Domingo, 18 de Outubro de 2026
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Quase nove anos depois, A Janela abriu-se ainda mais à cidade e aqueceu o coração urbano de Azeméis com fado, em noite de tempestade

> Mais de 120 pessoas desafiaram a tempestade e encheram a Rua Bento Carqueja para uma noite de fado dedicada ao talento oliveirense. Quase nove anos depois de abrir portas, a Petisqueira A Janela levou para a rua uma tradição que já vive mensalmente dentro de casa e aqueceu o coração urbano de Oliveira de Azeméis.

Quase nove anos depois de abrir portas na Rua Bento Carqueja, a Petisqueira A Janela decidiu abrir-se ainda mais à cidade. Desta vez, o fado não ficou dentro de portas. Saiu para a rua.

Veja a reportagem em vídeo

E nem uma noite de tempestade afastou as mais de 120 pessoas que, no dia 5 de setembro, se sentaram à mesa para assistir a um evento pensado inteiramente para valorizar o talento de Oliveira de Azeméis.

A iniciativa partiu de Margarida Soares, proprietária d’A Janela, cozinheira, fadista e anfitriã de uma noite que transformou a Rua Bento Carqueja num espaço de encontro, música e convívio.

O objetivo estava definido desde o início: trazer pessoas ao coração da cidade, dar a conhecer a casa e, sobretudo, abrir o palco aos fadistas oliveirenses.

“Espero trazer todos os oliveirenses à Rua Bento Carqueja, à minha casa”, dizia Margarida Soares ainda durante os preparativos.

Uma casa com quase nove anos de história

A Janela aproxima-se dos nove anos de presença na Rua Bento Carqueja.

Ao longo desse tempo, o fado tornou-se parte da identidade do espaço. Uma vez por mês, A Janela organiza uma noite de fados no interior da casa, recebendo intérpretes e músicos num ambiente mais intimista. Foi precisamente essa tradição regular que, desta vez, ganhou uma nova dimensão ao passar das paredes do restaurante para a rua.

Margarida Soares admite, ainda assim, que há muitos oliveirenses que não conhecem o espaço.

“Há ainda muitos oliveirenses que não conhecem a minha casa. Isto também é uma maneira de os trazer cá para ver o que aqui se passa e ficarem a conhecer”, explicou.

Foi dessa vontade de chegar mais longe que nasceu a ideia de levar o fado até à rua. E houve um detalhe que ajudou a ligar essa noite à própria história do restaurante.

No palco estava a janela original da Petisqueira A Janela.

Mais do que um elemento decorativo, era uma marca da identidade da casa. Uma peça com história, colocada no centro de um evento que queria precisamente mostrar à cidade aquilo que, há quase nove anos, se faz naquele espaço.

Um palco só para o talento oliveirense

A primeira edição teve uma característica muito particular: todo o evento foi pensado para dar palco ao talento de Oliveira de Azeméis.

Margarida Soares recebeu Manuel Santiago, da freguesia de Ul; Maria Helena, de Santiago de Riba-Ul; Cândida Pinto, de Oliveira de Azeméis; Costa Leite, de São Roque; Eulália Lopes, de São Martinho da Gândara; e Pedro Valente, de Loureiro.

Várias freguesias, várias vozes e um mesmo concelho representado no palco.

“O meu conceito é mesmo esse. Convidar todos os fadistas oliveirenses que pertencem ao concelho a virem cantar comigo”, afirmou Margarida.

Foi também essa proximidade que deu à noite um caráter especial.

Não se tratava apenas de assistir a um espetáculo de fado.

Tratava-se de ouvir pessoas da terra, reconhecer rostos, identificar freguesias e valorizar quem mantém viva esta tradição no concelho.

Reportagem Fado Sai a Rua 4

Guitarra portuguesa, viola e outros sons

A componente musical teve como base Fernanda Maciel, na guitarra portuguesa, e Lino Lobão, na viola de fado.

Mas o palco recebeu também sonoridades menos habituais neste género.

Violino, violoncelo e flauta transversal juntaram-se ao fado, dando novas cores a alguns dos momentos musicais.

Entre os jovens músicos esteve Rafael Pinho, que já tinha participado no CD gravado por Margarida Soares no ano anterior. A sua participação surgiu também como uma surpresa preparada para a anfitriã.

O resultado foi um encontro entre a tradição e uma geração mais jovem de músicos, numa noite em que o fado mostrou que também pode dialogar com outros instrumentos sem perder a sua identidade.

Mais de 120 pessoas à mesa

A resposta do público acabou por superar largamente as expectativas.

Margarida Soares admitiu que esperava uma adesão muito mais reduzida.

“Pensava em uns 40, 50”, contou. Acabaram por estar mais de 120 pessoas sentadas às mesas instaladas na Rua Bento Carqueja.

A procura foi tanta que a organização acabou por deixar de aceitar reservas.

“Já deixei de receber reservas, porque achei que já não tinha capacidade para cozinhar tanto e para colocar aqui na rua tantas mesas. Senão, as mesas iam até à igreja, ou mais”, revelou Margarida.

Antes mesmo do início, estavam previstos cerca de 125 lugares sentados.

E para quem aparecesse depois, havia outra solução.

“Em pé há sempre lugar”, dizia a anfitriã.

Numa noite marcada pelo mau tempo, a adesão ganhou ainda mais significado.

A tempestade fez-se sentir, mas não foi suficiente para afastar o público.

As pessoas ficaram.

Ouviram.

Cantaram.

Conviveram.

E ajudaram a transformar uma noite adversa numa das mais animadas que a Rua Bento Carqueja recebeu nos últimos tempos.

Manuel Santiago

Maria Helena

Cândida Pinto

Costa Leite

Eulália Lopes

Pedro Valente

Fado, petiscos e comércio local

A música esteve acompanhada por aquilo que também faz parte da identidade d’A Janela: a comida e o convívio.

Ao contrário das noites de fado realizadas habitualmente no interior do espaço, este evento não teve um preço fixo de entrada. Cada pessoa pagava apenas aquilo que consumia.

A ideia era criar um ambiente aberto, acessível e próximo.

Quem queria jantar, podia fazê-lo.

Quem queria ficar apenas pelos petiscos e pela música, também.

E quem passava pela rua encontrava um espetáculo aberto à cidade.

A iniciativa tinha ainda um outro objetivo: contribuir para a dinamização do centro urbano e do comércio local.

Margarida Soares assumiu essa intenção de forma clara, explicando que queria “dinamizar o comércio”, trazer pessoas à Rua Bento Carqueja e dar a conhecer a Petisqueira A Janela.

A tempestade ficou lá fora

No final, ficaram as imagens. Mais de 120 pessoas à mesa. Fadistas de várias freguesias do concelho.

Músicos oliveirenses.

A janela original da casa no centro do palco.

E uma Rua Bento Carqueja cheia de vida numa noite em que o tempo parecia convidar a ficar em casa.

Foi precisamente esse contraste que tornou o momento especial.

Enquanto a tempestade passava por Oliveira de Azeméis, no coração da cidade havia fado, comida, conversa e gente reunida.

Quase nove anos depois de abrir portas, A Janela encontrou uma nova forma de se abrir à cidade.

E a resposta deixou vontade de continuar.

“Claro que sim. Se tudo correr bem e se eu tiver saúde, vou repetir”, garantiu Margarida Soares.

Naquela noite de 5 de setembro, o fado saiu à rua.

E, no meio da tempestade, aqueceu o coração urbano de Oliveira de Azeméis.

Azemeis.net
Author: Azemeis.net

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