O Mundialito Cesaz 2026 foi apresentado oficialmente pelo Futebol Clube Cesarense, numa sessão marcada pela valorização do futebol de formação, pelo reconhecimento a figuras históricas do clube e pelo apelo ao envolvimento da comunidade. A 10.ª edição do torneio realiza-se nos dias 13, 14, 20 e 21 de junho, no Complexo do Mergulhão, em Céesar, e contará com 29 clubes, 78 equipas distribuidas por sete escalões e um total de 191 jogos.
A competição será disputada em sete escalões e, este ano, apresenta como principal novidade a realização em dois fins de semana, uma aposta da direção para responder à dimensão logística do evento. Como foi referido na sessão, “nos dias 13, 14, 20 e 21 de junho, Cesar voltará a receber uma verdadeira festa de futebol de formação”.
Torneio movimenta mais de 1400 pessoas
A organização estima que o Mundialito Cesaz 2026 movimente mais de 1400 pessoas, entre atletas, treinadores, dirigentes, equipas de apoio, voluntários, familiares e visitantes. Na apresentação foi sublinhado que o torneio terá clubes “distribuídos por sete escalões” – juvenis, iniciados e petizes no primeiro fim de semana, e os escalões de infantis A, infantis B, benjamins B e traquinas B no fim de semana seguinte.
O evento volta, assim, a assumir-se como uma das principais iniciativas desportivas da freguesia de Cesar e uma montra do trabalho desenvolvido pelo Futebol Clube Cesarense na formação. O clube irá competir ao lado de clubes como o FC Porto, Sporting, SC Braga, Paços de Ferreira, UD Oliveirense, Loureiro, Fajões, Carregosense, Cucujães e Pinheirense são alguns dos clubes que vão participar.
Durante a sessão de apresentação, foi sublinhado que o torneio representa mais do que uma competição. O Mundialito foi apresentado como uma experiência de convívio, aprendizagem e partilha entre jovens atletas de diferentes clubes, promovendo valores como o respeito, a disciplina, o espírito de equipa e o fair play.
Cesarense reconhece dificuldades na organização
Apesar da consolidação do torneio, a direção do Futebol Clube Cesarense não escondeu as dificuldades crescentes na organização. Luís Pinho assumiu que “é muito difícil fazer o Mundialito”, sobretudo pela dimensão da prova, pelos custos envolvidos e pela necessidade de garantir apoios.
A direção alertou ainda para o aumento da concorrência de eventos semelhantes, afirmando que “a crescente oferta de torneios no mês de junho está a tornar-se insustentável para a sobrevivência do Mundialito de Cesar”.
A dificuldade em captar patrocínios foi outro dos pontos destacados. “Tenho cada vez mais dificuldades em arranjarmos dinheiro. As empresas estão a passar algumas dificuldades e isso torna-se muito difícil para mim e para a nossa direção”, foi referido durante a apresentação.
A organização apelou ainda ao envolvimento de mais voluntários, sobretudo para apoio às mesas de controlo, acompanhamento das equipas e colaboração na área da restauração. No encerramento, foi reforçado que “isto parece fácil de realizar, mas não é. Isto envolve muita gente, envolve uma logística muito pesada”.
Manuel Francisco e Justino Marques são os padrinhos da edição
Um dos momentos mais simbólicos da apresentação foi a homenagem a Manuel Francisco e Justino Marques, escolhidos como padrinhos do Mundialito Cesaz 2026. Ambos foram destacados pelo contributo de décadas ao serviço da formação do Futebol Clube Cesarense.
A organização justificou a escolha com palavras de gratidão, lembrando que “são dois treinadores que já deram muito ao clube, e especialmente à formação” e que estiveram “mais de 20 anos cada um deles, a treinar a equipa de formação”.
Também foi sublinhado que “a escolha de Manuel Francisco e Justino Marques é uma justa homenagem a duas figuras que marcaram profundamente a história de formação do Cesarense”.
Manuel Francisco agradeceu o convite e afirmou que aceitava o papel de padrinho em representação de todos aqueles que, ao longo dos anos, contribuíram para o clube. “O que eu senti foi que eu e o Justino íamos apenas representar todos aqueles que, ao longo dos anos, estiveram no Cesarense a dar um bocadinho de si”, afirmou.
