Quem é e o que pensa Ricardo Campelo Magalhães, o oliveirense que integra as listas da Iniciativa Liberal

É natural de Ponte de Lima, e mudou-se para Oliveira de Azeméis em 2018 por amor. Antes de pertencer ao Iniciativa Liberal, passou pelo PSD Porto. Nesta entrevista dá a sua visão dos problemas do concelho, e apresenta soluções.

0

Este conteúdo é apenas para assinantes

Assine por favor o Azeméis.Net para poder ter acesso a este conteúdo conteúdo.

Ricardo Campelo de Magalhães, de 41 anos, o segundo candidato da lista do Iniciativa Liberal pelo círculo eleitoral de Aveiro candidata às próximas eleições legislativas, é licenciado em Economia pela Faculdade de Economia do Porto, tendo posteriormente realizado o Mestrado em Economia e Gestão Internacional na mesma faculdade. Natural de Ponte de Lima, onde viveu até aos 18 anos, mudou-se para o Porto quando entrou na faculdade, integrou a estrutura do PSD Porto, e saiu do partido por causa de Rio. Em 2018 escolheu Oliveira de Azeméis por amor, e porque acredita que é uma boa cidade para criar uma família. Tem o objetivo de implementar a longo prazo o partido Iniciativa Liberal no concelho.

Publicidade

|É natural de Ponte de Lima, estudou no Porto, e mudou-se para Oliveira de Azeméis recentemente. Porquê?

Em 2018 vim viver para Oliveira de Azeméis, por amor (a minha esposa é de Oliveira de Azeméis) e porque acredito que é uma boa cidade para criar uma família.

|Qual a sua experiência política?

Desde muito jovem que sempre manifestei algum interesse na política, e esse foi aliás um dos critérios para entrar num curso como o de Economia, onde no 5º ano fiz a disciplina de Ciência Política como cadeira opcional. Durante o meu curso, em 2001, convidaram-me a entrar na JSD, onde cheguei a ser secretário do núcleo de Canidelo (Vila Nova de Gaia), mas onde o meu interesse pela política diminuiu devido ao choque entre o meu idealismo de jovem e a Real Politik de Vila Nova de Gaia.

Em 2008 a campanha presidencial americana voltou a acender o meu interesse pela política, sobretudo com a campanha de Ron Paul, que me levou a descobrir na internet o Instituto Mises, o Instituto Acton e a FEE – Foundation for Economic Education. Nesta fase, em 2009 e 2010 fui às 3 formações políticas organizada pelo eurodeputado Carlos Coelho – Universidade de Verão, Universidade de Poder Local e Universidade da Europa – e participei em muitas actividades para jovens: 10º Curso de Defesa para Jovens em Almada, Liberty Seminar 2009 do IREF em Leuven (Bélgica), Liberty Camp do Language Liberty Institute da Polónia como aluno, da Eslováquia como formador e do Porto como organizador, 5º SIMOTAN em Lisboa e ainda a Mises University 2009 organizada pelo Instituto Mises em Auburn (Alabama, EUA).

Em 2010 fui então convidado a dar algumas conferências sobre Economia e Política pela JSD Porto, pelo que acabei por me aproximar do PSD Porto e acabei por nessa década participar ativamente no PSD Porto como membro do Gabinete de Estudos da concelhia, membro da distrital e membro de listas eleitas para a concelhia. Em 2011 fui convidado para o maior blog da direita em Portugal, O Insurgente (oinsurgente.org), onde durante a década seguinte escrevi mais de 1.000 artigos.

“eleição de Rui Rio e sobretudo a reeleição deste desiludiram-me profundamente com o partido”

Sempre fui um dos membros mais liberais do PSD Porto, mas a eleição de Rui Rio e sobretudo a reeleição deste desiludiram-me profundamente com o partido. Se Rui Rio tem aversão a ser de direita, e se os militantes o reelegem então talvez fosse eu que estivesse a mais num partido que se tinha afastado. As reuniões da concelhia provavam-no, sobretudo com os reiterados ataques ao “excesso de turismo” no Porto, algo que me deixava chocado. Assim, após a reeleição de Rui Rio decidi sair.

Como em finais de 2018 me tinha mudado para Oliveira de Azeméis para vir criar uma família, o mais natural foi entrar na Iniciativa Liberal pelo distrito que agora é o meu. A nacional (muitos deles meus colegas de blog n’O Insurgente) recomendaram-me o Cristiano Santos e eu depois de conhecê-lo simpatizei imediatamente com ele. E assim estou agora neste projecto a longo prazo de fortalecer a Iniciativa Liberal no concelho de Oliveira de Azeméis. Porquê? Porque representa a ideologia que faz falta no país e porque vejo nos que me rodeiam a mesma atitude que me levou a entrar na política em 2001 e sobretudo a reentrar em 2008.

