Rafael Gonçalves, de 24 anos, operário fabril, residente em Ossela, é o principal suspeito do grande incêndio de setembro de 2024. Recorreu a um isqueiro para provocar os três focos de incêndio na freguesia onde reside, todos com uma distância de um quilómetro entre si, que com a ajuda do vento, provocaram um incêndio incontrolável durante seis dias. Há testemunhas que garantem terem visto o presumível autor do incêndio a abandonar os três locais na sua motocross.
As chamas cercaram por completo a freguesia de Ossela, colocando em risco cerca de dois mil residentes, que se viram encurralados pelas chamas depois de as chamas se terem juntado a outras provenientes dos incêndios de Albergaria-a-Velha e Sever de Vouga.
A população de Ossela, e depois de Palmaz e Macinhata da Seixa e Pinheiro da Bemposta, não tiveram mãos a medir para defender as suas casas e terrenos.

Prisão preventiva
O suspeito de ter ateado um dos maiores cinco incêndios do ano no país ficou a conhecer, esta quinta-feira, dia 5 de dezembro, as medidas de coação aplicadas pelo Juízo de Instrução Criminal do Tribunal da Feira.
Rafael Gonçalves foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) na terça-feira, dia 3 de dezembro, na sequência de buscas domiciliárias. Ficará a aguardar em prisão preventiva até que, eventualmente, esta medida seja substituída por prisão domiciliária” com pulseira eletrónica.
O coordenador da secção de incêndios da PJ do Porto, Marco Oliveira, referiu, em conferência de imprensa, que não houve participação de terceiros no crime, nem resultou para o indivíduo “qualquer benefício financeiro, monetário ou social”.
De acordo com a investigação, o suspeito terá ateado o fogo com recurso a isqueiro, em vários pontos, não apresentando qualquer tipo motivação, como, por exemplo, financeira, para a autoria dos factos.
O detido terá circulado com uma moto à volta da localidade de Ossela, onde terá ateado três fogos que progrediram e criaram um único fogo, explicou Marco Oliveira.
Segundo uma nota da PJ, o incêndio, que teve início a 14 de setembro e foi dado como dominado a 20 de setembro, consumiu mais de 6 000 hectares de floresta e de mato, habitações e outros equipamentos e edificados, só no concelho de Oliveira de Azeméis.

