção do Centro Interpretativo Ferreira de Castro. E a partir daí não houve mais questões sobre este processo”, disse o autarca ao nosso jornal.
“É uma boa maneira de terminar o meu mandato”
O nascimento do Centro Interpretativo Ferreira de Castro será uma das últimas obras inauguradas por José Santos como presidente da Junta de Freguesia de Ossela. Será um momento especial para o autarca dada a sua proximidade ao escritor.
A mãe de José Santos foi responsável de cuidar da casa de Ferreira de Castro quando este partiu da freguesia rumo ao desconhecido. O autarca já referenciou que quanto tinha oito anos conviveu de perto com o escritor.
“A concretização deste Centro Interpretativo é uma boa maneira de terminar o meu mandato”, diz José Santos, que completará, em 2025, 12 anos de liderança da Junta de Freguesia de Ossela, estando impedido de voltar a ser candidato devido à limitação de mandatos.
Foi durante o seu mandato também que foi criado o Roteiro Literário Ferreira de Castro, e também foi um dos grandes impulsionadores para requalificação da Biblioteca de Ossela, que foi construída em 1970, sob a orientação do escritor. Foi como presidente da Junta de Freguesia de Ossela também deu o seu contributo para o Plano Estratégico Ferreira de Castro promovido pela autarquia oliveirense.
“A filha de Ferreira de Castro escreveu uma carta a consentir a construção do Centro Interpretativo Ferreira de Castro. E a partir daí não houve mais questões sobre este processo”
José Santos, presidente da Junta de Freguesia de Ossela

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NÚMERO
260 000
A construção do Centro Interpretativo Ferreira é uma obra orçado em 260 mil euros.
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Imagens do projeto do Centro Interpretativo Ferreira de Castro







