Domingo, 18 de Outubro de 2026
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Morreu o Padre Santiago: uma vida inteira dedicada a Palmaz, Travanca e a várias gerações de oliveirenses

> António Alves de Pinho Santiago tinha 88 anos. Foi pároco de Palmaz durante 55 anos, acumulou durante cerca de 26 anos a paróquia de Travanca e foi professor de Religião e Moral na Escola Bento Carqueja, onde marcou várias gerações de alunos.
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Faleceu, aos 88 anos, o Padre António Alves de Pinho Santiago, conhecido por todos simplesmente como Padre Santiago, sacerdote que durante mais de meio século esteve profundamente ligado às comunidades de Palmaz e Travanca, no concelho de Oliveira de Azeméis.

A sua morte deixa de luto duas comunidades onde acompanhou sucessivas gerações de famílias e onde se tornou muito mais do que uma presença religiosa. Ao longo de décadas, esteve ligado aos momentos mais importantes da vida de milhares de pessoas: batizados, catequese, primeiras comunhões, casamentos, funerais, mas também aos momentos de maior proximidade, aconselhamento e apoio às famílias.

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Foi essa dimensão humana que levou a Paróquia de Santa Marinha de Palmaz a recordá-lo, na hora da despedida, como alguém que foi “muito mais do que o nosso pároco”, destacando a presença constante do sacerdote na vida da comunidade e a forma como conhecia as famílias, as suas alegrias e também as suas dores.

Natural de Guisande, foi ordenado sacerdote em 1961

António Alves de Pinho Santiago nasceu a 14 de dezembro de 1937, em Guisande, no concelho de Santa Maria da Feira.

A sua formação religiosa passou pelos colégios de Ermesinde e Trancoso, seguindo depois para o Seminário de Vilar e para o Seminário Maior da Sé do Porto.

Foi ordenado sacerdote a 6 de agosto de 1961 e celebrou a sua Missa Nova em Guisande, a sua terra natal, a 15 de agosto do mesmo ano.

A primeira missão pastoral levou-o a Lourosa, onde permaneceu cerca de dois anos como coadjutor.

Seria, porém, em Oliveira de Azeméis que viria a desenvolver a parte mais longa e marcante da sua vida sacerdotal.

Chegou a Palmaz em 1963 e ficou 55 anos

A 30 de agosto de 1963, com apenas 25 anos, o Padre Santiago foi nomeado pároco de Santa Marinha de Palmaz.

O que poderia ter sido apenas mais uma etapa do seu percurso transformou-se numa ligação de uma vida inteira.

Durante 55 anos, o sacerdote esteve à frente da paróquia, atravessando diferentes épocas, mudanças sociais e várias gerações de habitantes da freguesia.

Ao longo desse período, viu crescer crianças que mais tarde se tornaram pais e avós. Batizou filhos e netos de famílias que conhecia há décadas, acompanhou jovens na catequese, celebrou matrimónios e esteve presente nos momentos de doença, sofrimento e perda.

A Paróquia de Palmaz recordou precisamente essa dimensão do percurso do sacerdote, evocando as muitas crianças que batizou, os jovens que acompanhou, os casamentos que celebrou, as famílias que confortou e as despedidas em que esteve ao lado daqueles que sofriam.

É nessa relação prolongada e próxima com as pessoas que se encontra uma parte essencial do legado do Padre Santiago.

Para muitos habitantes de Palmaz, não era apenas o sacerdote que presidia às celebrações religiosas. Era uma figura familiar, alguém que fazia parte da história da freguesia e da história pessoal de muitas famílias.

Travanca passou também a fazer parte da sua missão

Em 1993, depois de três décadas de serviço pastoral em Palmaz, o Padre Santiago passou também a assumir a responsabilidade pela paróquia de Travanca.

Manteve-se ligado às duas comunidades em simultâneo durante cerca de 26 anos, permanecendo à frente de Palmaz e Travanca até terminar as funções pastorais em 2018.

Também em Travanca, a sua presença passou a fazer parte do quotidiano da comunidade e da vida religiosa de sucessivas gerações.

A longa permanência nas duas freguesias fez do Padre Santiago uma das figuras religiosas mais reconhecidas no concelho de Oliveira de Azeméis nas últimas décadas.

Professor na Escola Bento Carqueja

A ligação do Padre Santiago às novas gerações não se ficou pela catequese ou pela atividade paroquial.

Foi também professor de Religião e Moral na Escola Bento Carqueja, em Oliveira de Azeméis, onde contactou com várias gerações de alunos.

Muitos guardaram dele não apenas as memórias das aulas, mas também as conversas, os conselhos e a forma próxima e simples como se relacionava com os jovens.

Entre os antigos alunos encontra-se Hermínio Loureiro, ex-presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, que, na sequência da morte do sacerdote, recordou o antigo professor com particular emoção.

“Foi também meu professor, e guardo dele muito mais do que as lições da sala de aula. Guardo os ensinamentos para a vida, as conversas, os conselhos e, sobretudo, a forma simples e desinteressada como sempre soube estar com os outros”, escreveu.

