André Sousa ganhou notoriedade nacional após uma volta ao mundo numa minimoto que terminou em março de 2023 ao fim de mil dias e 75 mil quilómetros. No início deste ano lançou o livro onde reuniu todas as memórias. Chama-se “Volta ao Mundo Numa Minimoto”. E o jovem piloto oliveirense prepara-se para reunir mais memórias. Pouco mais de dez meses depois do final da primeira grande aventura, já tem agendada a partida para a sua segunda volta ao mundo, mas desta vez com contornos diferentes. Logo a começar pela moto. Desta vez irá num modelo mais robusto: a Honda África Twin. A única semelhança é a falta de apoio da autarquia de Oliveira de Azeméis. E não foi por falta de tentativa.
“O meu maior orgulho seria poder sair do meu município”, confessa o piloto oliveirense ao azeméis.net. Mas não vai acontecer. O próximo desafio vai ser do Polo Sul ao Polo Norte, e tem partida agendada para o dia 27 de janeiro… em Barcelos.
A primeira grande experiência do piloto oliveirense teve cobertura mediática desde o primeiro momento, e nem com este facto o município de Oliveira de Azeméis abordou o assunto de forma diferente.
“Quando estava a preparar a minha primeira viagem nunca recebi uma resposta. Nem sequer pedi um valor específico. Não tive qualquer retorno”, recorda. “Desta vez solicitei uma reunião no início de setembro do ano passado a solicitar uma reunião. Recebi uma mensagem no início de outubro a comunicar que iriam passar o assunto a alguém responsável, e que se tivessem interesse voltariam a contactar”, revela.
A realidade demonstra que não houve qualquer interesse do município a juntar-se a este evento.
Novo aventura, maior orçamento
A segunda volta ao mundo do piloto oliveirense terá um orçamento maior do que a primeira. “A moto Africa Twin consome três vezes mais do que a minimoto, e o custo do seu transporte também é muito mais caro”, explica.
Há duas empresas oliveirense que se voltam a juntar a André Sousa: a Cheto e a Loba. Esta última ficará responsável pelo tratamento do conteúdo que será partilhado pelo piloto durante a sua experiência. “Vamos apostar numa maior partilha de conteúdo sobre esta viagem no Youtube”, antecipa.
Mas a essência da experiência será a mesma. André Sousa voltará a fazer refeições com os locais, e procura apoio na dormida. Só procurará hotéis quando estiver em zonas com temperaturas bastante negativas. A primeira etapa será de 50 mil quilómetros. O primeiro destino é a Alemanha ou o Reino Unido, para que a mota será enviada para o Chile para depois se direcionar ao Alasca.
“Vamos apostar numa maior partilha de conteúdo sobre esta segunda viagem no Youtube”
André Sousa
O livro de memórias
André Sousa tinha apenas 24 anos quando decidiu ser a primeira pessoa a dar a volta ao mundo numa minimoto. Partiu de Portugal a 12 de julho de 2020, e ao longo de três anos, passou por 54 países, esteve em todos os continentes e viveu as experiências únicas que relata no livro “Volta ao Mundo Numa Minimoto”.
Aconteceu-lhe de tudo um pouco. Foi preso no México, raptado no Nepal, hospitalizado na Califórnia e apanhado desprevenido pelo terramoto na Turquia que dizimou milhares de pessoas. Partilhou tudo o que viu, no papel de repórter, para a CNN e TVI. Esteve em abertura de vários jornais de horário de nobre durante seis dias.
Ao fim de mil dias seguidos de peripécias, com 80 mil quilómetros percorridos pelas estradas e atalhos de meia centena de países, regressou a casa com o sonho tornado realidade. Relato de uma verdadeira epopeia, este é também um testemunho inspirador de um certo espírito de aventura tipicamente português, em que a perseverança e o desembaraço perante os maiores entraves são virtudes fundamentais. Um livro feito de superação e humor que nos recorda a importância de sorrir e acreditar.

