Os Passadiços de Pindelo passaram, em menos de um ano, de atração turística em alta a símbolo de preocupação pública. Inaugurado oficialmente a 12 de julho de 2025, o percurso foi apresentado como um investimento capaz de colocar Pindelo no mapa do turismo de natureza, mas chega agora à discussão política local associado a críticas sobre instabilidade, vegetação, falta de informação e indefinição quanto às alterações previstas.
A mudança de perceção é evidente. Em julho de 2025, os Passadiços de Pindelo eram descritos como um dos maiores investimentos realizados na freguesia nos últimos quatro anos e como um dos destinos de moda do turismo de natureza. A Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis chegou a apresentar o equipamento como “uma resposta de natureza de grande sucesso”, cuja procura por habitantes locais e visitantes tinha “superado todas as expetativas”.
Mas os sinais de fragilidade surgiram logo nos primeiros dias. O percurso foi inaugurado oficialmente ainda com “pormenores importantes por concluir”, nomeadamente falta de sinalização, dificuldades de estacionamento e ausência de um plano de emergência eficaz. A autarquia confirmou, 16 dias depois da inauguração, que o Serviço Municipal de Proteção Civil estava ainda a desenvolver o Plano Prévio de Intervenção, ou Plano de Segurança, para os passadiços.
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Quase um ano depois, essas fragilidades voltaram ao debate na Assembleia de Freguesia de 30 de junho. Durante a sessão, foi referido que os passadiços continuam a atrair visitantes, sobretudo ao fim de semana, mas que a imagem pública do percurso se tem degradado. Um eleito alertou que o espaço terá registado cerca de 50 mil pesquisas na internet, mas que as avaliações e comentários dos visitantes têm vindo a piorar.
“Todas as semanas, sobretudo ao fim de semana, acorre muita gente aos passadiços”, foi referido na Assembleia. O problema é que, segundo a oposição, os visitantes estão a deixar cada vez mais críticas ao estado do percurso. Entre as queixas apontadas estão a instabilidade dos passadiços, a vegetação e a sensação de falta de manutenção.
A preocupação foi apresentada como um problema coletivo da freguesia. “Estas críticas não são críticas para o executivo, são críticas para todos nós, porque os passadiços são da Junta, mas são para nós, são da nossa comunidade”, foi sublinhado durante a discussão, numa tentativa de chamar a atenção para o impacto que a degradação da imagem pode ter sobre um equipamento que nasceu com potencial turístico.
A bancada da AD questionou ainda a ausência de um prazo concreto para a concretização das alterações ao percurso. Foi pedido acesso ao mapa do novo trajeto, informação sobre custos e esclarecimentos sobre as soluções definitivas previstas. O debate incidiu também sobre a diferença entre “reparações” e “alterações”, depois de ter sido lembrado que a Assembleia aprovou um contrato para reparações, mas que, na prática, o que está em curso são modificações ao traçado.
Segundo a informação prestada pela Junta, está a ser preparada uma solução alternativa que prevê a passagem de parte do percurso para a outra margem do rio, aproveitando um trilho já existente. A intervenção deverá incluir duas pontes: uma no início do trajeto e outra na zona das Poias, permitindo depois o regresso ao percurso original. Ainda assim, não foi avançada uma data concreta para a conclusão destas alterações.
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