O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, defendeu a importância da participação cívica, da memória histórica e do envolvimento dos jovens na vida democrática na sexta-feira, dia 8 de janeiro, durante as Jornadas Pedagógicas do Agrupamento de Escolas de Fajões, alertando para os perigos do populismo, da polarização nas redes sociais e da perda de memória coletiva.
Perante dezenas de alunos e professores, o dirigente socialista afirmou que “a democracia tem de ser cuidada todos os dias”, sublinhando que a liberdade e os direitos democráticos não podem ser encarados como garantidos.
A intervenção integrou um debate dedicado à cidadania e à participação política, num encontro que percorreu temas como o funcionamento das instituições democráticas, o papel dos partidos políticos, o associativismo juvenil e os desafios colocados pelas redes sociais e pela inteligência artificial.
Política “é muito mais do que votar”
Durante a sessão, José Luís Carneiro procurou explicar aos estudantes que a política não se resume ao ato eleitoral.
“O ser humano realiza-se em sociedade e não isoladamente”, afirmou, recuperando o conceito clássico de Aristóteles do “animal político”.
Segundo o secretário-geral do PS, a participação democrática manifesta-se de várias formas, desde o voto à participação em associações culturais, desportivas ou recreativas, passando pelas manifestações, pelo voluntariado ou pela intervenção cívica no espaço público.
“A participação política é muito mais ampla do que a participação eleitoral”, defendeu.
Alerta para o populismo e para os discursos antidemocráticos
Um dos momentos centrais da intervenção surgiu quando José Luís Carneiro abordou o crescimento dos movimentos populistas e dos discursos antidemocráticos.
O líder socialista referiu que parte desse fenómeno resulta do aproveitamento do descontentamento social e do ressentimento de alguns setores da sociedade.
Segundo explicou, há cidadãos que nunca aceitaram plenamente os valores democráticos, outros que se sentem frustrados com o seu percurso de vida e ainda grupos profissionais que acumulam descontentamento perante o funcionamento do Estado.
O dirigente alertou igualmente para os riscos de radicalização nas instituições democráticas, defendendo a necessidade de preservar os valores constitucionais e o respeito pelas liberdades fundamentais.
Redes sociais “vivem da polarização”
Outro dos temas em destaque foi o impacto das redes sociais na vida política e social. José Luís Carneiro afirmou que os algoritmos das plataformas digitais favorecem conteúdos polarizadores e discursos mais agressivos.
“As redes sociais vivem da polarização”, afirmou, considerando que o debate político moderado e estruturado enfrenta atualmente maiores dificuldades de afirmação pública.
O socialista defendeu ainda que a escola deve apostar cada vez mais no desenvolvimento do espírito crítico dos jovens, sobretudo numa época marcada pelo crescimento da inteligência artificial e pela rápida circulação de informação.
Memória histórica e diálogo entre gerações
Ao longo da palestra, José Luís Carneiro insistiu várias vezes na importância da memória histórica e do diálogo entre gerações. O dirigente recordou as dificuldades vividas antes do 25 de Abril, referindo situações de pobreza extrema, analfabetismo e emigração forçada.
“Uma sociedade sem memória perde identidade”, afirmou, apelando aos jovens para conversarem com os pais e avós sobre as dificuldades vividas noutras épocas.
O tema motivou também a intervenção de um participante ligado ao movimento associativo e à recolha de testemunhos históricos, que defendeu a necessidade de preservar as memórias orais das gerações mais velhas antes que desapareçam.
Associativismo como escola de democracia
José Luís Carneiro valorizou ainda o papel das associações juvenis, bandas filarmónicas, clubes desportivos e movimentos culturais na formação democrática dos jovens.
Segundo afirmou, o associativismo ensina liderança, responsabilidade e participação cívica, funcionando como uma verdadeira “escola de democracia”.
O secretário-geral do PS defendeu também que as autarquias devem continuar a apoiar financeiramente o movimento associativo, considerando-o essencial para a coesão social e para o fortalecimento da vida comunitária.
Alunos organizaram as Jornadas Pedagógicas
A iniciativa foi organizada por alunos e professores do Agrupamento de Escolas de Fajões no âmbito das Jornadas Pedagógicas dedicadas à democracia e participação política.
No encerramento da sessão, a direção da escola destacou o envolvimento dos estudantes na preparação do debate, considerando que este tipo de iniciativas contribui para formar cidadãos mais informados, críticos e participativos.