“estou agora neste projecto a longo prazo de fortalecer a Iniciativa Liberal no concelho de Oliveira de Azeméis”

|Porque aceitou o desafio da Iniciativa Liberal em candidatar-se a estas legislativas.

Historicamente, o Estado tende a crescer aos poucos, lenta mas inexoravelmente, até depois ruir catastroficamente num curto espaço de tempo, para depois voltar a crescer até ruir novamente. É um processo que deriva da natureza humana e que faz com que a moral vigente flutue entre as duas faces da moral de Nietzsche: a moral do mestre na fase difícil após o ruir do sistema anterior e a moral do escravo na fase do fim da escassez, em que se acredita que há recursos para conceder direitos sociais crescentes.

Em termos concretos isto significa que a atualmente se desvaloriza a meritocracia, a propriedade privada e a igualdade de oportunidades e se valoriza o sentimentalismo, a inveja e a igualdade de resultados. O que necessariamente leva a uma economia mais débil e a um nível de vida muito inferior, com uma óbvia falta de recursos para remunerar o trabalho ou socorrer os mais necessitados – por mais redistributiva que seja uma sociedade, se não se gerarem recursos…

A Iniciativa Liberal representa o desejo de parar o crescimento do peso Estado e potenciar o crescimento do bolo de recursos. Todos aqueles que acreditam que o Estado está demasiado gordo e pesa muito nas suas vidas, são convidados a votar na Iniciativa Liberal. Todos os que acreditam que uma economia mais livre lhes poderá dar oportunidades para desenvolverem as suas capacidades e prosperar (ou pelo manter o que já conseguiram com o suor do seu trabalho), são convidados a votar na Iniciativa Liberal. Todos os que são guiados pela inveja do próximo, podem continuar a votar na esquerda ou neste novo centro.

Pessoalmente, aceitei o desafio da Iniciativa Liberal porque esta representa uma nova maneira de fazer política. Primeiro, porque as pessoas que estão comigo a nível nacional e a nível distrital são mais idealistas e me ajudam a voltar ao meu idealismo da juventude. Segundo, porque estes valores que aqui descrevi já estavam fora de moda e é com grande satisfação que vejo surgir um projecto que permite aos jovens (e aos portugueses em geral) voltarem a sonhar em terem um Estado mais pequeno e eficiente que lhes permita construírem os seus projetos de vida em liberdade.

|O candidato número um pelo círculo eleitoral de Aveiro do Iniciativa Liberal, Cristiano Santos, já disse que o partido poderia eleger um deputado. É esse o objetivo? 

O objectivo é ter mais votos do que tivemos há dois anos. Derrota naturalmente seria descer no número de votos no distrito.

Agora, a ambição é eleger o Cristiano Santos para o Parlamento. É perfeitamente possível com um pequeno esforço das pessoas do nosso distrito e as sondagens colocam esse sonho como possível.

“A ambição é eleger o Cristiano Santos para o Parlamento. É perfeitamente possível”

|Enquanto oliveirense, que propostas tem para Oliveira de Azeméis?

A primeira proposta é obviamente a carga fiscal: não só na redução dos impostos como sobretudo na sua simplificação. O edifício jurídico do direito fiscal é tão complexo que diferentes repartições de finanças dão muitas vezes respostas diferentes às mesmas questões! Urge uma simplificação do código e eu tentarei ajudar os empresários e os trabalhadores oliveirenses a cumprirem com mais facilidade as suas obrigações fiscais. Na redução de impostos gostaria de sublinhar a redução de IVA nos bens essenciais como a energia, a água, medicamentos e atos médicos.

O preço da água tem sido um tema quente em Oliveira de Azeméis. A Iniciativa Liberal concorda com todas as privatizações – afinal o árbitro não deve ser jogador! – mas acha que o Estado e a Câmara se têm abstido do papel de árbitro. As queixas de práticas abusivas devem ser investigadas e o grupo da Iniciativa Liberal na Assembleia da República estará inteiramente ao dispor para aperfeiçoar a legislação para impedir abusos como os que têm acontecido num serviço essencial como é a água.

