A CHETO é o exemplo de uma empresa com um exponencial de crescimento num curto espaço de tempo. O objetivo desde o início da caminhada foi bem claro: acrescentar valor à indústria dos moldes. E esse passo foi conseguido. Ganharam desde cedo o respeito do mercado, são procurados por empresas do mundo inteiro, e já são uma referência, como comprova o artigo, com destaque de capa, publicado numa conceituada revista alemã na área dos moldes (ver aqui).

Em apenas uma década chegaram aos quase 10 milhões de euros em faturação, e tiveram de mudar de casa por duas vezes até chegar à Área de Acolhimento Empresarial de Ul-Loureiro. Em entrevista concedida ao Azeméis.Net, no dia exato em que se completava três anos sobre a data da mudança para as novas instalações (7 de dezembro de 2020), Carlos Teixeira, um dos administradores, promete que a empresa oliveirense não ficar por aqui. A construção de novas unidades de produção fora do país será uma realidade no futuro.

O início desta aventura empresarial começou em 2009, num pequeno escritório em São João da Madeira. Nesse ano houve uma grande crise económica, e a empresa onde trabalhava Sérgio André, o parceiro de Carlos Teixeira na fundação da CHETO, chegou ao fim de linha. Era também um negócio ligado à construção de máquinas para a indústria dos moldes. “Nessa altura houve um desafio entre mim e o engenheiro Sérgio André em formar esta sociedade. A partir daí foi somar duas pessoas que se percebem e que olharam para a frente e fizeram da CHETO o que ela é hoje”, revela Carlos Teixeira.

Os dois primeiros anos da empresa foram dedicados à investigação e desenvolvimento do negócio. Em 2011, a empresa sente a necessidade de procurar um espaço maior. O local escolhido foi um terreno em Santiago de Riba-Ul. “A primeira encomenda que tivemos foi para o Canadá, e as seguintes para a China. Estas encomendas deram-nos um valor de faturação significativo, e precisávamos de um espaço maior para assemblar as máquinas, explica o administrador da CHETO.

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Evolução da faturação da CHETO ao longo dos anos

Os últimos três anos foram os de maior faturação

Carlos Teixeira com uma fotografia que marcou o momento da visita de Marcelo Rebelo de Sousa no dia da inauguração da nova unidade de produção da CHETO

Apenas seis anos após a mudança de São João da Madeira para Santiago de Riba-Ul, a empresa sentiu novamente a necessidade de mudar novamente de casa. E outra vez para um espaço maior. Escolheram a Área de Acolhimento Empresarial de Ul-Loureiro. A inauguração das instalações aconteceu no dia 7 de dezembro de 2017, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e quis o destino que a entrevista de Carlos Teixeira ao Azeméis.Net acontecesse precisamente três anos depois – no dia 7 de dezembro de 2020.

Desde o primeiro momento que se percebeu que a mudança ia alterar substancialmente o rumo do trajeto da empresa. “Estes três anos vieram comprovar a necessidade que nós tínhamos de aumentar a nossa capacidade produtiva, porque nós tínhamos encomendas e estávamos a ter algumas dificuldades na produção dos equipamentos que levava a um prazo de entrega demasiado longo e estávamos a perder competitividade por não termos um espaço grande e digno”, afirma o administrador.

O balanço destes últimos três anos de ativada é claramente positivo. Foi a partir de 2017 que a empresa ganhou a dimensão que conhecemos hoje. E em termos de faturação, foi sempre a crescer. “Os últimos três anos foram os melhores anos de faturação de sempre. Com a mudança percebemos logo que íamos atingir o valor que nos propusemos no nosso plano de negócios“, avança Carlos Teixeira, que acrescenta: “O que foi feito aqui foi um Centro Tecnológico que combina a engenharia e assemblagem num espaço, o que veio otimizar imenso os processos e a assemblagem dos equipamentos a horas”.

Aliança ao Grupo Simoldes em 2016

Oliveira de Azeméis é o concelho mais rico na área dos moldes a nível nacional. O ranking de 2020, que pode consular aqui, demonstra isso mesmo. E nesta entrevista também ficou claro o bom entendimento e a relação de cooperação entre as empresas do concelho que trabalham na área dos moldes.

