Terça-feira, 16 de Julho de 2024
Terça-feira, 16 de Julho de 2024

Carta aberta a um antigo Presidente da UD Oliveirense que não esteve presente no jantar de centenário do clube

> Carta enviada pelo leitor Carlos Cunha, de Oliveira de Azeméis.

Caro Jorge Oliveira e Silva,

Foi em vão que procurei nas inúmeras fotos e reportagens sobre o jantar/cerimónias das comemorações do centésimo aniversário da instituição União Desportiva Oliveirense (UDO) um sinal da tua presença em tal badalado evento.

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E como poderia eu obter uma evidência se não estiveste presente?
Terias estado doente ou ausente de Oliveira de Azeméis nesse dia? E a resposta foi negativa.
Por momentos pensei ainda que a organização tivesse sido da Sociedade Anónima Desportiva em que a língua dominante será o japonês. Também não poderia ser porquanto tal sociedade não cumpriu cem anos. A cerimónia foi mesmo da lavra da UDO.

Na vida da UDO todos os dias contam – ou deveriam contar – para a sua vida, para a sua história. Não apenas os últimos cinco ou dez anos.

Nos agora mais de trinta e seis mil e quinhentos dias já decorridos aconteceram alegrias e tristezas, criaram-se e desfizeram-se amizades, houve vitórias e derrotas. E crises, muitas. Vezes outras, pairou a iminência do fim da colectividade.

Cem anos decorridos na vida da UDO!

Foram milhares e milhares os protagonistas quer como atletas ou dirigentes, quer como colaboradores,  sócios ou adeptos.

E entre tais protagonistas estiveste tu, Jorge.

Na UDO foste Presidente da Direcção, Presidente da Mesa da Assembleia Geral, participaste activamente nas secções de hóquei em patins e basquetebol. Foste jogador do clube (integraste uma equipa de juniores que se destacou nesses tempos). Sem esquecer que colocaste ao serviço da agremiação as tuas competências como médico.

Contas feitas, foram mais de trinta anos que envergaste a camisola e empunhaste o estandarte do clube. Dito de outra maneira: estiveste presente, de forma activa e participativa, em mais dum terço dos cem anos da UDO. Não é coisa pouca e poucos oliveirenses te terão igualado ou superado.
Creio firmemente que então, como hoje, não procuravas honrarias nem visibilidade social na comunidade. Foi, decerto, o teu sentido de missão como oliveirense que te norteou. Assim o entendi e entendo.

Há alguns dias li a seguinte frase do Presidente da Liga de Clubes: “O futebol tem memória”.
Talvez sim. Talvez o futebol dos tempos de hoje, apodado de ‘indústria do futebol’ com o seu cortejo de prevalência de chorudos negócios e todo um cortejo de interesses nem sempre transparentes, tenha a ‘sua’ memória.

Mas se o ‘futebol tem memória’, e admitindo, naturalmente, falhas da mesma, os teus mais de trinta anos no seio da UDO é uma gritante (ou chocante) falta de memória que ditaram uma omissão ao não teres sido incluído no rol da extensa lista de convidados da centenária comemoração do clube UDO.
Gostaria de acreditar que tivesse sido uma ‘falta de lembrança’ ou ‘nem tudo lembra’. Talvez seja melhor acreditar que foi tudo isso do que que fazer conjecturas outras.

Esta carta já vai longa mas quero expressar duas breves notas mais. Uma, é que o teu avô, Ilídio Cardoso de Freitas, foi um dos oradores no jantar comemorativo do 1º aniversário da UDO. A outra é que o teu querido pai seria (sem certezas), à data do 100º aniversário do clube, o sócio efectivo mais antigo.
Aceita, em nome da amizade que nos liga desde a infância, um enorme abraço.

Carlos Cunha / Dezembro 2022

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6 respostas

  1. Se fosse anedota, todos se riam. Como o assunto é sério , são poucos os que “choram”
    Mas o Homem que viveu tantos anos colado à Oliveirense, sofrendo e se alegrando, ora com tristezas ora com alegrias, dando muito de si e do seu aconchego familiar, ainda vive e é merecedor de honra e louvor.
    Estranhos são estes tempos de indeferença, de esquecimento e falta de memória

    Haja bom senso e a solenidade da celebração de 100 anos exigia o convite e presença de quem tanto deu à coletividade, ainda que tivesse sido amarelo, negro, branco, arco-íris,etc.
    Pobre da coletividade que tão depressa esquece quem lhe prestou tantos serviços.

