Renato Pinho, Helena Landeau, e Carlos Silva, são os três administradores da Moldoplástico

A Moldoplástico completou 65 anos de atividade no dia 4 de novembro de 2020. O Conselho de Administração da empresa é composto atualmente por Helena Ladeau, filha do fundador Joaquim Landeau, Carlos Silva, e Renato Pinho, que até há bem pouco tempo fazia parte da Joluce, empresa do grupo fundada em 1971. Para assinalar a comemoração da importante data para e empresa, o Azeméis.Net entrevistou os seus três administradores que aceitaram o desafio de falarem sobre o passado, presente, e futuro. Sacrifícios e conquistas são as palavras mais marcantes na vida daquela que foi a primeira empresa de moldes do concelho de Oliveira de Azeméis fundadores por dois visionários – Joaquim Landeau e Lúcio Rodrigues.

O presente não tem sido fácil, e essa realidade está espelhada no nível de faturação relativa ao ano de 2019, e em 2020 houve nova quebra, mas todos acreditam na continuação do sucesso. Os três administradores dizem que a empresa está apetrechada para dar resposta ao mercado, e de se igualar a qualquer empresa do sector. Basta dizer, por exemplo, que num passado recente a Moldoplástico produziu aquele que poderá ser considerado como o maior molde do mundo, com um peso de 140 toneladas.

Helena Landeau é um ano mais nova do que a empresa fundada pelo pai, Joaquim Landeau. Tem 64 anos. É acionista da empresa, e tem um grande orgulho do grupo Moldoplástico. É a marca do passado e dos alicerces da Moldoplástico. “Isto para mim é a minha vida. Comecei por trabalhar na Joluce, e lá trabalhei durante 14 anos. Depois passei para a Moldoplástico. Agora estou a tentar seguir o percurso que o meu pai me deixou, o que não é fácil. Também tenho uma equipa à minha volta espetacular. Reconheço que trabalhamos muito em equipa. Tenho pessoas ao meu lado que me têm ajudado muito a passar isto tudo. Vamos tentar que isto continue”, afirma.

O passado da empresa foi marcado por momentos difíceis, mas que foram sempre ultrapassados. “O percurso foi feito com algumas dificuldades. Não foi tudo rosas. Já houve outras crises. Ainda há tempos encontrei uma carta do meu pai, de mil novecentos e setenta e tal, a falar de uma crise. Portanto, as crises são cíclicas e acontecem. A Moldoplástico foi sempre sobrevivendo a esse tipo de situações que não são nada fáceis”, recorda Helena Landeau.

Helena Landeau está há 27 anos na empresa. “Eu vivi aqui dentro”, afirma. Diz que soube desde sempre ocupar o seu lugar, a partir do moemnto em que entrou na empresa e era filha do patão. For depois de ter completado o 7.º ano de escolaridade. E o facto de se ter tornado acionista da empresa e ter ficado com mais responsabilidade lhe mudou o fácil trato. Dá muito valor ao trabalho em equipa: “A responsabilidade é maior, e eu tento dar o melhor. Eu tenho pessoas ao meu lado. O Carlos Silva foi uma ajuda fantástica. Tivemos uma pessoa que agora está na reforma, o Dr. Espírito Santo, que foi crucial numa altura muito complicada”. Foi com a saída do Dr. Espírito Santo para a reformar, a empresa recrutou Renato Pinho para o conselho de administração, com o pelouro da área financeira, trabalho que é apreciado por Helena Landeau.

Abordando o presente, a administradora diz que a empresa está “a lutar, a tentar sobreviver, e a dar a voltas às situações”. E sente-se motivada para continuar na luta. “Estou a seguir aquilo que o meu pai e o sócio, na altura, fizeram, e eu gostaria que isto continuasse. Enquanto puder continuar, aqui vou estando. Acho que ainda tenho força para isso. Se eu visse que não tinha capacidade, sairia”, diz. Olhando para o futuro, Helena Landeau diz que todos estão a fazer fazer um esforço para que a empresa continue. “A Moldoplástico tem pernas para andar. Tecnicamente estamos ao lado dos outros. Apesar dos nossos 65 anos não temos problema nenhum de estar ao pé dos outros, seja de quem for, até às empresas mais evoluídas”, afirma.

O maior molde do mundo e produção para carros topo de gama

A força de produção da Moldoplástico é demonstrada por Carlos Silva. “Fizemos há uns anos aquele que pode ser é o maior do mundo. Tinha um peso de 140 toneladas. Produzimos para uma empresa espanhola, do sector da embalagem. Era um contentor urbano que impressionava pela sua grandeza. Não há muitas empresas com capacidade para fazer estes moldes de grande dimensão. Nós fazemos moldes de 50, 60, 70 toneladas”, revela.

