Tomo a palavra por escrito para falar de lavadouros públicos. O me leva a escrever hoje, é a falha na execução da totalidade dos fundos atribuídos pelo Portugal 2020 com o objetivo de requalificar os lavadouros públicos. De acordo com o Portal Mais Transparência, a Junta de Freguesia de Carregosa beneficiou de 65.480€ para requalificação de Lavadouros Públicos na nossa freguesia e, desse valor, executou 43,790€, ficando 21.690€ por aplicar.
Não me vou alongar na minha opinião sobre a requalificação, contudo devo dizer que, na minha perspetiva, o trabalho realizado não é, de todo, do meu agrado, por duas razões importantes. A primeira razão é relativa à operacionalidade de vários destes equipamentos, uma vez que, há tanques cujas adufas não estão em condições, impedindo o normal fluxo da água. Em segundo lugar, darei um exemplo: assim como eu acharia estranhíssimo se, eventualmente, um comerciante de farinhas para animais fosse o escolhido num concurso em que a entidade pública pretendesse comprar cimento, também acho estranhíssimo que alguém venha advogar que pretende preservar a valorizar património histórico, como são os lavadouros públicos, substituindo elementos de pedra por azulejos, descaracterizando a sua identidade.
Gostaria de deixar apenas uma pergunta que também é um convite para uma reflexão: Andamos sempre a ouvir a mesma ladaínha, de que não dinheiro, mas quando há, não existe capacidade de o executar, por isso, o que será mais grave: não ter dinheiro ou desperdiçá-lo por falta de capacidade?
Profissionalização da gestão de freguesias
Gostaria ainda falar de algo que, amiúde, já fui referindo, no decorrer da campanha eleitoral para as últimas eleições autárquicas: a necessidade brutal de profissionalização na gestão das freguesias, que assume proporções verdadeiramente importantes quando analisamos a ação deste executivo, no que concerne à gestão corrente da freguesia.
Em economia, o maior problema existente é a escassez, o que obriga quem administra dinheiro, especialmente quando este é público, a ter a capacidade de avaliar necessidades, analisar formas de satisfazer essas necessidades, cabimentar a despesa, de forma a perceber se existe disponibilidade para gerar essa despesa e, por fim, definir a que empresa ou prestador de serviço será adjudicado o contrato.
De forma extremamente simplista, é isto que um bom gestor público deve fazer, de forma a aumentar a eficiência do serviço à comunidade e a eficácia institucional que deve ser o grande alvo de prossecução de qualquer organismo político e público. O que não podemos admitir é que quem foi eleito para fazer esta gestão dos recursos da nossa freguesia seja negligente, ao ponto de desperdiçar recursos que são de todos nós como aconteceu há não muito tempo.