Carlos Teixeira explica a relação de proximidade entre CHETO e o Grupo Simoldes, iniciada no ano de 2016. “Os técnicos do Grupo Simoldes visitaram-nos algumas vezes, e em 2016 conseguimos formalizar com o presidente e o vice-presidente do grupo [n.r: António Rodrigues e Rui Paulo Rodrigues] a venda de dois equipamentos. Um para trabalhar na MDA, e outro na IGM. Atualmente já temos 8 equipamentos no grupo todo”, informa Carlos Teixeira.

O administrador da CHETO foca que esta aliança ao Grupo Simoldes foi uma relação win-to-win, ou seja, ambas as empresas saíram a ganhar. “A exigência do Grupo Simoldes é alta, e nós temos com eles uma boa relação técnica. De facto eles também ajudam a puxar um bocadinho por nós. Acho que demos muito valor ao sector que a Simoldes teria algumas deficiências, e ajudamos tirar partido do processo através dos nossos equipamentos“, conclui

2020: um ano anormal, mas com investimento

Depois de uma tendência clara de crescimento nos últimos anos, a administração da CHETO caracteriza 2020 com ano anormal. “Não é que seja um ano mau. Não vamos atingir os valores que tínhamos nesse plano de negócios, tivemos uma quebra de 25 por cento na faturação, mas obviamente que estamos confiantes no médio/longo prazo”, diz Carlos Teixeira, que adianta ter confiança no futuro. Por isso, a empresa decidiu avançar para a comprar de um terreno vizinho. “Temos noção perfeita até onde podemos chegar, e este ano decidimos adquiri um lote de mais cinco mil metros quadrados, que faz fronteira com este espaço, já a pensar uma eventual expansão a médio prazo [n.r: em dois anos]. Para já, comprámos para proteger a necessidade futura. Se víssemos só o presente, não compraríamos, mas estamos a tentar imaginar o futuro”.

Há sinais que moralizam o pensamento positivo da CHETO. “Já há sinais positivos e de retoma em alguns mercados, como, por exemplo, no conjunto do continente americano (América do Norte e América do Sul). Há zonas em que existe uma pequena retoma no sector automóvel”, informa Carlos Teixeira.

Contudo, o empresário também chama a atenção para outra realidade. “Os clientes continuam reservados em investimentos. Falam muito das bazucas financeiras, mas sem encomendas essas bazucas não fazem sentido nenhum”, considera.

Reconhecimento de boa gestão

Em 2020, a CHETO voltou a ser distinguida pelo IAPMEI com o estatuto de PME Líder “pela qualidade do seu desempenho e perfil de risco”. Para Carlos Teixeira, esta distinção acaba por ser um reconhecimento natural da forma organizada pela qual a empresa vê o negócio, e também da forma como querem que os outros os vejam. “E um reconhecimento do nosso modelo de gestão, com base em rácios contabilísticos. Se contabilizem rácios do pessoal, estou certo que teríamos mais uns pontos”, diz.

Novas unidades de produção no país e no estrangeiro

Em 11 anos, a CHETO teve um crescimento exponencial. Um dos segredos? A resiliência. “Sou resiliente e quando acredito tudo vai à frente”, afirma Carlos Teixeira. Apesar do grande sucesso, o empresário confidencia que, em sonhos, a CHETO já poderia estar em outros patamares. “Pensando em sonhos, a CHETO já poderia estar noutro patamar. Mas também temos de ver o enquadramento de onde estamos. Se estivéssemos com uma base nos EUA, por exemplo, não tenho dúvidas que faturávamos o triplo”, considera.

Uma coisa é certa, tendo em conta as afirmações de Carlos Teixeira: a CHETO vai crescer ainda mais e expandir-se durante os próximos anos. “Há uma ideia de um investimento maior. Pode passar por cá, mas também por investimentos fora de Portugal. Iremos construir unidades produtivas fora do país”, revela.

Há uma escultura da autoria do oliveirense Paulo Neves na entrada principal da CHETO
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