Os moldes produzidos pela Moldoplástico é na sua maioria para exportação e destinada ao setor automóvel. É de Oliveira de Azeméis que saem moldes para carros como a Renault e Porsche. A empresa oliveirense é responsável, por exemplo, de alguns pára-choques da Porsche. A empresa também produz peças para veículos pesados, adianta Renato Pinho.

A estagnação no início dos anos 2000, a quebra de 2019, e a realidade de 2020

A Moldoplástico é uma empresa reconhecida a nível internacional, e tal como foi mencionado por Helena Landeau, Carlos Silva recorda também que o crescimento da empresa “foi assente em sacrifício e trabalho“. O administrador assume as dificuldades do tempo presente, e fala sobre a estagnação da empresa os anos 2000. “Tínhamos alguns problemas com o estado da empresa. Há alturas da vida das empresas que elas acabam por não evoluir, faz parte da dinâmica da empresa. Depois da saída dos sócios fundadores, houve uma estagnação. No início dos anos 2000, a empresa poderia ter evoluído de outra forma. Mas por estratégia, e resultado das várias crises, houve uma estagnação. Não houve contratação, nem aquisição de novo material“, diz.

Há, no entanto, um facto que Carlos Silva destaca um fator deferencial na Moldoplástico. “Temos um percurso que é diferente da maior empresa moldes. Não nos focamos no sector automóvel. Decidimos abrir portas de outros mercados”, comenta. A embalagem e imobiliário são outras áreas que a empresa trabalha com impacto direto na faturação.

Em 2019, a Moldoplástico teve uma faturação de mais de 9 milhões de euros, ocupando o 18.º lugar no ranking nacional das empresas moldes, com uma quebra de 12% de faturação relativamente a 2018. “Não são números simpáticos. Por norma o valor da faturação é de 12 milhões de euros, e a empresa costuma constar entre 10.º e o 12.º lugar do ranking. (…) Ainda antes do Covid-19 as indústrias de moldes já estavam a passar por uma fase complicada pela grande indefinição que existe na indústria automóvel, bem como a relação dos EUA e a China, o Brexit… Isto tudo tem influência na vida das empresas”, diz Carlos Silva, que adianta uma outra conta: “Se juntarmos a Moldoplástico à Joluce estamos a falar de uma faturação de 22 milhões de euros. A Joluce faturou mais do que a Moldoplástico em 2019, e está a acontecer o mesmo em 2020”.

Este ano de 2020 teve duas realidades para a Moldoplástico. Há uma antes de agosto, e outra após agosto. “Até agosto estávamos em contra ciclo relativamente a outras empresas. Estávamos cheios de trabalho. Depois houve uma quebra nas encomendas. Houve também encomendas que já tinham entrado, mas que foram depois canceladas devido à incerteza no setor automóvel”.

Renato Pinho antecipa para este ano uma quebra de faturação de 15 por cento relativamente ao ano de 2019. “Vai ser transversal a todos empresas de moldes. A partir de certa altura deste ano houve uma grade quebra nas encomendas. O mercado ainda está muito indefinido”, diz. Este administrador projeta que no futuro posso a empresa possa apostar em alavancar nichos de mercado na área da embalagem e imobiliário, “em complemento intra-grupo”, ou seja, num trabalho cada vez mais próximo com a Joluce.

A crise no setor e otimismo no futuro

A Moldoplástico faz parte da direção da CEFAMOL, a Associação Nacional da Indústria de Moldes, e, por isso, a administração tem uma noção clara sobre a crise no setor. “Se disser que uma grande parte das empresas vai reduzir entre 40% a 50% da sua faturação, não estou muito longe da verdade“, diz Carlos Silva.

O administrador mostra, no entanto, otimismo em relação ao futuro. “Sabemos que vamos conseguir ultrapassar [esta crise], afirma Carlos Silva. “O futuro está em aberto. Mesmo em períodos difíceis a empresa teve a capacidade de ultrapassar esses momentos de crise. Não é fácil porque hoje em dia as dificuldades são ainda maiores. As margens são muito baixas. Temos problemas com aquilo que pagamos ao nível de impostos, ao nível de eletricidade, e há empresas que fazem preço muitos baixo. Atualmente há facilidade de montar empresas por todos os apoios, e há fundos comunitários, o que não acontecia. São empresas que nos criam dificuldades. Estamos preparados para mais este desafio”, conclui.

E para o futuro também já está reservada a expansão da empresa, tal como pode ler no link que se segue:

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