Um homem acusado de provocar um incêndio, ocorrido no dia 17 de junho de 2025, confessou em tribunal ter sido o autor do crime – consumiu uma área de cerca de três mil metros quadrados, mas garantiu não saber o que o levou a agir naquele momento. Perante o coletivo de juízes, o arguido assumiu de forma clara a responsabilidade, revelando, contudo, uma total ausência de explicação para a sua conduta.
Durante o depoimento, no processo que decorre no Tribunal de Santa Maria da Feira, o suspeito descreveu ter utilizado um isqueiro para iniciar o fogo, abandonando o local logo após as chamas começarem a alastrar. A confissão foi direta e sem reservas, mas marcada por uma declaração que surpreendeu o tribunal: o próprio afirma não compreender o impulso que o levou a cometer o ato.
“Não tinha dinheiro para os medicamentos e para as consultas (… “Não sei o que me passou pela cabeça“, afirmou
De acordo com a acusação, o incêndio foi provocado de forma intencional, não existindo indícios de acidente ou negligência. O arguido terá agido sozinho, recorrendo a meios simples para desencadear o fogo e afastando-se sem qualquer tentativa de controlar a situação ou evitar danos.
A ausência de uma motivação concreta levanta questões relevantes no julgamento, nomeadamente no que diz respeito à avaliação da culpa e ao enquadramento do comportamento do suspeito. O tribunal deverá agora ponderar todos os elementos, incluindo possíveis fatores emocionais ou psicológicos que possam ter influenciado a ação.
Com o processo ainda em curso, a decisão final ficará dependente da análise da prova e das alegações apresentadas em audiência. A confissão poderá ter peso na sentença, mas não elimina a necessidade de esclarecer as circunstâncias que rodearam o crime.
A leitura do acórdão ficou marcada para o próximo dia 8 de abril, às 09h15., no Tribunal de Santa Maria da Feira.

