No painel “Posicionamento num Mundo em Mudança” protagonizado por Paulo Portas no primeiro dia do XI Congresso da Indústria de Moldes, o ex-vice-primeiro-ministro deu várias explicações, sustentado com factos, sobre a ascensão da China que ultrapassou os Estados Unidos da América em vários capítulos.
O orador enfatizou uma preocupação: a fragmentação da globalização. “É uma espécie de regionalização da globalização. A ideia de que devemos fazer negócios com os nossos aliados e não com os nossos clientes. Isto não é conveniente para a Europa. Primeiro porque muitas vezes os meus maiores competidores são os meus aliados. Segundo, porque perco oportunidades”, disse.
Paulo Portas aproveitou o embalo do raciocínio, referiu a realidade atual do Reino Unido “que acumularam os problemas que eles têm por terem saído da União Europeia, com os problemas que o mundo tem”. E deixou um aviso: “Quem estiver a pensar sair da não Europeia que olhe primeiro para o Reino Unido”.
Falando sobre a competitividade e o futuro económico, Paulo Portas sublinha que se vive numa “elevada imprevisibilidade no mundo internacional”. A par disso, as empresas da União Europeia têm mais uma desvantagem competitiva em relação a outros mercados.
“A União Europeia é ou não é demasiado reguladora? A União Europeia tributa demais o capital e o investimento”, diz.
E contactou ainda: “Quando está tudo bem, está tudo bem. Mas quando as coisas não correm da melhor forma, a Europa tende a culpar o mundo, mas, na verdade, nós criamos o nosso próprio déficit competitivo”.
Ainda sobre a imprevisibilidade internacional, o ex-vice-primeiro-ministro está assente em duas questões: quem vai ganhar guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e quando acabará.
Sobre a segunda questão, Paulo Portas afirma que “a guerra ainda vai durar mais tempo”. E explica: “Os EUA e a China vão obrigar à negociação, mas ainda estamos longe. A progressiva paridade das forças não é um incentivo à paz. Ambos os países estão à espera de chegar a uma mesa de negociações mais fortes.Sobre o vencedor da guerra, o antigo governante prefere dizer que “a Rússia não pode ganhar a guerra” isto porque “ninguém tenha dúvidas que se Putin vencer a Ucrânia, ele não pára. Avança pela União Europeia e pela NATO. Se vencer a Ucrânia, o alvo mais óbvio de Putin é a Polónia”, conclui.