O antigo autarca definiu-o como uma referência, “uma daquelas pessoas que, sem procurar protagonismo, deixam uma marca profunda e indelével na vida de quem teve o privilégio de com elas se cruzar”.

E resumiu o que o Padre Santiago representou para muitos daqueles que o conheceram: “Foi meu professor. Foi nosso professor. Foi Pároco. Foi amigo. Foi, acima de tudo, um homem que dedicou a sua vida aos outros.”

Hermínio Loureiro recordou ainda uma memória particular da sua família. Foi o Padre Santiago quem acolheu a sua mãe quando, ainda jovem professora, chegou à freguesia de Palmaz para iniciar a carreira profissional.

“Nunca nos esqueceremos da simpatia no acolhimento de quem vinha de fora para iniciar a carreira profissional”, sublinhou.

É uma memória familiar, mas também um exemplo da forma como o sacerdote era lembrado: pela proximidade, pelo acolhimento e pela disponibilidade para quem chegava ou precisava de ajuda.

Meio século de sacerdócio celebrado em 2011

Em 2011, o Padre Santiago celebrou 50 anos de sacerdócio.

As bodas de ouro sacerdotais foram assinaladas em Guisande, a terra onde nascera e onde celebrara a sua primeira missa meio século antes.

Naquela altura, continuava ainda plenamente ligado às comunidades de Palmaz e Travanca.

O fim da sua longa missão pastoral ocorreria apenas em 2018.

Nesse ano, depois de 55 anos à frente da paróquia de Palmaz e de cerca de 26 anos também ligado a Travanca, o Padre Santiago deixou as funções pastorais.

A despedida foi assinalada pela comunidade de Palmaz, que homenageou um sacerdote cuja presença se confundia já com a própria história recente da freguesia.

Depois da retirada da vida pastoral ativa, regressou à casa da família, no lugar das Quintães, em Guisande.

Uma presença constante na vida das famílias

É difícil traduzir apenas através de datas aquilo que representaram mais de cinco décadas de proximidade com uma comunidade.

O Padre Santiago esteve presente em momentos que, para muitas famílias, se tornaram memórias para toda a vida.

Foi o sacerdote que batizou crianças, acompanhou jovens, celebrou matrimónios e presidiu às despedidas de familiares e amigos. Foi professor. Foi conselheiro. Foi alguém a quem muitas pessoas recorriam para uma conversa ou uma palavra.

A mensagem divulgada pela Paróquia de Santa Marinha de Palmaz depois da sua morte espelha essa ligação.

Ao recordar o Padre Santiago, a comunidade destacou precisamente a forma como esteve presente nos momentos mais importantes, conheceu as famílias e partilhou as alegrias e as dificuldades de várias gerações.

A homenagem termina com uma certeza simples e carregada de significado: a de que, depois de tantos anos a caminhar ao lado da comunidade, não será esquecido.

Última despedida em Guisande

As cerimónias fúnebres decorreram na terra natal do sacerdote.

O velório realizou-se na Igreja Matriz de Guisande, no domingo, 13 de setembro de 2026, a partir das 11h00.

A celebração das exéquias teve lugar no mesmo dia, às 14h30, seguindo depois o cortejo fúnebre para o cemitério de Guisande, onde o Padre António Alves de Pinho Santiago foi sepultado.

A última despedida aconteceu, assim, na mesma terra onde nascera e onde, em agosto de 1961, celebrara a sua Missa Nova.

Um legado que fica em Palmaz e Travanca

Com a morte do Padre Santiago termina um percurso de mais de seis décadas de sacerdócio, mas permanece uma presença muito forte na memória das comunidades que serviu.

Em Palmaz, ficam 55 anos de uma ligação difícil de separar da própria história contemporânea da freguesia.

Em Travanca, ficam mais de duas décadas de acompanhamento pastoral.

Na Escola Bento Carqueja, ficam as recordações de várias gerações de alunos que passaram pelas suas aulas.

E em muitas famílias ficam memórias pessoais: uma conversa, um conselho, uma celebração, um momento de acolhimento ou simplesmente a certeza de que, durante muitos anos, havia alguém disponível para estar presente.

É esse, talvez, o maior legado do Padre Santiago.

Uma vida construída não à procura de protagonismo, mas na proximidade com as pessoas; não apenas nos grandes momentos, mas também nos pequenos gestos do quotidiano.

Palmaz e Travanca despedem-se de um pároco, Oliveira de Azeméis de um antigo professor e muitas famílias de alguém que fez parte das suas vidas durante várias gerações.

Fica a memória de um sacerdote que dedicou grande parte da sua vida aos outros e que permanecerá ligado à história das comunidades que serviu.

Azemeis.net
Author: Azemeis.net

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Uma resposta

  1. Lamento imenso a morte do nosso Padre Santiago. Tive o privilégio de conviver com o Sr. Padre Santiago na Escola Preparatória Bento Carqueja em Oliveira de Azeméis e como catequista na Paróquia da Igreja de Palmaz. Endereço à família e amigos, as mais sinceras condolências.

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