Segunda-feira, 3 de Outubro de 2022
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O papel da comédia nas nossas vidas

A opinião de Miguel Portela.

Assistimos muito recentemente ao desagrado de uma figura pública relativamente à atuação de um comediante. O facto que nos deve preocupar, será a facilidade com que a comédia permite comentar tudo o que nos rodeia, de forma despreocupada e ligeira. A desculpa que uma afirmação seria uma brincadeira, para promover a descontração de toda uma plateia, não pode nem deve ser um chapéu de aba tão larga que dê cobertura a tudo.

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 Como tudo na vida, deve existir um limite para tudo o que fazemos e termos barreiras bem definidas, para que as nossas atitudes respeitem uma sã convivência em sociedade. Tudo o que fazemos afeta de forma direta, ou indireta, tudo o que nos rodeia gerando reações e juízos de valor sobre tudo o que vai acontecendo.

A comédia só pode ser saudável quando todos os que estão envolvidos na mesma, estão confortáveis com o resultado dessa atuação. Repetidamente são ultrapassados os limites do bom senso, na procura de maior impacto naquilo que se produz perante uma audiência. Nestes casos muita coisa pode acontecer, desde o desconforto e algum sofrimento do visado, até atos irrefletidos por parte dos visados ou daqueles que lhe são próximos. Os ventos de liberdade permitem-nos ultrapassar limites nunca antes foram atingidos, falando de tudo e de todos, e correndo o risco de muitas vezes falar com menos rigor e alguma leviandade. Praticamente não existe censura sobre o que se diz ou se faz, daí a importância de quem faz comédia perceber bem os limites do que faz e até onde pode, e deve, ir na sua procura de sucesso.

Eu serei, porventura, um dos grandes admiradores da (boa) comédia procurando que a mesma nos alivie o fardo de dias mais exigentes. Contudo, não podemos pretender que a melhoria do nosso estado de espírito seja conseguida á custa do desprezo ou da autoestima de alguém.  É possível fazer-se comédia de forma elevada, não colocando em causa a autoestima dos demais.

A comédia simples e brejeira, procura muitas vezes brincar com o quotidiano e com o calão, resultando em espetáculos de fácil assimilação e que são aceites pela maioria da população. A aplicação dos famosos “trocadilhos” resultam normalmente em cenas de comédia hilariantes e que tornam o humor mais rebuscado e que demonstra alguma elaboração na preparação dos espetáculos.

Todos temos direito a uma imagem reservada e a alguma privacidade pelo que o humorista deverá conseguir trabalhar sem apontar aspetos mais reservados da vida dos seus visados. De facto, nos dias que correm, será a comédia um dos incentivos para melhorar os nossos dias e nos ajudar a ultrapassar as dificuldades que nos vão surgindo. Daí a importância de preservar a comédia como forma de tornar a vida mais fácil, todos poderemos ser agentes da promoção da comédia que trabalha a nossa autoestima, sem prejudicar a imagem ou bem-estar de terceiros.

Despeço-me com amizade.

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