O primeiro post de O Alfinete na rede social Facebook data de 15 de fevereiro de 2025. Trata-se da imagem de perfil desta página: uma ilustração do presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge, a gritar em cima de uma imagem dos Paços do Concelho. Está é uma página de sátira política sobre o concelho de Oliveira de Azeméis, criada em ano de eleições autárquicas, e instalada apenas na rede social de Marc Zuckerberg. Apresenta-se como uma página que irá colocar os oliveirenses “a rir a pensar sobre Oliveira de Azeméis”, que pode ser acompanhado aqui.
Em pouco mais de um mês, O Alfinete já deu… várias alfinetadas em cima de algumas decisões do atual executivo socialista do município oliveirense. O azeméis.net quis saber mais sobre este projeto de sátira política independente. Questionamos os autores sobre quem é, afinal, o Alfinete. Ficamos a saber que é um grupo que vive na cidade.
“Alfinete é… um alfinete! Picamos onde faz cócegas e onde incomoda, sem necessidade de identidade. Quanto à origem, digamos que respiramos o ar puro de Azeméis”, começa por revelar o grupo que criou esta página. E continuam: “O Alfinete é um pequeno objeto pontiagudo, discreto, mas eficaz. Na prática, uma página satírica inspirada no jornal do século XIX com o mesmo nome, agora reinventada para picar a atualidade local. Na verdade, gostávamos de saber mais sobre esse nosso antecessor, mas o presidente da Câmara esqueceu-se de pagar a licença do software e por isso não conseguimos consultar essas alfinetadas do final do século XIX”.
Nem de esquerda, nem de direita
Esta página de sátira social, garantem os autores, não se posicionas em nenhum espectro político. Nem à esquerda, nem à direita. São indenpendentes, e com um olhar crítico sobre a realidade de Oliveira de Azeméis.
“O Alfinete posiciona-se claramente… de lado, pronto a espetar tanto à direita como à esquerda. Felizmente ou infelizmente para eles, a esquerda é que está instalada no Largo da República. Preferimos a política da ironia e do bom senso, porque os extremos já se satirizam sozinhos”, afirmam.
E quais as suas motivações, questionamos. “Foi a necessidade de trazer um olhar crítico e mordaz sobre a realidade local. Acreditamos que o humor pode ser uma ferramenta poderosa para fazer pensar, e, já agora, para arrancar uns sorrisos entre um ou outro suspiro de indignação numa sociedade que, convenhamos, é muito crítica… mas só quando está sentada na esplanada do Gemini”, esclarecerem.
Autárquicas, um momento fértil para a sátira
O facto de surgirem em ano de eleições autárquicas não é inocente. “A verdade é que as eleições são um momento fértil para a sátira. Veja-se a quantidade de restaurador OLÉx que têm aplicado nas nossas estradas”, explicam.
Apesar da inauguração em ano eleitoral local, e de os autores colocarem este facto entre a “coincidência, destino ou um pressentimento bem afiado”, os autores colocam a possibilidade de continuar o seu trabalho para além das eleições autárquicas. “Gostávamos que O Alfinete tivesse vindo para ficar. E vamos ficar! Um mês, dois ou quem sabe consigamos bater o recorde do Alfinete anterior, que terá durado, vejam só, um ano inteirinho”, afirmam.
Crítica ao urbanismo fast food
Tendo em conta a quantidade de conteúdo já produzido, O Alfinete mostra ter um manancial criativo que não esgota. E os autores consideram que há matéria-prima suficiente para a produção de sátira regular.
“A produção de sátira depende da matéria-prima, e, felizmente, não nos parece que vá faltar. Todos os dias? Talvez não, até porque um alfinete usado em excesso perde o fio. Mas podem contar com picadas regulares, sempre que houver motivo para isso”, dizem.
E acrescentam que há oliveirense com vontade de colaborar: “Há mais conteúdo do que alfinetes numa retrosaria! Se há coisa que não falta são promessas, discursos e decisões dignas de um bom comentário satírico. E nós nem andamos assim tão atentos quanto isso. Já recebemos algumas ofertas de colaboração que estamos a analisar. Não podemos aceitar tudo o que aparece, senão às tantas isto vira um albergue espanhol”.
Há muitos aspectos que têm merecido o olhar afiado de O Alfinete. “Desde as obras intermináveis às inaugurações com pompa e circunstância, passando pelos discursos cheios de palavras e vazios de ação”, sublinham os autores
Mas o urbanismo tem sido um tema recorrente. “O urbanismo fast food que tem vindo a transformar a cidade: rápido, barato e muitas vezes sem grande valor nutricional para o futuro. Se ao menos houvesse um selo “gourmet” para distinguir o que realmente importa”, criticam.
A finalizar a conversa com o azeméis.net, os autores de O Alfinete deixam uma recomendação: “A quem se quiser divertir ainda mais do que a ler O Alfinete, nós recomendamos afincadamente a leitura das atas municipais. É um fartote! E, convenhamos, não há melhor espetáculo gratuito em Azeméis do que uma boa ata municipal. A única diferença é que aqui não há pipocas – mas há alfinetadas”.
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As alfinetadas