“A Iniciativa Liberal concorda com todas as privatizações – afinal o árbitro não deve ser jogador! – mas acha que o Estado e a Câmara se têm abstido do papel de árbitro”

Na educação, terminar com o atual regime de contratação de professores, que em muito prejudica quer os professores jovens, quer os seus alunos. Os professores devem ser contratados localmente e valorizados na comunidade em que se inserem, reforçando o papel do professor na sociedade. Deve também ser dada muito mais autonomia às escolas para definir modelos de ensino alternativos, horários diferenciados, materiais de ensino próprios, os seus programas curriculares e os seus métodos de ensino; autonomia, também, na escolha e na gestão de recursos. Oliveira de Azeméis é um concelho jovem e a educação é uma das chaves do sucesso, sobretudo se adaptada às necessidades locais.

Na saúde, manter o hospital de Oliveira de Azeméis, evitando a concentração do CHEDV apenas no hospital São Sebastião. É um serviço importante para a comunidade, quer pelo seu serviço de urgência, quer pelo seu serviço de internamento do público mais próximo da comunidade. No setor privado, o foco será no reconhecimento do papel dos cuidadores informais e do seu estatuto, algo que transita da legislatura anterior e que faz muita falta em Oliveira de Azeméis, mais uma vez promovendo a proximidade dos cuidados de saúde às populações.

Na cultura, promover o mecenato: promover incentivos fiscais fortes aos mecenas privados, tão fortes por exemplo no desporto oliveirense. O foco deve ser também fomentar a procura. Não subsidiar a oferta, com atividades sem público, mas sim promover a procura, deixando que esta tenha liberdade de escolha; baixar o IVA para conteúdos culturais; promover o ensino e o acesso às artes em ambiente escolar.

O concelho de Oliveira de Azeméis é um concelho rico em associações: contam-se mais de 200 nas mais diversas tipologias – sobretudo IPSS, associações culturais, filantrópicas, industriais, comerciais e desportivas outra índole – que podem ser potenciadas para elevar o nível de desenvolvimento do concelho. Os muitos milhares de associados que delas fazem parte lutam no dia-a-dia para as manter à tona da água e merecem todo o apoio para os auxiliar nessa missão. O apoio aos mais necessitados não é só papel do estado mas também da sociedade civil e as associações são fundamentais nesta missão!

Sabendo que esta é uma eleição nacional, estas são algumas das propostas que terão um impacto direto na vida dos meus concidadãos oliveirenses.

5) Quais os problemas que são urgentes ser resolvidos no nosso concelho? 

Sendo natural de Ponte de Lima e sendo agora Oliveirense, é impossível resistir a comparar as duas terras e o que resulta melhor numa ou noutra.

Em Economia na cadeira de Economia Pública nós estudávamos a importância dos movimentos pendulares da população na definição de políticas públicas. Em Oliveira de Azeméis o que me deixa mais surpreendido é como tantos habitantes para ir ao shopping vão a São João da Madeira, para ir a actividades culturais vão à Feira, para ir passear vão a Arouca ou até para ir ao comércio tradicional vão a Vale de Cambra. Isto em Ponte de Lima não é assim, e em Oliveira de Azeméis também não precisa de ser assim.

Este problema exige um estudo com inquérito aos empresários locais, mas diversas questões podem ser desde já apontadas: falta de estacionamento, dificuldade de circulação automóvel, falta de polos de atração, falta de informação sobre os pontos interessantes que existem, e claro falta de envolvimento do tecido empresarial em eventos mobilizadores. Existem a Noite Branca e o Mercado à Moda Antiga, que são bons exemplos mas curtos para as necessidades do comércio local. Este é o principal problema e urgência no centro do concelho.

Nas freguesias eu destacaria o saneamento, que a actual Câmara Municipal tem vindo a fazer, mas que está ainda muito longe de estar resolvido. E claro mais uma vez a falta de informação sobre o que de interessante se faz no concelho. O leitor sabia que o ponto mais a sul da região dos Vinhos Verdes é em Ossela? Quem já foi beber uma cerveja na fábrica de cervejas Vadia? Quem já almoçou num restaurante que foi o primeiro projecto de uma sala com chão rotativo como tem o Restaurante Giratório? Quantos conhecem o Museu Berço Vidreiro, os Passadiços de Palmaz junto ao Hotel Vale do Rio (“Margens do Caima”), o Parque Urbano Cavaleiros em Santiago de Riba-Ul, o Miradouro das Sete Cidades e a Praia Fluvial Pedregulhal de Ossela? Pois.

Oliveira tem um sector industrial forte, mas falha depois em serviços e qualidade de vida. Urge resolver essa situação para que os Oliveirenses tenham tanto orgulho na sua terra como os Limianos, porque isso leva a dinheiro no bolso e sorriso no rosto. O potencial está lá. É preciso apenas potenciar a sociedade civil para que ela possa ser aproveitado e Oliveira de Azeméis seja a melhor versão de si própria.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui