Durante três dias, Pinheiro da Bemposta recuou simbolicamente até 1514. Cavaleiros, trovadores, mercadores, artesãos, danças, acampamentos e espetáculos ocuparam o centro histórico numa edição da Bemposta Manuelina que representou um investimento de cerca de 32 mil euros e voltou a envolver associações, grupos locais e milhares de visitantes.
As portas do burgo fecharam-se ao fim de três dias, mas ficaram as imagens de um centro histórico transformado. Entre 14 e 16 de agosto, Pinheiro da Bemposta voltou a vestir-se de outros tempos para receber mais uma edição da Bemposta Manuelina, uma recriação histórica que procura recuperar o ambiente do início do século XVI e a memória ligada ao foral manuelino de 1514.
Durante o fim de semana, as ruas em redor do Pelourinho receberam cavaleiros, trovadores, mercadores, artesãos e personagens de inspiração quinhentista. Houve música, dança, teatro itinerante, jogos, falcoaria, passeios a cavalo, demonstrações de ofícios, acampamentos temáticos e espetáculos de fogo. A programação distribuiu-se por diferentes espaços do centro histórico e uma das novidades desta edição foi a presença de um carrossel medieval.
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A quinta edição da Bemposta Manuelina representou um investimento de cerca de 32 mil euros. O valor tinha sido apresentado em junho pelo presidente da União das Freguesias de Pinheiro da Bemposta, Travanca e Palmaz, Rogério Ribeiro, durante uma sessão da Assembleia de Freguesia.
Na altura, o autarca indicou que os primeiros orçamentos apontavam para 31.590 euros, mantendo-se uma comparticipação de 50% por parte do Município de Oliveira de Azeméis, seguindo o modelo adotado em anos anteriores.
Rogério Ribeiro aproveitou ainda a discussão para defender um reforço do apoio municipal à iniciativa. O presidente da União de Freguesias considerou que a Bemposta Manuelina deveria ser mais valorizada pelo Município, por entender que se trata de um evento com características singulares no concelho e realizado num cenário igualmente diferenciador.
Três dias de animação no coração da Bemposta
As ruas em redor do Pelourinho, mercadores, artesãos e personagens de inspiração quinhentista ajudaram a construir o cenário. A animação não ficou concentrada apenas nos palcos Pelourinho e Repasto: percorreu também as ruas através de teatro itinerante, música e danças.
Uma das novidades desta edição foi o carrossel medieval, que se juntou a um conjunto de atividades permanentes que incluíram falcoaria, passeios a cavalo, jogos medievais e demonstrações de ofícios. Os acampamentos árabe e militar completaram a recriação, sendo que o espaço militar contou ainda com uma mostra de armas.
O próprio centro histórico voltou a desempenhar um papel essencial na identidade do evento. O Pelourinho e os antigos Paços do Concelho fazem parte de um núcleo onde permanecem marcas da antiga Bemposta e ajudam a transformar a zona histórica num cenário natural para a recriação.
Os cortejos régios estiveram entre os momentos de maior concentração de participantes ao longo dos três dias. O programa contou ainda com danças medievais e orientais, trovadores, duelos e espetáculos de fogo, com a participação de grupos de recriação e de coletividades locais.
A Bemposta Manuelina 2026 em imagens



















Associações deram vida às tabernas
A componente gastronómica voltou a envolver diretamente o movimento associativo. As tasquinhas instaladas no recinto foram exploradas por associações locais, permitindo às coletividades aproveitar os três dias de maior movimento para angariar receitas destinadas às respetivas atividades.
O evento terminou na noite de domingo, 16 de agosto. O último dia incluiu um Cortejo Régio e um torneio a cavalo e apeado, antes de a programação entrar pela noite. Um espetáculo de fogo antecedeu o “Arraial, Arraial, Viva El Rey de Portugal”, que encerrou a quinta viagem da Bemposta ao tempo de D. Manuel I.
No balanço feito após o evento, a organização destacou precisamente a memória deixada pelos três dias de recriação, entre cavaleiros, trovadores, danças, mercadores, artesãos e espetáculos, agradecendo a participação de visitantes, expositores, associações, grupos de animação, voluntários e colaboradores.
A Bemposta Manuelina fechou assim mais uma edição depois de voltar a transformar o centro histórico de Pinheiro da Bemposta num palco de recriação histórica, num evento que juntou milhares de visitantes.
A organização deixou também clara a intenção de continuidade: a Bemposta Manuelina despede-se “por agora”, com a promessa de que “a história continuará a ser escrita”.
