O futuro da Linha do Vale do Vouga tem vindo a ser discutido durante o último mês em vários fóruns, nomeadamente em Santa Maria da Feira e São João da Madeira. A Associação de Municípios das Terras de Santa Maria promoveu a conferência de “A Linha do Vouga – Que Futuro?” no Europarque, em Santa Maria da Feira, no início do mês de fevereiro, com um quadro de especialistas na área da ferrovia, entre eles Nuno Freitas, ex-presidente da CP.
O especialista em transportes e vias de comunicação, natural de São João da Madeira defende a manutenção da linha métrica. “As pessoas não andam de bitola, andam de comboio”, diz e defendo que com os 120 milhões de euros previstos pelo Governo para a requalificação da Linha do Vouga, mantendo a atual bitola métrica, “permitirá criar um sistema de mobilidade de classe mundial”.
Para Nuno Freitas os concelhos abrangidos pela Linha do Vouga poderão ter “um metro de superfície bem integrado nas zonas urbanas, mas ainda não sabem”. O ex-presidente da CP que trabalhou neste processo enquanto este no cargo máximo da empresa, mostrou-se contra a mudança de bitola essencialmente por uma questão de custos, mas também por todas as consequências desta decisão nos concelhos que pelos quais passa a Linha do Vouga. “Podem depois chamarem-me o que quiserem, mas mudar da bitola métrica para a bitola métrica custará 10 milhões de euros por quilómetro. Não custará menos do que isso”, afirmou. Feitas as contas apresentadas por Nuno Freitas, a mudança da bitola métrica para a bitola métrica implicará um investimento de cerca de 300 milhões para os 30 quilómetros que separam Oliveira de Azeméis de Espinho.

