O concelho de Ovar está entre os territórios do litoral português mais afetados pelas sucessivas tempestades que marcaram o último inverno. A forte agitação marítima provocou danos em várias praias, acelerando o processo de erosão costeira e deixando estruturas e acessos mais vulneráveis.
Segundo dados divulgados pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a intensidade das tempestades provocou alterações significativas na linha de costa em diversos pontos do país. Em alguns locais foram registados recuos que chegaram a atingir cerca de vinte metros, consequência direta da força das ondas e da perda de sedimentos ao longo das praias.
No litoral do concelho de Ovar, os efeitos destas condições foram particularmente visíveis, sobretudo nas praias mais expostas ao mar.
Praias com danos visíveis
Entre as zonas mais afetadas encontram-se as praias do Furadouro, Maceda e Cortegaça, onde se verificaram perdas significativas de areia e danos em infraestruturas costeiras. Em alguns pontos registaram-se colapsos de acessos e degradação de muros de proteção, situações que exigem intervenção para garantir a segurança de quem frequenta estas áreas.
A praia do Furadouro, devido à proximidade da frente urbana com o mar, continua a ser uma das zonas mais sensíveis do concelho. A erosão progressiva reduz a largura da praia e aumenta a exposição das estruturas costeiras à força das tempestades.
Também nas restantes praias do concelho se verificou uma diminuição de sedimentos, fenómeno que fragiliza a capacidade natural das praias de proteger o território contra a ação do mar.
Impacto das tempestades no litoral da região Norte
No conjunto do litoral português, as tempestades deste inverno provocaram centenas de ocorrências relacionadas com erosão costeira e instabilidade de arribas. A região Norte registou mais de uma centena de situações, muitas delas associadas à degradação de praias e estruturas de proteção.
A faixa costeira entre Espinho, Ovar e Aveiro tem sido ao longo dos anos uma das zonas mais vulneráveis a estes fenómenos. A combinação entre forte agitação marítima, perda de areia e pressão humana sobre o litoral contribui para o agravamento do problema.
Investimentos previstos para proteger a costa
Perante os danos registados, estão previstas intervenções destinadas a reparar estruturas costeiras e a reforçar a proteção das zonas mais expostas. O plano nacional prevê investimentos de cerca de 27 milhões de euros até 2026 para responder a situações urgentes no litoral.
Estas intervenções incluem a recuperação de estruturas de defesa costeira, a reposição de areia nas praias e a requalificação de acessos que foram destruídos ou danificados durante as tempestades.
O objetivo passa por reduzir os riscos para populações e infraestruturas, ao mesmo tempo que se procura reforçar a capacidade natural das praias para resistirem à força do mar.
Especialistas alertam para o futuro da costa
Especialistas em monitorização costeira alertam que a erosão no litoral português tem vindo a intensificar-se ao longo das últimas décadas. A perda contínua de sedimentos reduz a largura das praias e torna o território cada vez mais vulnerável às tempestades.
No caso do concelho de Ovar, a preservação do cordão dunar e a reposição de areia nas praias são medidas consideradas fundamentais para travar o avanço do mar. Sem reforço das defesas naturais e manutenção das estruturas existentes, os impactos das tempestades poderão tornar-se cada vez mais frequentes e severos.
A evolução da linha de costa continuará a ser acompanhada pelas autoridades e por equipas de monitorização científica, numa tentativa de antecipar riscos e proteger as comunidades que vivem junto ao litoral.

