Há uma semana o pior dos cenários parecia ser o único caminho. A direção da Associação Resgato preparava-se para fechar portas. Com sofrmento. “Escrever ‘esta associação chegou ao fim’ dói. Porque, na verdade, é assim que nos sentimos”, confessaram as responsáveis pela organização, num texto marcado pelo cansaço e pela sensação de que todas as alternativas tinham sido esgotadas.
“Esgotámos soluções. Tentámos durante meses junto da Câmara. Procurámos rendas acessíveis. Não existe nada viável”, escreveram. Perante o cenário de encerramento, surgiu uma última possibilidade: lançar uma campanha de angariação de fundos online para tentar reunir 150 mil euros, valor necessário para adquirir um novo espaço para a associação.
A meta parecia quase impossível. Mas o milagre aconteceu. Em apenas uma semana a onda solidária naciional já fez chegar 126 mil euros às conta da Associação Resgato. Grande parte do valor (102.201,00€) é proveniente da plataforma GoFundMe através da campanha “A Nossa Ultima Tentaviva Para Continua”r.
A associação de proteção animal ResGato começa agora a pensar no processo de mudança para um armazém na freguesia de Ossela. O espaço, atualmente em análise pela direção da associação, é visto como a solução mais viável para substituir o abrigo atual, que se encontra em avançado estado de degradação. O imóvel está avaliado em cerca de 150 mil euros, valor que a associação ainda tenta reunir.
O armazém localizado em Ossela é, neste momento, a opção considerada mais realista pela associação. Além de estar dentro do valor que a campanha pretende alcançar, o espaço oferece uma estrutura que poderá ser adaptada para acolher os animais com maior segurança.
Caso a compra avance, será necessário realizar obras de adaptação para criar áreas adequadas ao acolhimento, tratamento e recuperação dos animais resgatados. Ainda assim, as responsáveis consideram que o essencial é garantir um edifício estruturalmente seguro, ao contrário do que acontece atualmente.
A eventual mudança permitirá também melhorar as condições de trabalho das voluntárias e criar um ambiente mais estável para os animais.
Abrigo atual apresenta risco estrutural
Atualmente, a ResGato funciona numa casa antiga e muito degradada, com problemas graves de humidade e sinais de deterioração estrutural. O telhado e algumas paredes apresentam fragilidades que levantam preocupações quanto à segurança do espaço.
A associação teme que o edifício possa vir a colapsar, colocando em risco tanto os animais como os voluntários que diariamente garantem o funcionamento do abrigo.
Neste momento, o espaço acolhe cerca de 40 gatos e três cães, além de servir de base para o trabalho contínuo de resgate e tratamento de animais abandonados.
Apoio municipal não resolve problema imediato
A ResGato procurou também apoio junto da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis. Entre as propostas apresentadas esteve a possibilidade de cedência de um terreno em Nogueira do Cravo.
Contudo, a associação considerou a solução pouco viável, uma vez que implicaria construir todas as infraestruturas necessárias de raiz — um investimento demasiado elevado para uma organização que vive essencialmente de donativos.
A autarquia manifestou disponibilidade para colaborar em questões administrativas e de licenciamento, mas não prevê apoio financeiro direto para a aquisição do novo espaço.
Projeto voluntário que já ajudou centenas de animais
A ResGato funciona exclusivamente com trabalho voluntário e com o apoio de donativos da comunidade. Ao longo dos anos, a associação tem resgatado, tratado e encaminhado para adoção centenas de animais abandonados no concelho.
Só em 2025 foram registadas centenas de adoções de gatos, reflexo do trabalho contínuo desenvolvido pelas voluntárias.
Agora, o futuro da associação depende da capacidade de reunir o valor necessário para adquirir o armazém em Ossela e garantir um novo capítulo para o abrigo e para os animais que dele dependem.