  2. Caros Oliveirenses.
    Foi com grande tristeza que constatei a ausência do Dr. Jorge no 100 aniversário da UDO. É um Oliveirense de sete costados com uma dedicação sem precedentes às Instituições concelhias tendo desempenhado os mais variados cargos. A dedicação autárquica e a defesa incondicional de Oliveira de Azeméis foi sempre a sua luta constante. Bem haja Dr. Jorge Freitas.

  3. Nascido e criado em Oliveira de Azemeis, sou adepto do clube União Desportiva Oliveirense (UDO), onde cheguei a fazer parte do seu futebol júnior desde 1957 a 1959. Embora resida fora da cidade desde há perto de 60 anos, jamais esqueci os “ups and downs” da vida do clube. Não só no futebol como então no hoquei em patins e, mais tarde, no basquetebol. Se tudo era então desporto amador, para os atletas e dirigentes, de todos era exigido o “amor à camisola” em todas as suas vertentes. Não posso esquecer muitos atletas que foram ídolos para os seus adeptos, assim como vários dirigentes que serviram o clube de forma altruísta, isenta de quaisquer vantagens pessoais. Dentre os quais eu nunca esqueci um gesto simples de um presidente que não teve qualquer hesitação de, durante uma interrupção temporária de um jogo no pavilhão “Salvador Machado”, agarrar numa esfregona e limpar o chão no local onde uns atletas tinham caído, embora esse trabalho pertencesse a um outro colaborador. Foi então que valorizei o trabalho exemplar desse dirigente, que não era nem mais nem menos que o Dr. Jorge Silva , o presidente do UDO ! Um verdadeiro exemplo ! Claro que esses eram “good old times”, ou seja, bons velhos tempos em que o amadorismo reinava em tudo o que era desporto na verdadeira acepção da palavra. Era bom ou mau para todas essas actividade chamadas desportiva, depende do ponto de vista de cada pessoa ou grupo. A verdade é que tudo isso se transformou em negócio duvidoso, muitas vezes catalogado de “lavagem de dinheiro” ou “branqueamento de capitais”, como tenho lido e ouvido ser proclamado por gente não identificada. Toda esta transformação orgânica tem evitado que vários clubes tenham desaparecido por incapacidade financeira, embora apenas reste o nome daquilo que era, antes, o orgulho das terras onde nasceram. É pena que, por via disso, os nomes daquelas pessoas que deram de si mesmas aos outros sem pensarem em si, tenham sido esquecidas pelas mesmas instituições que serviram ou deixaram de se interessar por elas devido a tudo que aconteceu. Mas, o que é apanágio dizer-se à medida que os novos acontecimentos se vão desenrolando, “é pena verificarmos que as pessoas com responsabilidades se esquecem com facilidade”…
    Para mim, o Dr. Jorge Silva permanece na minha memória como um dirigente a quem o União Desportiva Oliveirense (UDO) ficou a dever muito pelos seus préstimos ao clube !

  4. Ao dr Jorge, o Jorge amigo de juventude e ao dr. Carlos Cunha , amigo destes escola ,um abraço. A um pelo que fez pela UDO e a outro pelo que nos deu a conhecer. Não é de esperar outra coisa de mercenários que vendem tudo e que neste caso é o nosso Club
    João Carlos Ramalho

  5. Pois é possível que o futebol até tenha memória mas será nos nossos dias o mesmo sofrerá de “Parkinson”, ou terão os que o protagonizam memória curta?
    A obra fica e os homens passam
    Abraço ao Dr.

  6. Estou afastado da vida da cidade e do clube. Desconhecia esta situação. Como Oliveirense, nascido e criado na então vila e depois cidade, não posso deixar de ficar triste com tamanha ingratidão. É o que temos. …gente pequenina, sem carácter nem vergonha, nem personalidade.

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