Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026
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A história de KIKI começou há 26 anos. Uma vida como palhaço de intervenção.

> VIDA. No mês do Natal, o azeméis.net conta-lhe a história de vida de Kiki, um palhaço de intervenção diferente de todos os outros… que um dia chegou a pensar ser engenheiro eletrotécnico.

Não é de Oliveira de Azeméis, mas é como se fosse. Vive no concelho desde 2009. E tudo por causa do amor. Natural de Águas Santas, no concelho da Maia, Marco Leite conheceu aquela que é hoje a sua mulher há 23 anos, no Dia Mundial da Criança, no Parque de La Salette. A Câmara Municipal, onde Vera trabalhava, contratou-o para animar a pequenada.

Foi nessa altura que se encantou pela então jovem oliveirense, que nunca mais largou de vista. Ao ponto de chegar a “inventar viagens a Coimbra só para passar por Oliveira de Azeméis para tomar café”, conforme confidencia ao azeméis.net.    

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Estão casados há 17 anos e têm dois filhos – uma rapariga de 14 anos e um menino de quatro, que não escondem o “orgulho” por serem filhos de um palhaço. Aliás, fazem questão de o dizer bem alto, deixando o pai naturalmente “todo babado”.

Vera, com quem casou, também não poderia ser melhor. Marco Leite vê-a como “uma mulher à altura”, a quem tem muito a agradecer. 

Esteve para ser o engenheiro eletrotécnico

Falamos de um palhaço de intervenção com 26 anos de história(s), que esteve para ser engenheiro eletrotécnico, para cumprir o sonho do pai, mas não foi. Acabou por seguir os passos do bisavô, que “foi palhaço na aldeia”, de que a avó lhe falava, mas que não chegou a conhecer.

Ou seja, o ‘bichinho’ esteve sempre lá, adormecido, tendo despertado quando Marco Leite, agora com 42 anos, começou a fazer teatro amador na Associação Recreativa da zona onde morava. Na ocasião, começou a tomar-lhe o gosto e, como o próprio sublinhou, “o pessoal dizia que tinha muito jeito para aquilo”. Era algo inato, que lhe vinha da alma, digamos assim.

Chegado ao 10º ano de escolaridade, não hesitou em inscrever-se no curso de Ator da Academia Contemporânea do Espetáculo, no Porto. Havia só 18 lugares “para 200 e tal pessoas”. Mas Marco Leite, mesmo com um problema de fala que o impedia de dizer os ‘R’s’, foi um dos selecionados. Aliás, terá sido por causa disso mesmo que foi escolhido. Por ter cantado, num dos castings, “’Sabão Cá-Cá’ em vez de ‘Sabão Crá-Crá’ [risos]”, uma das músicas da banda brasileira Mamonas Assassinas, conta ao azeméis.net.

Concluídos os três anos de formação, seguiram-se muitas animações de rua, a trabalhar para empresas de animação de eventos, por todo o país e um sem número de festas de aniversário. Marco Leite tinha 17 anos e já vestia a pele de entertainer como ninguém.

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Kiki e a sua galinha Kaka formam uma dupla imparável, que faz as delícias de miúdos e graúdos

Fez de Noddy, de Macaco Toon Toon…

Desde então, além de palhaço, tem trabalhado como apresentador/speaker, tem uma empresa de decoração de casamentos e outros eventos na cidade, faz magia close up (de proximidade), faz quizzes em bares e até já fez trabalhos de manipulação e vozes de bonecos em televisão. Imagine-se que integrou programa da TVI Batatoon, tendo trabalhado com o Batatinha: “Era o Macaco Toon Toon, o repórter de exterior que supostamente fazia diretos”.  

Também chegou a ser o Noddy e a fazer uma tournée pelo país, para além de se ter vestido de Pai Natal.  Por falar em Pai Natal e em Natal, normalmente trabalha para algumas autarquias na época natalícia, fazendo “uma tournée pelas escolas com um espetáculo de magia e a chegada do Pai Natal”.

Para este ano, já “tem jantares de Natal de empresas e também festas na escola ao final do dia com os pais”. Isto, fora do concelho de Oliveira de Azeméis.

“Em personagem sou super dinâmico, interventivo, meto-me com toda a gente e não sei quê. Já o Marco pessoa é completamente o contrário”

Marco Leite

… e foi o ‘entertainer de serviço’ no casamento do diretor da Globo

O nome Kiki surgiu por acaso, numa intervenção de rua, em Celorico de Basto, em que lhe perguntaram o nome e um amigo, Daniel Pinto, com quem estava disse que ele se chamava Kiki. O mesmo Kiki que, passada uma semana, estava na Régua também a fazer intervenção e que, volvidos 26 anos, juntamente com a sua galinha inseparável Kaka, é uma referência nacional e internacional.

Ao longo destas quase três décadas de carreira, Marco Leite já fez um sem número de trabalhos.  Entre estes destacam-se os casamentos que animou (e continua a animar), sobretudo, no Norte do país, inclusive os de famosos estrangeiros. Caso, por exemplo, do casamento da atriz brasileira Fernanda Rodrigues com o diretor da Globo, Raoni Carneiro, na zona do Douro, no ano passado, no qual Kiki foi o ‘entertainer de serviço’.

Os casamentos são, de facto, o seu “mercado mais forte”, havendo meses em que trabalha “todos os dias”. Isto, em várias quintas nortenhas de renome.

12 fatos de palhaço iguais, e dois pares de sapatos

São muitos os aspetos que (com)provam que Marco Leite leva a profissão muito a sério. A começar pelos seus 12 fatos de Kiki exatamente iguais, que poucos sabem que tem e, por isso, pensam que anda sempre com a mesma roupa. “Às vezes, tenho necessidade de publicar a foto para que não pensem que sou ‘porco’ [risos]”, assume ao azeméis.net.

Para além dos fatos, tem dois pares de sapatos, idênticos aos do Batatinha e que custam entre 450 a 600 euros. Um deles mandou fazer a um sapateiro de São João da Madeira e “já levou montes de solas novas”, não demorando muito tempo a ter de ser substituído.

Kiki transforma, ainda, o seu carro num autêntico camarim. “Nunca veem o Kiki depois do espetáculo”, garantiu, acrescentando: “Porque ia haver sempre um pai que ia estragar a magia das crianças e dizer ‘olha vai ali o Kiki’ e eu não quero isso”.  O profissional do riso tem muito cuidado com as crianças. “Não quero destruir-lhes os sonhos nem a magia”, reforça.

Kiki cumpre religiosamente os horários. Não usa aliança. Não mostra os braços nem as pernas, mesmo que isso signifique ter de “suportar dias de calor em que se registam mais de 30 graus”. É um verdadeiro palhaço da cabeça aos pés, sem margem para erros. Aliás, “ética” e “etiqueta” são as palavras de ordem na sua vida, como deixou bem claro. Para além de “animação”. Muita “animação”.

Curiosamente, Marco Leite nada tem a ver com esta personagem que criou.  “Em personagem sou super dinâmico, interventivo, meto-me com toda a gente e não sei quê. Já o Marco (pessoa) é completamente o contrário: super introvertido, prefere estar em casa, sossegado, não se sente bem no meio de multidões”.

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Este palhaço não tem um, mas, sim, 12 fatos exatamente iguais. Para quando houver algum problema com um ter, logo, outro pronto a usar
Gisélia Nunes
Author: Gisélia Nunes

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