O Grupo Oliveirense de Teatro Amador (GOTA) vai passar a ter sede na antiga Escola do Cruzeiro, em Macinhata da Seixa, no ano em que a associação celebra 50 anos de existência. A nova sede surge como um marco simbólico para o grupo de teatro oliveirense, que esteve três longos anos sem instalações próprias.
Em agosto de 2023, o grupo de teatro revelou o cenário desolado ao azeméis.net (ver notícia aqui). Tinha ficado sem sede dois meses depois de celebrar 47 anos de atividade, tendo todo o espólio sido colocado num armazém “à espera de melhores dias”. Na altura, a direção do GOTA afirmava esperar por “condições dignas para um grupo quase cinquentenário”.
Durante esse período, o GOTA viu-se obrigado a guardar figurinos, cenários e restante espólio em locais improvisados e provisórios, mantendo ainda assim a atividade regular da associação. Agora, a autarquia pretende ceder gratuitamente ao GOTA o edifício municipal onde funcionava anteriormente a Escola do Cruzeiro, permitindo à associação instalar naquele espaço a sua sede social.
Através de uma proposta apresentada pelo vereador Rui Luzes Cabral, a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis pretende agora ceder gratuitamente ao GOTA o edifício municipal onde funcionava anteriormente a Escola do Cruzeiro, permitindo à coletividade instalar ali a sua sede social.
O município fundamenta a decisão no reconhecimento do interesse municipal da atividade desenvolvida pela associação e na importância do seu contributo para a dinamização cultural e recreativa do concelho. O documento refere ainda a necessidade de assegurar “condições mais estáveis e adequadas ao desenvolvimento de atividades culturais”.
A cedência destina-se exclusivamente ao funcionamento da sede do grupo e terá uma duração inicial de um ano, sendo automaticamente renovável caso não exista denúncia por qualquer das partes. A câmara municipal atribuiu ao imóvel um valor de referência de 690 euros mensais para efeitos de arrendamento, embora a cedência seja feita a título gratuito e precário.
“A cereja no topo do bolo”
Nas comemorações do cinquentenário, realizadas recentemente, a direção do grupo assumiu mesmo que a obtenção de uma sede fixa foi “a cereja no topo do bolo” das celebrações dos 50 anos. A presidente do GOTA, Ana Garcia, recordou as dificuldades enfrentadas nos últimos anos, explicando que a associação andou “de sítio em sítio” para guardar os materiais do grupo, chegando a mudar os bens várias vezes.
“Nós não tínhamos sede. Tínhamos uma garagem onde guardávamos as coisas. A Câmara depois teve de tirar, porque aquilo era uma garagem que era para eles terminarem com isso. E nós andamos aí, por tudo o que é sítio, a guardar as coisas”, recorda Ana Garcia.
O reconhecimento da importância do trabalho de meio século do Grupo Oliveirense de Teatro Amador vem também por parte do presidente da autaquia, Joaquim Jorge. “É uma associação particularmente importante, porque opera numa área que para nós é grata, que é a área do teatro. Estamos a falar de uma grande longevidade, de uma grande resiliência”, sublinha.
