Domingo, 18 de Outubro de 2026
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Um “hotel” para cães e gatos quer nascer em solo rural em Oliveira de Azeméis

> Projeto privado prevê alojamento temporário para animais de companhia e procura enquadramento urbanístico através do reconhecimento de interesse coletivo. O CHEGA levantou dúvidas sobre os critérios usados pela Câmara para atribuir esse estatuto
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Um hotel, mas sem turistas. Os futuros hóspedes serão cães e gatos e as estadias poderão durar o tempo de umas férias, de uma viagem de trabalho, de uma hospitalização ou de qualquer outra ausência temporária dos donos.

É este o conceito do Pet Hotel que se pretende instalar no concelho de Oliveira de Azeméis, um empreendimento privado pensado para o alojamento temporário e prestação de cuidados a animais de companhia.

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O projeto chegou à câmara por uma razão essencialmente urbanística: o terreno onde se pretende instalar encontra-se classificado como espaço rural, o que obriga a um enquadramento específico no Plano Diretor Municipal.

A solução encontrada passa pelo reconhecimento do empreendimento como tendo interesse coletivo ou comunitário.

Esse reconhecimento não transforma o projeto num equipamento público nem significa que a Câmara passe a ter qualquer responsabilidade pela sua exploração. Trata-se, antes, de admitir que uma iniciativa privada pode prestar um serviço relevante à comunidade e, por essa via, enquadrar-se numa das possibilidades previstas pelo regulamento do PDM para construções em espaço rural.

A proposta: uma resposta para quem não tem onde deixar os animais

A documentação apresentada ao município descreve uma estrutura vocacionada para o alojamento temporário de cães e gatos, com alimentação, higiene, acompanhamento, segurança e outros cuidados durante os períodos em que os proprietários não consigam assegurar essa assistência.

Entre as situações apontadas estão férias, deslocações profissionais, tratamentos médicos, hospitalizações e emergências familiares.

A promotora sustenta ainda que Oliveira de Azeméis não dispõe atualmente de uma estrutura dedicada especificamente a este tipo de alojamento temporário, o que obrigará muitos proprietários a procurar soluções fora do concelho ou a recorrer a alternativas particulares.

É essa alegada lacuna que serve de base a uma parte importante da fundamentação do projeto.

Na proposta municipal, é ainda referido que uma resposta deste género pode contribuir para a posse responsável, para o bem-estar animal e para a prevenção de situações de abandono ou de recurso a soluções sem condições adequadas.

A promotora associa igualmente o empreendimento à criação de emprego, à dinamização económica e ao eventual envolvimento de fornecedores, veterinários e outros profissionais da região.

Mais do que simples alojamento

O projeto não se limita a criar boxes onde os animais ficam instalados por alguns dias.

A documentação aponta para uma unidade com receção, alojamentos individuais, áreas exteriores de recreio, espaços verdes e instalações destinadas aos cuidados dos animais.

Está também prevista uma sala de grooming e tosquias, vocacionada para higiene e tratamento, além de uma área separada para gatos.

A ideia apresentada é a de criar uma estrutura especializada, com serviços complementares associados ao bem-estar dos animais e não apenas um espaço de permanência temporária.

O obstáculo está no uso do solo

O ponto central do processo está menos no conceito do negócio e mais no local onde se pretende concretizá-lo.

O terreno encontra-se em espaço rural e, segundo a proposta municipal, a atividade não pode ser enquadrada como turismo em espaço rural, já que não se destina ao alojamento de pessoas.

A alternativa passa, por isso, pelo reconhecimento do empreendimento como estrutura de interesse coletivo ou comunitário.

É esse reconhecimento que permite justificar o enquadramento da operação dentro das regras urbanísticas aplicáveis ao terreno.

Ainda assim, a própria proposta faz questão de traçar uma linha clara: reconhecer o interesse coletivo não é aprovar o Pet Hotel.

O processo continuará dependente da análise das condições de implantação, acessibilidades, estacionamento, ambiente, ruído, salubridade, segurança e proteção e bem-estar animal, entre outras exigências.

O documento é explícito ao referir que o reconhecimento “não constitui, por si só, decisão de aprovação da operação urbanística”.

CHEGA questiona critérios do reconhecimento

Foi neste ponto que o CHEGA introduziu uma segunda discussão no Executivo.

O vereador Manuel Almeida questionou os critérios utilizados pela autarquia para reconhecer interesse coletivo ou comunitário a um projeto privado de exploração económica.

Na intervenção, começou por esclarecer que não estava em causa o licenciamento direto do empreendimento nem qualquer apoio financeiro municipal.

O foco estava apenas no reconhecimento formal do interesse do projeto para a comunidade.

O CHEGA admitiu que uma estrutura desta natureza pode ter utilidade para a população e contribuir para o bem-estar animal, mas levantou dúvidas sobre a forma como o Município chega à conclusão de que essa utilidade é suficiente para justificar um reconhecimento específico.

Entre as perguntas colocadas esteve a existência de dados objetivos que demonstrem uma necessidade concreta deste serviço no concelho.

O vereador quis saber se a Câmara dispõe de algum levantamento das respostas semelhantes já existentes em Oliveira de Azeméis e se há informação que permita concluir que existe efetivamente uma falta de oferta.

A questão é relevante porque a inexistência de uma estrutura deste tipo no concelho surge como um dos principais argumentos apresentados pela requerente e acolhidos na fundamentação da proposta.

O CHEGA defendeu, por isso, que reconhecimentos desta natureza devem assentar em critérios claros, objetivos e aplicados de forma coerente a diferentes investimentos privados.

Na resposta, o presidente da Câmara explicou que este tipo de reconhecimento está ligado à localização do empreendimento e às regras de utilização do solo e não significa que o projeto fique automaticamente licenciado.

Segundo a explicação dada na reunião, a avaliação municipal pode ter em consideração fatores como o investimento previsto, o impacto na economia local, a criação de emprego, a importância da atividade para o território, o caráter inovador e a resposta prestada à comunidade.

No caso do Pet Hotel, o presidente apontou a utilidade de existir uma estrutura onde os proprietários possam deixar os animais durante férias ou outras ausências.

Ainda falta passar pela Assembleia Municipal

O processo não termina na Câmara. A proposta prevê a remessa da deliberação à Assembleia Municipal de Oliveira de Azeméis, devido ao regime de restrições de planeamento aplicável aos terrenos em causa.

Ou seja, o reconhecimento do interesse coletivo é apenas uma das etapas de um processo que ainda terá de cumprir outros requisitos antes de o empreendimento poder avançar.

A localização exata ainda não é conhecida

Há, contudo, um dado relevante que não consta da documentação a que o azeméis.net teve acesso: a localização concreta do Pet Hotel.

O documento refere apenas que o prédio onde se pretende instalar o empreendimento está integrado em espaço rural no concelho de Oliveira de Azeméis. Não são indicadas, nestas páginas, a freguesia, o lugar, a rua ou a identificação cadastral do terreno.

Também não é indicado o valor total do investimento nem o número exato de postos de trabalho previstos.

Para já, o que está em causa é perceber se o projeto consegue ultrapassar o primeiro grande obstáculo: o enquadramento de um negócio privado de alojamento de animais num terreno onde o uso do solo é mais condicionado.

Se esse passo for dado, o futuro Pet Hotel terá ainda vários filtros pela frente antes de poder abrir portas aos primeiros hóspedes.

Azemeis.net
Author: Azemeis.net

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