A rede UNIR continua a gerar muitas críticas entre os utilizadores de transportes públicos na Área Metropolitana do Porto, principalmente do lote 5, que abrange os concelhos de Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira, Vale de Cambra e Arouca. O tema começa também a subir de tom na classe política. O presidente da câmara municipal de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge, tem lançado duras críticas sobre a realidade da nova rede de transportes. A última, bastante incisiva, foi proferida na última reunião do mês de janeiro do executivo camarário.
“Tivemos azar com quem ganhou o nosso lote [a empresa Xerbus], porque, efetivamente, com mais ou menos problemas as coisas funcionaram. No nosso estamos com dificuldades em alinhar as coisas”, considerou o presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis. “O lote 5 é o único lote de todos que ainda não têm publicados os horários”, acrescenta.
A nova rede UNIR estava planeada para começar no início de novembro, foi adiada para o início de dezembro, e o presidente da autarquia oliveirense considera que o início devia ter acontecido ainda mais tarde. “Fomos a única Câmara a propor o adiamento do lançamento da operação, porque tínhamos a certeza que isto ia acontecer”, afirmou.
Já na última reunião da Área Metropolitana do Porto (AMP) Joaquim Jorge já tinha mostrado o seu “profundo descontentamento” relativamente à operação da nova rede de transportes que, até aqui, “não tem tido evolução positiva”.
A nova realidade dos transportes públicos começou há dois meses, e o lote 5 que integra Oliveira de Azeméis juntamente com Santa Maria da Feira, Arouca, São João da Madeira e Vale de Cambra, tem tido vários problemas. A população tem demonstrado diariamente o seu descontentamento nas redes sociais, e o autarca oliveirense sublinhou que o serviço tem sido pautado por “autocarros velhos, supressão de horários e centenas de pessoas nas paragens sem solução”.
O presidente da AMP, Eduardo Vítor Rodrigues, que também assume a liderança da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, sublinhou que o “lote 5 está com problemas porque o operador não está a ter capacidade de arranque como os demais”.
Município e AMP com argumentos opostos
Para o presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis a solução para um bom arranque da nova rede de transportes passaria por manter as rotas anteriores. “É evidente que isto teria uma solução muito simples. Nada disto teria acontecido se a rede que iniciasse a operação, fosse exata e rigorosamente a anterior. O que esperamos é que a situação se resolva o mais rapidamente possível”, disse Joaquim Jorge na última reunião de executivo camarário do mês de janeiro.
O presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis também afirmou que a nova rede UNIR foi otimizada por técnicos da Área Metropolitana do Porto. “A Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis enviou toda a rede que existia na altura, e que era operada por transportadores privados, incluindo a rede de transportes escolares. Foi com base nessa rede que foi desenvolvido o procedimento concursal. Agora o que acontece é que os técnicos da AMP otimizaram essa rede, alteraram percursos, horários e isso gerou toda esta instabilidade que se está a verificar”, afirmou o edil oliveirense em reunião executivo camarário no final do mês de janeiro.
E continuou: “Aquilo que foi enviado em termos de rede, era a que rede que servia os interesses das populações das freguesias, portanto foi uma rede que foi trabalhada, consolidada e resultou de muitas sugestões, de muitos pedidos das juntas de freguesia, e da população”.
“Portanto, tudo aquilo que estamos a viver hoje é resultado de alterações profundas a uma rede que foi afinada ao longo de muitos anos, compensada com o TUAZ, com novos percursos, mas neste momento somos confrontados com alterações que prejudicam aquilo que vinha sendo feito”, concluiu.
Por outro lado, o presidente da AMP, Eduardo Rodrigues, diz que o atual desenho da rede de transportes é da responsabilidade de cada um dos municípios.
“É preciso não esquecer que a Unir teve um caderno de encargos que foi desenhado e montado pelos municípios que só ainda não está totalmente no terreno por falta de capacidade em termos de número de motoristas e de autocarros das empresas que venceram o concurso”, disse Eduardo Rodrigues aos jornalistas após a reunião da AMP em que foi discutido o ponto de situação da rede UNIR.
Dizendo estar “orgulhoso da revolução que está a acontecer no transporte público rodoviário na Área Metropolitana do Porto”, o presidente da AMP entende que é necessário incidir nos lotes onde as coisas estão a correr menos bem. Há lotes que não têm registado problemas, tal como Matosinhos, e outros onde os problemas são pontuais e vão sendo corrigidos, sublinhou Eduardo Vítor Rodrigues.
Município já gastou mais de 23 mil euros
A Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis alugou, em dezembro de 2023, cinco autocarros para assegurar rotas que não estavam previstas no primeiro mapa apresentado pela nova rede de transportes UNIR.
“Como forma de mitigação dos impactos negativos decorrentes da entrada em vigor da operação, a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis está a recorrer ao aluguer de cinco autocarros para assegurar percursos e linhas não previstas na rede UNIR, nomeadamente os que impactam no transporte escolar”, explicou na altura o executivo camarário.
A primeira fatura paga pelo município oliveirense para suprir a oferta deficitária da nova rede UNIR teve o valor de mais de 23 mil euros. Consultando o portal Base, pode-se verificar um contrato assinado entre o município de Oliveira de Azeméis e a empresa Turismo Unipessoal, Lda, com sede em Ribeira de Fráguas, concelho de Albergaria-a-Velha, publicado no dia 30 de janeiro de 2024, para a prestação de serviços de transportes de passageiros em carreiras públicas.
O valor em causa será pago mais tarde pela Associação Metropolitana do Porto, garante o executivo camarário, que já revelou que enviará a fatura quando o processo de novas rotas e horários do lote 5 estiver concluído.

Os técnicos da AMP otimizaram essa rede, alteraram percursos, horários e isso gerou toda esta instabilidade que se está a verificar
Joaquim Jorge, presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis

É preciso não esquecer que a Unir teve um caderno de encargos que foi desenhado e montado pelos municípios
Eduardo Vítor Rodrigues, presidente AMP
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Maior exigência a partir de fevereiro
Eduardo Vítor Rodrigues garantiu que a neste mês de fevereiro (dois meses depois do arranque da nova rede de transportes), a AMP aumentou a exigência aos operadores da Unir, nova rede de autocarros da região, para cumprirem o estabelecido.“Neste momento, acho que estão estabilizados os conhecimentos da realidade e as adaptações necessárias, portanto, agora temos que exigir de uma forma mais fortalecida ao operador porque é o operador que está no terreno a tratar da operação”, disse Eduardo Vítor Rodrigues aos jornalistas, no final da reunião do Conselho Metropolitano do Porto, reforçou que os operadores que ganharam os concursos têm de cumprir com aquilo com que se comprometeram, nomeadamente a instalação dos validadores (um universo de cerca de 700 autocarros há ainda perto de 100 deles sem validador).
