Tradição vidreira candidata a património cultural da UNESCO

O presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge, está confiante na vitória desye desafio. "Espero que seja uma candidatura vencedora", diz.

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O município de Oliveira de Azeméis candidatou a Património Cultural Imaterial da Unesco a “Tradição Vidreira e a Evolução Industrial” de forma a preservar o passado de uma indústria que laborou no concelho entre os séculos XVI e XX.

O presidente da câmara, Joaquim Jorge Ferreira, afirmou que o primeiro passo para este processo já foi dado com a inscrição da história e cultura do vidro no inventário nacional do património cultural imaterial da Direção Geral do Património Cultural.

“Este é o passo que permitirá avançarmos com a candidatura”, explicou Joaquim Jorge Ferreira, sublinhando que o trabalho arrancou no início do 2018 com a criação de uma equipa multidisciplinar que efetuou recolha de informação e aprofundou as origens da indústria do vidro.

“O vidro é uma marca identitária do concelho e esta memória coletiva é fundamental enquanto legado histórico que queremos deixar às gerações vindouras e como elemento de afirmação e notoriedade da nossa indústria e da nossa realidade sócio cultural e económica”, sublinhou.

“O objetivo da candidatura é salvaguardar o legado que nos foi deixado e a importância que essa indústria teve no concelho e na formação da sua identidade”, disse.

O presidente considerou o processo difícil e moroso mas garantiu existir “grande determinação para vermos reconhecida com sucesso a nossa pretensão que é preservar a cultura do vidro e uma tradição vidreira de quase cinco séculos”. Na reunião de executivo municipal da última semana de julho, Joaquim Jorge mostrou-se mesmo confiante de que Oliveira de Azeméis vai ganhar este desafio. “Espero que seja uma candidatura vencedora”, diz.

Desde que foi criada, a indústria do vidro prosperou no concelho ganhando uma dimensão ímpar e influenciando o aparecimento de outras indústrias como a dos moldes.

O autarca de Oliveira de Azeméis explicou que a intenção é recriar a história desta indústria desde a fábrica do Covo até às unidades industriais dos moldes recorrendo quer ao Centro Interpretativo do Vidro quer a outras respostas que sejam criadas, dando ao projeto uma dimensão turística.

Joaquim Jorge Ferreira recordou o alvará régio de 1528 que concedeu à fábrica do Covo, em Oliveira de Azeméis, o privilégio de ser a primeira unidade a produzir vidro em Portugal. A atividade vidreira prosseguiu com outras unidades, a última das quais o Centro Vidreiro do Norte de Portugal que chegou a empregar cerca de 800 funcionários.

“Não há ninguém, natural de Oliveira de Azeméis, que não tenha um familiar ou conhecido que não tenha trabalhado direta ou indiretamente na indústria vidreira do concelho, constituindo tal facto uma memória cultural única que importa preservar para as gerações futuras”, destacou Joaquim Jorge acerca da importância que esta indústria teve no passado e no orçamento das famílias oliveirenses.

O investigador e diretor da Escola Superior Aveiro-Norte da Universidade de Aveiro (ESAN/UA), Martinho Oliveira, destacou também a importância do vidro para Oliveira de Azeméis considerando este de “grande interesse histórico e cultural que importa salvaguardar”.

O investigador da Escola Superior Aveiro-Noirte da Universidade de Aveiro, Martinho Oliveira, com o presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge

“Não é por acaso que este concelho produz moldes e peças de plástico existindo uma razão para isso e ela remonta ao vidro”, disse o dirigente da ESAN/UA, entidade parceira neste projeto.

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