A Ibero Massa Florestal, empresa instalada em Ul, Oliveira de Azeméis, está a ser investigada pelo Ministério Público após denúncias de moradores da zona envolvente à fábrica, que se queixam de casas sujas, fumo negro, fuligem, ruído e partículas no ar alegadamente associadas à atividade da unidade industrial.
A empresa produz o carvão vegetal da marca Carvão Zero, apresentado como um produto “100% ecológico” e produzido de forma sustentável. A unidade recebeu autorização para operar em Oliveira de Azeméis em 2014, mas, segundo moradores citados pelo Expresso, os problemas começaram a surgir alguns anos depois, sobretudo a partir de 2017.
Os residentes relatam episódios de fumo negro a sair das chaminés, cheiros fortes, ruído durante a noite e acumulação de sujidade nas habitações. Há moradores que afirmam ter deixado de abrir janelas, estender roupa no exterior ou usar normalmente os espaços exteriores das casas devido à presença de partículas e fuligem.
Segundo o Expresso, o Ministério Público confirmou a abertura de um inquérito, mas não adiantou mais informações por o processo se encontrar em segredo de justiça. Um morador afirmou ao jornal que terão sido realizados testes às emissões da empresa em março, informação que a Ibero Massa Florestal diz desconhecer.
A empresa reconhece a existência de reclamações ao longo dos anos, mas garante que tem implementado ajustamentos operacionais sempre que foram identificadas ocorrências. A Ibero Massa afirma ainda que realiza monitorizações regulares às emissões e que os resultados se encontram dentro dos limites legais aplicáveis.
Especialistas ouvidos pelo Expresso referem que, num processo industrial corretamente controlado, não deverá sair fumo negro das chaminés, mas apenas fumo branco associado ao vapor de água. A presença de fumo negro pode indicar partículas. Um médico pneumologista citado pelo jornal alerta que a exposição a partículas poluentes pode afetar os pulmões e agravar doenças respiratórias.
A notícia refere também o armazenamento de materiais no exterior da unidade industrial. De acordo com a licença atribuída em 2014, o material pulverulento deveria ser guardado em local fechado e coberto, de forma a evitar emissões difusas de partículas para a atmosfera. O Expresso refere que imagens mostram materiais depositados ao ar livre.
Em 2022, na sequência de queixas, a CCDR-N terá determinado que a empresa cessasse a utilização de resíduos como combustível, por não estar licenciada para esse efeito. Um pedido posterior de alteração ao licenciamento foi indeferido. A empresa sustenta que o indeferimento ocorreu por questões formais.
A Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, apontada como entidade responsável pela fiscalização da atividade, confirmou a existência de denúncias e reuniões com a empresa e entidades competentes. A autarquia referiu que a Ibero Massa se encontra numa fase de legalização da sua atividade para cumprimento do Plano Diretor Municipal
