A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, encontrou em Oliveira de Azeméis, aquando da inauguração da primeira Unidade de Geriatria do SNS, a solução para a implementação do Centro de Responsabilidade Integrado (CRI) de Medicina Interna, com foco na geriatria, no país. O desafio foi lançado a Miguel Paiva, presidente do Conselho de Administração da ULS do Entre Douro e Vouga, e à equipa liderada de 12 profissionais, nova unidade coordenada por Gonçalo Sarmento.
Com soluções já praticamente estáveis na área de urgência, hospitalização domiciliária, e na saúde mental, era a Medicina Interna que está a causar maiores dores de cabeça à tutela.
“Estamos há muito tempo a patinar com questões sobre esta área. Questionamos se trabalhamos o serviço todo de Medicina Interna, ou apenas uma área específica do serviço”, confessou a ministra da Saúde.
Após ver a apresentação da Unidade de Geriatria no Hospital de Oliveira de Azeméis, Ana Paula Martins não ficou com dúvidas. “Esta é a maneira que temos para avançar. A verdade que já falamos várias vezes sobre isto uns com os outros, mas depois as coisas não acontecem. Acho que o núcleo de cristalização está aqui, por isso para quê adiar mais”, afirmou.
A governante recordou uma conversa mantida há poucos meses com uma delegação da Ordem dos Médicos sobre o assunto, mas sem qualquer fundo branco ou ideia clara sobre o caminho a percorrer. A solução apareceu depois de ter, em pouco minutos, visto a apresentação de um “projeto com um grande nível de diferenciação e de inovação”. Ana Paula Martins lançou um desafio para que a ULS EDV, e o Hospital de Oliveira de Azeméis, apresente, em breve uma proposta, que “contamine positivamente quatro ou cinco centros hospitalares de média dimensão, ou um outro de grande dimensão para a criação de CRI’s experimentais na Medicina Interna, e mais concretamente na área de geriatria”.
A ministra da Saúde deixou ainda a possibilidade de o projeto poder ser alargado de outras especialidades da Medicina Interna. “A minha avó sempre me disse para pedir a quem faz. E aquilo que estou a pedir é mais trabalho para esta equipa. Vamos avançar a partir deste projeto e criar uma rede robusta. Agora está nas vossas mãos. Eu trato da parte política e vocês tratam da parte clínica e assistencial. Acho que a partir daqui, se a Ordem dos Médicos também acarinhar, poderemos avançar”, afirmou Ana Paula Martins, que recebeu de imediato a resposta positiva ao desafio lançado por parte da direção da ULS do EDV e da equipa da Unidade de Geriatria do Hospital de Oliveira de Azeméis.
A verdade que já falamos várias vezes sobre isto uns com os outros, mas depois as coisas não acontecem. Acho que o núcleo de cristalização está aqui, por isso para quê adiar mais
ANA PAULA MARTINS, ministra da Saúde
Azeméis torna-se referência na longevidade
O Hospital de Oliveira de Azeméis torna-se assim de vital importância na investigação e no tratamento do doente idoso. “Isto está muito associado à longevidade. Nós vamos viver todos, espero, mais anos, e precisamos muito de envelhecer com qualidade. Não faz sentido que assim não seja”, afirma a Ministra da Saúde.
A importância da área da geriatria foi colocada em evidência por Ana Paula Martins. “Toda a gente sabe que é necessário tratarmos bem aqueles que construíram aquilo que somos hoje. Esta é também uma área cientifica extraordinariamente relevante, e que uma sociedade desenvolvida olha para a geriatria como uma área bastante diferenciada e sofisticada”, disse.
E acrescentou: “É neste âmbito, ao contrário do que muitas vezes pensamos, que muita inovação se produz, de novos outcomes que temos de medir, mas há também o desenvolvimento muita tecnologia no âmbito da robotização, da digitalização e da monitorização à distância que devemos de utilizar”.

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O que é um CRI?
Os Centros de Responsabilidade Integrados (CRI) são estruturas de gestão intermédia, dependentes dos conselhos de administração dos hospitais EPE (entidades públicas empresariais) que integram a rede SNS.
Estas estruturas são dotadas de autonomia funcional e técnica, mediante o estabelecimento de um compromisso de desempenho assistencial e económico-financeiro. Os profissionais que integram estes centros de responsabilidade poderão aceder a incentivos institucionais e financeiros diretamente relacionados com o desempenho alcançado.
A criação dos CRI constitui-se como um processo de reorganização interna para a prestação de cuidados, que pressupõe a apresentação de um projeto assistencial e a negociação dos seus termos com os conselhos de administração das unidades hospitalares onde se integram.
O modelo de regulamento está previsto na Portaria n.º 330/2017, de 31 de outubro, alterada pela Portaria n.º 71/2018, de 8 de março.

