Mário Augusto, o mais reputado jornalista de sétima arte em Portugal, foi o último convidado do ciclo de conversas promovido pelo Rotary Club de Oliveira de Azeméis – esteve na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro na quarta-feira, dia 7 de fevereiro. O título de apresentação para a conversa foi “De Ossela ao Havai: Histórias dos Portugueses Pelo Mundo”, e durante mais de duas horas falou sobre o seu livro “Mandem Saudades”, que tem Havai como um dos panos de fundo, mas também de Ferreira de Castro, nascido e criado em Ossela.
O jornalista da RTP confessou ser fascinado pela forma como Ferreira de Castro dava vida aos personagens das suas obras, e não tem dúvida alguma de que a vida daquele que é o maior escritor nascido no concelho de Oliveira de Azeméis merecia ser retratado em documentário. “Na verdade se eu fosse alguém na América a fazer história, ou se tivesse os meios que eles têm, a história de Ferreira de Castro, e o seu trajeto,
dava um docudrama verdadeira brutal, que eu saiba nunca se fez à séria”, afirmou.
Durante a conversa, Mário Augusto evidenciou perante uma plateia bem composta que “o toque neo-realista de Ferreira mistura muito bem o que admiro em alguns escritores, que é a capacidade de contar uma história que nos parece muito bem real, às vezes é, e que mistura ali um repórter com um contador de histórias”, afirmou.
E continuou: “Ferreira de Castro tem essa arte. Por exemplo, quando lemos os imigrantes conseguimos imaginar. Em A Selva as pessoas são reais. São vivências que ele absorveu, e depois, a pretexto da ficção, ele levou para onde quis levar. E isso é que faz diferença. Alguns do neo-realismo tem essa mágica depende mais para descrição do que para a ficção, e ele tem o equilíbrio perfeito”.
Mário Augusto presta também a sua vénia pela forma como Ferreira de Castro viveu. “A volta ao mundo que ele fez… Ele sabe que o mundo está em guerra quando estava a meio do Oceano Pacífico. Uma coisa que é fascinante. Disseram-me há muitos anos: nunca se esqueça a vida faz de nós o que quer. Trate-a bem que ela não nos deixa ficar mal. Como é possivel um miúdo que vai daqui para fora, na idade em que ele vai, com as privações que tem, e faz a vida que fez. É alguém que esteve sempre de bem com a vida apesar das dificuldades, do sofrimento e da aflição. O que se nota nas obras de Ferreiras de Castro é o sentido de querer de algumas personagens que tocam a realidade dele próprio, e das pessoas que ele conheceu. E isso fascina-me imenso”, considerou.