Justino Marques, visivelmente emocionado, recordou o início do seu percurso como treinador: “Foi em 83 que eu comecei como treinador do Júnior Cesarense, no velhinho Campo do Murgulhão”. O antigo treinador garantiu ainda que continuará ligado ao clube: “Estarei sempre ao dispor, enquanto puder, do Cesarense”.
Pedro Rodrigues lembrado como impulsionador do projeto
A apresentação ficou também marcada pelas referências a Pedro Rodrigues, antigo presidente do Futebol Clube Cesarense, apontado como o grande mentor do Mundialito. Durante a sessão, foi recordado que “Pedro Rodrigues foi o grande mentor deste evento”.
Vários intervenientes destacaram a visão e a determinação que permitiram lançar um torneio que, dez anos depois, é reconhecido como uma referência no futebol jovem da região. Um dos discursos lembrou que Pedro Rodrigues, “há cerca de 10 anos, teve coragem de acreditar que o Futebol Clube Cesarense podia organizar um torneio desta dimensão e desta qualidade”.
Foi ainda referido que o antigo presidente “foi também o grande impulsionador deste projeto, acreditando desde o primeiro momento no seu potencial”.
Instituições destacam impacto para Cesar e Oliveira de Azeméis
Os representantes institucionais presentes valorizaram o impacto desportivo, social e económico do Mundialito Cesaz. A Junta de Freguesia de César sublinhou que o torneio atrai centenas de famílias e visitantes, contribuindo para dinamizar a restauração, o comércio local e a imagem da vila.
Na sessão de apresentação foi destacado que este é “um evento importante para a freguesia e para o clube porque movimenta centenas de atletas, centenas de voluntários e milhares de visitantes”. Também foi referido que os visitantes “vão precisar de almoçar, tomar pequenos almoços, lanches e tudo isso movimenta muito aquilo que é a oferta que existe em César”.
Hélder Simões, vereador do pelouro do Desporto da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, destacou a importância destes eventos para a promoção do território e para o desenvolvimento da prática desportiva. Foi também deixado o desafio para que os clubes do concelho articulem melhor as datas dos seus torneios, evitando sobreposições e garantindo maior participação das equipas e das instituições.
Apesar da crescente proliferação de torneios, foi defendido que o Mundialito Cesaz 2026 mantém identidade própria. “César sabe receber bem e este torneio não irá fugir a essa regra”, foi afirmado durante a apresentação.
Fair play e formação como marcas do torneio
Ao longo da sessão, a ética desportiva foi um dos temas mais repetidos. Os intervenientes defenderam que o sucesso do Mundialito não deve ser medido apenas pelos resultados ou pelos troféus.
Como foi referido por Carlos Costa Gomes, presidente da Assembleia de Freguesia de Cesar, “o verdadeiro sucesso neste torneio não se mede pelos resultados ou pelos troféus alcançados”, mas antes “pela forma como competimos, pelo espírito desportivo, pelo respeito que demonstramos pelos adversários, pelas equipas de arbitragem e por todos aqueles que tornam possível a realização deste Mundialito”.
A mensagem deixada aos jovens atletas foi clara: “É importante ganhar um jogo, mas é importante ganhar o respeito dos colegas”. Também aos treinadores e dirigentes foi deixado um apelo: os jovens “devem fazer tudo para ganhar, mas não vale tudo para não perder”.
A Associação de Futebol de Aveiro deixou ainda uma mensagem dirigida aos pais, apelando para que libertem os jovens da pressão excessiva. “É preciso efetivamente que os papás e as mamãs os deixem jogar, os libertem da pressão e que deixem esse trabalho para o treinador”, foi afirmado.
Com a realização da 10.ª edição, o Mundialito César volta a afirmar-se como uma das grandes bandeiras do Futebol Clube Cesarense e como um evento que envolve não apenas o clube, mas toda a comunidade de César. No encerramento, a organização reforçou que “se todos se envolverem e mostrarem vontade de participar ativamente, o sucesso do Mundialito será garantido”.
