Desde o dia 15 de janeiro que um conjunto de quase 40 jovens, entre os 15 e os 18 anos, ocupou o salão do antigo do antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis, um espaço emblemático da comunidade oliveirense, para aqui começarem desenvolver as suas criações artísticas. Fazem parte do projeto “Não Lugar”, promovido pelo município de Oliveira de Azeméis, que consubstancia a ação Capacita-te – Inclusão pela Arte, da Operação “Percursos com Sucesso, integrada no Plano de Ação das Operações Integradas do Território de Intervenção PAOITI – AMP Sul.
O “Não Lugar”, explica a organização, quer ser um local de encontro, e “nasce da necessidade de ouvir, de organizar vozes, palavras, vontades e desafios e despejá-los num lugar”. Com esta ação pretende-se intervir junto de jovens que não se identificam com as respostas formais existentes, estando muitas vezes em processo de auto-exclusão por desafinidade.
É através do acesso livre a propostas e práticas culturais que “todos os despojos, os restos, nãolugar-indivíduo, nãolugar-grupo, nãolugar-espaço” irão apontar para a sua transformação até ao final deste ano.
“Pretende-se desenvolver sentimentos de pertença à cidade e aos seus espaços, promovendo competências intelectuais e criativas essenciais, que são fatores de cidadania e instrumentos reflexivos e críticos”, explica a promotora da iniciativa.





Quartel é local estratégico
Ana Nunes, da Fábrica das Artes, está envolvida neste projeto. Será uma das guias nas várias ações interdisciplinares que liga fotografia, música, artes plásticas, cinema, que potenciando assim valores positivos, conhecimentos e significados, com o objetivo de desenvolver, através de um processo contínuo, participativo, a criação de identidade e coesão social.
O projeto foi apresentado à comunidade oliveirense no dia 8 de fevereiro naquela que será a casa destes jovens até ao dia 31 de dezembro, o antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis. Este é um local estratégico, bem no centro da cidade. Obrigará, vincou Brígida Ramos, da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Oliveira de Azeméis, parceira do município neste projeto, a que a comunidade se cruze com estes jovens e que desperte a curiosidade sobre o seu trabalho.
Sendo “casa” por cerca de um ano, os cerca de 40 jovens têm também limpado o pó e tornado funcional algumas zonas do equipamento que se encontra desativo há mais de uma década. O bar dos bombeiros e uma das casas de banho do salão do antigo quartel foram as duas áreas intencionadas.


Estratégia cultural
Para além da ideia de inclusão, o projeto Não Lugar acabará também por ajudar, a longo prazo, a estratégia cultural defendida por Ana de Jesus, vereadora da cultura no primeiro mandato do executivo socialista à frente da autarquia oliveirense. Trabalhar a comunidade para que houvesse uma aproximação e habituação à cultura.
Este é um projeto icónico
Inês Lamego, vereador CMOA
Estes jovens que vão gasta tempo para ganhar tempo e lugar, irão devolver à comunidade com a recriação de todos os conhecimentos que apreenderem até ao final do ano. Está tudo pronto para que nasça daqui um grupo com competências na área das artes que darão frutos no futuro.“Este é um projeto icónico”, diz Inês Lamego, vereadora da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis. “O município apoia este projeto porque acreditar nele. Todos nós já tivemos, ou iremos ter, alguém nesta situação. Espero que no final de tudo, seja um recomeço para outra coisa. Se o município conseguir que pelo menos um destes jovens conseguir encontrar o seu lugar, já valeu a pena”, afirmou a autarca.
