A intenção da junta de freguesia de São Roque em avançar com a construção de um parque infantil em Vila Chã está a provocar divisão entre a população, depois de o tema ter sido debatido numa recente assembleia de freguesia marcada por forte participação popular. A proposta, apresentada como forma de dinamizar aquela zona da freguesia, foi contestada por vários moradores, que questionam a utilidade do investimento face à realidade atual do território.
Durante a sessão, foi apontado que Vila Chã regista atualmente uma reduzida presença de crianças, o que, na opinião de alguns intervenientes, compromete o impacto do equipamento. “Não há crianças para usufruir do parque”, foi uma das críticas deixadas pela população, refletindo a preocupação de que o espaço possa acabar subutilizado ou mesmo abandonado.
Os moradores alertaram ainda para o risco de o investimento não trazer retorno prático para a comunidade, defendendo uma gestão mais alinhada com as necessidades reais da população. Como alternativa, foi sugerido que o investimento previsto seja direcionado para zonas mais centrais da freguesia, onde existe maior concentração de famílias e onde os equipamentos existentes já são utilizados com frequência.
Segundo os intervenientes, as poucas crianças residentes em Vila Chã deslocam-se regularmente para esses locais, o que reforça a ideia de que a aposta deveria recair na melhoria de infraestruturas já consolidada.
Executivo defende estratégia de valorização territorial
Apesar das críticas, a Junta de Freguesia mostrou-se determinada em avançar com o projeto, defendendo que o parque infantil poderá desempenhar um papel importante na valorização e revitalização de Vila Chã.
O executivo liderado por Vítor Andrade considera que a criação de novos equipamentos pode contribuir para atrair população, dinamizar o espaço público e promover um desenvolvimento mais equilibrado dentro da freguesia.
O debate em torno deste projeto acabou por expor duas visões distintas sobre a gestão do território: por um lado, a aposta na concentração de recursos onde existe maior procura; por outro, a tentativa de estimular zonas com menor dinamismo.
A evolução deste processo será acompanhada com atenção pela população, num contexto em que as decisões de investimento continuam a ser um dos temas centrais da vida local.
