A Junta de Freguesia de Nogueira do Cravo, liderada por Manuel Rebelo, suspendeu o projeto do Parque Via do Nordeste, justificando a decisão com a falta de capacidade financeira para avançar com a intervenção. Antes da suspensão, foi liquidada uma fatura de 4.182 euros relativa ao projeto desenvolvido pelo arquiteto Rui Lopo.
A decisão consta da informação escrita apresentada pelo presidente da Junta à Assembleia de Freguesia. Segundo o documento, no dia 4 de agosto realizou-se uma reunião com o arquiteto Rui Lopo, na qual foi tratado o pagamento da fatura em dívida, no valor de 4.182 euros. Foi também nesse encontro que as duas partes acordaram suspender o projeto, tendo a decisão ficado formalizada através da assinatura de um documento.
O executivo justifica a opção com a situação financeira da autarquia. Na informação prestada aos membros da Assembleia, a Junta assume que, neste momento, não dispõe de capacidade financeira para levar o Parque Via do Nordeste por diante. A opção passou, por isso, por suspender o trabalho, em vez de prosseguir com um investimento cuja concretização não está financeiramente assegurada.
Projeto não é abandonado
A suspensão não representa, pelo menos para já, o abandono definitivo do Parque Via do Nordeste. O acordo celebrado com o arquiteto deixa o projeto em condições de poder ser retomado posteriormente, inclusivamente por um futuro executivo da freguesia, caso este considere a intervenção prioritária e disponha das condições necessárias para a executar.
A solução encontrada significa, na prática, que o projeto fica colocado em espera, depois de a Junta ter suportado a fatura de 4.182 euros referida na informação apresentada à Assembleia.
Os documentos disponibilizados, porém, não indicam qual seria o investimento total necessário para construir o Parque Via do Nordeste, nem esclarecem se os 4.182 euros agora pagos representam a totalidade dos encargos já assumidos com o projeto. Também não é indicado um calendário para uma eventual retoma da intervenção.
Junta aponta contenção de despesas
A suspensão do Parque Via do Nordeste surge num momento em que o executivo de Manuel Rebelo tem colocado a situação financeira da freguesia no centro da sua atuação.
Na mesma Assembleia, a Junta afirmou que tem seguido uma política de contenção e racionalização das despesas, procurando reduzir encargos permanentes, rever contratos de prestação de serviços e executar pequenas intervenções através dos próprios funcionários sempre que possível, evitando contratação externa.
O presidente da Junta afirmou ainda que o atual executivo conseguiu reduzir em cerca de 37% a dívida da freguesia, referindo dificuldades financeiras sentidas no início do mandato e atrasos na entrada de verbas que seriam devidas à autarquia.
Segundo Manuel Rebelo, houve mesmo uma fase inicial em que a tesouraria enfrentou dificuldades para responder aos compromissos existentes. O autarca garantiu, contudo, que a situação se encontra atualmente mais estabilizada e que a intenção do executivo passa por continuar a amortizar a dívida.
A Junta informou também ter recebido, a 31 de julho de 2026, o restante valor que estava em falta relativo aos passadiços, depois de vários meses de contactos para a libertação de verbas de projetos já concluídos. Mantinha-se, segundo a informação então apresentada, outra verba por receber relacionada com os WC do edifício da Junta.
Uma obra que fica para o futuro
É neste contexto de contenção que o Parque Via do Nordeste sai, pelo menos temporariamente, das prioridades de execução da Junta.
O projeto existe, houve trabalho técnico associado e foi paga uma fatura de 4.182 euros, mas o executivo entende que não existem atualmente condições financeiras para transformar o plano numa obra.
Ao optar pela suspensão em vez do encerramento definitivo do processo, a Junta deixa a decisão sobre o futuro do Parque Via do Nordeste em aberto. A concretização dependerá agora da existência de recursos financeiros e da opção política de quem estiver à frente da freguesia no futuro.

