O problema já se arrasta há mais de duas décadas, mas durante o mês de junho a população da freguesia de Ul tem colocado a poluição no rio Ul constantemente na ordem do dia. Têm sido diárias as imagens publicadas nas redes sociais que mostram o rio Ul tingido de branco e cheio de espuma. A Câmara Municipal aponta que a deficitária capacidade de resposta da ETAR do Salgueiro, em Santiago de Riba-Ul, é a principal causa do problema, e há planos para que esta infraestrutura seja requalificada, mas, farta de promessas, a população de Ul mostra que a paciência chegou ao fim, e mostram diariamente a sua revolta.
Os moradores da freguesia sentem-se incomodados pelo odor químico, que se agrava nos dias de muito calor. O cenário atinge o Parque Temático Molinológico de Oliveira de Azeméis, um dos pontos turísticos do concelho de Oliveira de Azeméis, onde é possível ver, por exemplo, patos a nadarem sobre estas águas. Está em causa uma questão de saúde pública.
Nilton Oliveira é um dos habitantes da freguesia que se tem desdobrado em entrevistas para colocar o tema constantemente na ordem do dia. Os seus dias têm sido difíceis devido ao problema. Revela que não tem conseguido abrir uma janela de casa devido aos químicos colocados no rio Ul, nem sequer aproveitar a parte exterior da casa para fazer uma refeição com a família.
A paciência da população esgotou-se. “Já são muitos anos a prometer, sem que nada seja realmente feito. É uma miséria, trata-se de um crime ambiental”, diz, revoltado.





Problema na ETAR do Salgueiro
Os problemas de poluição no rio Ul são antigos, com historial de uma grande quantidade queixas ambientais, e durante o último mês têm sido divulgadas imagens diárias que mostram a poluição do rio de dia e à noite.
O executivo camarário explicou em reunião de executivo municipal que o problema está relacionado com a débil ETAR do Salgueiro, em Santiago de Riba-Ul, que tem sido intervencionada com “paliativos” nos últimos anos para minimizar o problema de funcionamento.
Está previsto uma intervenção profunda, mas ainda sem uma data concreta.
Sobre a espuma visível, o executivo explicou ainda que se trata da utilização de um produto usado, em fase de testes, para tratar lamas numa estação de tratamento de águas residuais.
Sobre o teor químico na água, nada foi esclarecido, mas o presidente da autarquia, Joaquim, Jorge, fez questão de garantir que ao contrário do que tem sido veiculado nas redes sociais, a espuma visível no rio Ul não é da responsabilidade de nenhuma grande empresa instalada na cidade.
43 milhões de euros para as ETAR’s
O assunto da poluição do rio Ul também foi levado à reunião da última Assembleia Municipal de Oliveira de Azeméis. Em resposta às questões levantadas pela deputada municipal eleita pela coligação PSD/CDs-PP, Rita Costa, o presidente da autarquia, Joaquim Jorge, disse que ninguém vai ouvir da sua boca que “o problema se resolverá num passe de mágica”, mas que irá esforçar para que o assunto seja resolvido.
A polémica em torno da poluição do rio Ul, já provocou uma reação oficial da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria. Em comunicado, o organismo revela que há condições para avançar para um novo paradigma ambiental.
“A AMTSM sabe o que os moradores de Oliveira de Azeméis têm vivido. Janelas que não se abrem. Refeições adiadas ao ar livre. Um rio que deixou de acompanhar a vida da sua comunidade”, começa por referir a entidade em comunicado.
“O Rio Ul pede intervenção há anos. O problema está identificado e é conhecido da AMTSM, que, após vários anos de trabalho técnico e institucional, reúne finalmente as condições para avançar”, continua.
“Graças à oportunidade de enquadramento no Portugal 2030, vai iniciar-se a reabilitação integral da ETAR do Salgueiro, a que se junta: uma nova linha de tratamento, a valorização de subprodutos, a produção própria de energia (com painéis solares), o reforço da eficiência energética e a descarbonização, e a integração de soluções de economia circular”, explica a AMTSM.
Paralelamente, está também em marcha a reabilitação da ETAR de Ossela, cujo concurso público internacional que terá sido lançado ainda durante o mês de junho.
Trata-se “de um plano concreto, com projetos de execução prontos, que aguardavam apenas uma oportunidade de financiamento dada a elevada exigência do investimento”, sublinha a AMTSM.
O investimento estimado é de 43 milhões de euros para investir nas duas ETAR’s (11 Milhões ETAR Ossela e 32 Milhões ETAR do Salgueiro).
“Muitos dos constrangimentos técnicos, administrativos e burocráticos acumulados ao longo de mais de dois anos foram ultrapassados”, finaliza o organismo que reúne os municípios de Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Vale de Cambra, Arouca e Espinho.
