Natural de São Martinho da Gândara, no concelho de Oliveira de Azeméis, Olívia Pinho construiu um percurso marcado pela ciência, pelo ensino universitário e, mais recentemente, pela criação artística em cerâmica.
Professora Emérita da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, dedicou grande parte da sua vida profissional à investigação científica e à formação de várias gerações de estudantes. Depois da aposentação, encontrou no barro um novo território de descoberta, mantendo a curiosidade e o espírito de experimentação que sempre caracterizaram o seu percurso.
Nascida em São Martinho da Gândara e atualmente residente no Porto, Olívia Maria de Castro Pinho transporta para a cerâmica contemporânea o olhar atento de quem passou uma carreira a estudar estruturas, fenómenos e processos de transformação.
“O barro entrou na minha vida não como ornamento, mas como pergunta”, afirma a antiga docente. A frase resume uma prática artística que não representa uma rutura com a ciência, mas antes uma continuação do seu interesse pela matéria e pelo modo como esta se transforma.
Nas suas obras, o barro, os óxidos, os vidrados, o fogo e as diferentes atmosferas de cozedura participam num processo em que cada resultado é único. Em vez de procurar controlar totalmente a criação, Olívia Pinho valoriza o diálogo entre a intenção da artista e o acaso.
A natureza é uma das principais fontes de inspiração. Formações rochosas, organismos marinhos, superfícies minerais e estruturas vegetais refletem-se nas texturas, cores e volumes das peças, evocando paisagens situadas entre o mundo natural e a imaginação.
Entre as técnicas utilizadas encontram-se o Raku Nú e o Saggar, processos em que a combustão de materiais orgânicos, o contacto com minerais e as variações de temperatura produzem superfícies irrepetíveis.
Nos trabalhos mais recentes, a artista natural de São Martinho da Gândara, no concelho de Oliveira de Azeméis, tem explorado também a iluminação escultórica. Nestas peças, a luz integra a própria obra e permite revelar texturas, profundidades e transparências que não são visíveis de outra forma.
O momento de abrir o forno continua a ser uma das etapas mais marcantes do seu processo criativo. “É um momento de encanto, onde pode surgir o inesperado, por vezes verdadeiramente maravilhoso”, descreve.
Em 2026, Olívia Pinho inaugurou uma obra evocativa dos 50 anos da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. O mural assinala o legado da instituição e simboliza o encontro entre o seu percurso académico e a prática artística que desenvolve atualmente.
Da freguesia de São Martinho da Gândara para a vida académica no Porto, Olívia Pinho construiu um trajeto em que ciência e arte se aproximam. Na cerâmica, continua a investigar, agora através do fogo, da matéria e daquilo que não pode ser totalmente previsto.

